'Pelo Brasil passou Bolsonaro, pela Argentina passou o Macri', diz Fernández

Política
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O presidente da Argentina, Alberto Fernández, citou em tom crítico o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro durante sua declaração à imprensa após a reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em Buenos Aires, nesta segunda-feira. "Pelo Brasil passou Bolsonaro, pela Argentina passou o Macri", declarou Fernández.

Mauricio Macri foi presidente da Argentina e perdeu a mais recente disputa eleitoral, na qual tentava a reeleição, para Fernández.

Para o líder argentino, Brasil e seu país têm desafios "muito parecidos" e o primeiro deles é consolidar a democracia e as instituições. "Quero que saiba, Lula, que a Argentina sempre estará ao seu lado", disse Fernández. "Não vamos permitir que fascistas se apossem da soberania popular. Nossos povos só querem viver em paz, não querem ódio. Nossos povos querem bem estar e Justiça. Vamos trabalhar nesse sentido", acrescentou

Reunião 'sensacional'

De acordo com Fernández, a reunião com Lula e sua equipe foi "sensacional". "Tenho certeza que estamos avançando em nível mais profundo do que tínhamos. Nossa aproximação vai durar décadas", disse o líder argentino, em declaração à imprensa na Casa Rosada. "Todos conhecem o carinho e admiração profundos que tenho por Lula. É um líder regional e grande estadista", seguiu, ao citar a forma de governar do petista no primeiro mandato e as políticas de combate à fome nos primeiros governos do PT. "Sinto que agora Argentina e Brasil lançam nova etapa", declarou.

Mercosul e Unasul

Fernández afirmou que há a necessidade de integrar não só a América Latina, mas também os dois países, o Mercosul, que precisaria ser fortalecido, e a Unasul.

"Chegamos a acordo de conversar amanhã com todos os líderes do continente", declarou o presidente da Argentina. "Temos uma história que nos une, temos que aprofundar. Temos que trabalhar pela interconexão elétrica e energética. Queremos que a eletricidade brasileira chegue a nós", acrescentou. "América Latina e Atlântico Sul são zonas de paz", seguiu, ao dizer agradecer Lula por apoiá-lo na defesa da soberania das Malvinas.

"Querido Lula, a casa é sua", disse Fernández ao aliado. "Você tem um amigo incondicional em mim e milhões de amigos na Argentina. Gostamos de você e te valorizamos", encerrou.

Gás de Vaca Murta

O presidente da Argentina confirmou nesta segunda-feira que sua reunião com o presidente Lula, em Buenos Aires, tratou também sobre como levar gás de xisto da região de Vaca Murta para o Brasil, como antecipou o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada.

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Autoridades de Israel e do Hamas disseram nesta terça-feira, 25, que chegaram a um acordo para trocar os corpos de reféns israelenses mortos pela libertação de centenas de prisioneiros palestinos, mantendo o frágil cessar-fogo intacto por pelo menos mais alguns dias.

Israel havia adiado a libertação de 600 prisioneiros palestinos desde sábado para protestar contra o que diz ser o tratamento cruel dos reféns durante sua libertação pelo Hamas. O grupo militante afirmou que o atraso é uma "grave violação" do cessar-fogo e que as negociações sobre uma segunda fase não seriam possíveis até que eles fossem libertados.

O enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse que deseja que as partes iniciem negociações sobre a segunda fase, durante a qual todos os reféns restantes mantidos pelo Hamas deverão ser libertados e um fim para a guerra deverá ser negociado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nesta terça-feira, 25, que também pretende comprar minerais de territórios da Rússia.

O comentário do republicano, em entrevista aos jornalistas no Salão Oval, ocorreu após ele afirmar que se o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, quiser vir à Washington para tratar do acordo com os EUA, seria bem recebido. "O acordo é sobretudo sobre minerais raros."

O presidente americano assinou ainda nesta terça-feira uma ordem executiva que restabelece a exigência de publicação online por hospitais de custos de serviços médicos.

A juíza do Tribunal Distrital dos EUA, Loren AliKhan, bloqueou na terça-feira, 25, indefinidamente a administração do presidente Donald Trump de congelar o financiamento federal anteriormente concedido.

A decisão afeta organizações sem fins lucrativos, grandes e pequenas, nos EUA, que financiam desde a mitigação de inundações até cuidados a idosos e pré-escolas.

A decisão do tribunal federal de Washington foi em resposta a um pedido de liminar contra o governo, solicitado pela organização sem fins lucrativos Democracy Forward em nome de várias outras organizações sem fins lucrativos e proprietários de pequenas empresas.

As organizações sem fins lucrativos procuraram uma ação mais enérgica por parte dos tribunais depois de a Casa Branca ter indicado que ainda planejava prosseguir com um congelamento do financiamento, mesmo depois de o Escritório de Gestão e Orçamento (OMB, na sigla em inglês) ter revogado um memorando que originalmente bloqueava os recursos e à medida que aumentavam as provas de que agências como a Fundação Nacional de Ciência, a Agência de Proteção Ambiental e a Agência Federal de Gestão de Emergências não tinham retomado totalmente o financiamento, de acordo com o processo judicial do Democracy Forward.

Depois que o memorando do OMB foi revogado no final de janeiro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nas redes sociais que a ação "NÃO era uma rescisão do congelamento do financiamento federal. É simplesmente uma rescisão do memorando do OMB".

A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentários na terça-feira.