Advogado do PT diz que deixar Moro impune é 'recado de que vale a pena abusar na pré-campanha'

Política
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O advogado do PT, Luiz Eduardo Peccinin, disse ao Estadão nesta terça-feira, 23, que, caso o senador Sérgio Moro (União-PR) não seja punido por abuso de poder econômico, arrecadação ilícita e uso indevido dos meios de comunicação na campanha eleitoral de 2022, isso representaria um "recado de que vale a pena abusar na pré-campanha e que o limite legal de gastos previsto pelo legislador no período eleitoral pode ser facilmente burlado".

O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, entraram com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar a cassação do ex-juiz da Operação Lava Jato. A ação dos partidos busca reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que livrou Moro da cassação. Para Peccinin, a Justiça Eleitoral do Estado "fez uma interpretação equivocada das provas que foram produzidas a partir de algumas premissas que violam o entendimento que existe no TSE".

De acordo com ele, o partido espera que "agora, com certo distanciamento dos fatos, uma visão de respeito aos próprios precedentes e com uma preocupação em relação às futuras pré-campanhas", o TSE reconheça o abuso "dos valores empregados por Moro no período pré-eleitoral".

"O TRE tem uma preocupação maior em dar preferência à escolha das urnas. O que esperamos do TSE é uma visão mais distante da questão eleitoral para que sejam definidos os parâmetros de interpretação da legislação eleitoral", explicou Peccinin. Ainda para ele, com base no entendimento da Corte sobre o assunto, "não existe qualquer chance de o valor gasto por Moro na pré-campanha ser considerado razoável".

De acordo com o advogado, o partido de Lula tem "muita segurança de que foram pelo menos R$ 4 milhões que abasteceram a pré-campanha de Sérgio Moro e não existe, até hoje, qualquer parâmetro que permita tamanha gastança de dinheiro público no período pré-eleitoral".

Segundo Peccinin, os gastos do ex-juiz da Lava Jato conferiram vantagem "abusiva e ilegal" frente aos demais candidatos do Paraná ao Senado. Por isso, ele afirma que a decisão de deixar Moro impune significaria que "basta antecipar as despesas para o período pré-eleitoral" para que os gastos não sejam declarados e contabilizados como despesas da campanha eleitoral, o que seria um recado "para os abusadores dizendo que vale a pena".

O senador Sérgio Moro, de acordo com o advogado, "queimou a largada" ao fazer contratações, montar "uma espécie de campanha com estrutura de marketing nas redes sociais e viagens de campanha fora da fiscalização". Para ele, o senador fez em oito meses "tudo o que os outros (candidatos) devem fazer em cerca de 45 dias".

De acordo com Peccinin, a campanha presidencial iniciada por Moro em São Paulo "naturalmente o beneficiaria em qualquer cargo eletivo que ele quisesse disputar". O ex-juiz foi pré-candidato à Presidência em 2022 pelo Podemos, mas desistiu da disputa e se filiou ao União Brasil, partido pelo qual concorreu à vaga no Senado.

Após a vitória no no TRE-PR, o o senador Sérgio Moro afirmou que o julgamento foi "técnico e impecável". "O TRE preservou a soberania popular e honrou os votos de quase dois milhões de paranaenses", disse, na ocasião. O ex-juiz negou qualquer irregularidade e ainda disse que foi vítima de "oportunismo" e "retaliação" por conta de sua atuação na Lava Jato.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que não pretende aliviar as sanções que o país impõe sobre a Rússia antes da obtenção de um acordo de paz.

"Temos sanções sobre a Rússia", disse o presidente norte-americano, durante a primeira reunião de membros do gabinete de seu segundo mandato nesta quarta-feira, 26. "Primeiro preciso ver um acordo com a Rússia antes de falar sobre afrouxamento das sanções."

Os pilotos de um voo da Southwest Airlines que tentavam pousar no Aeroporto Midway, em Chicago nos Estados Unidos, foram forçados a subir de volta ao céu para evitar outra aeronave que cruzava a pista na manhã de terça-feira, 25.

Um vídeo da câmera do aeroporto postado no X mostra o avião da Southwest se aproximando da pista pouco antes das 9h, horário local, antes de arremeter abruptamente. Um jato menor é visto cruzando a pista que a aeronave de passageiros deveria usar.

O voo Southwest 2504 pousou com segurança "depois que a tripulação realizou uma arremetida preventiva para evitar um possível conflito com outra aeronave que entrou na pista", disse um porta-voz da companhia aérea em um e-mail. "A tripulação seguiu os procedimentos de segurança, e o voo pousou sem incidentes."

"Suas instruções foram para aguardar"

Uma gravação de áudio da comunicação entre o jato menor e a torre de controle registrou o piloto errando as instruções de um funcionário da torre de solo, que repetiu que o piloto deveria "aguardar antes" da pista. Cerca de 30 segundos depois, a torre ordenou que o piloto "mantivesse sua posição." Em seguida, o controlador disse: "FlexJet560, suas instruções foram para aguardar antes da pista 31 central".

Separadamente, uma gravação da comunicação entre a tripulação da Southwest e outro funcionário da torre de controle capturou o piloto relatando: "Southwest 2504 arremetendo" e seguindo as instruções para subir de volta a 3.000 pés. Segundos depois, o piloto perguntou à torre: "Southwest 2504, como isso aconteceu?"

O segundo avião, descrito como um jato executivo, entrou na pista sem autorização, segundo a Administração Federal de Aviação (FAA). A Flexjet, dona da aeronave, afirmou estar ciente do ocorrido em Chicago.

"Flexjet segue os mais altos padrões de segurança e estamos conduzindo uma investigação minuciosa", disse um porta-voz em comunicado. "Qualquer ação necessária para garantir os mais altos padrões de segurança será tomada." Tanto a FAA quanto o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) afirmaram estar investigando o incidente.

"A tripulação estava distraída?"

O voo da Southwest partiu de Omaha, Nebraska, com destino ao Aeroporto Midway, segundo o site FlightAware. O áudio do controle de tráfego aéreo deixa claro que o jato executivo não seguiu a instrução clara de não cruzar a pista, afirmou Jeff Guzzetti, ex-membro do NTSB e ex-investigador da FAA.

Guzzetti classificou o caso como uma "incursão de pista muito grave", mas acrescentou: "no entanto, o céu não está caindo, pois o ano passado registrou o menor número de incursões graves em uma década". Em 2023, ocorreram 22 desses eventos, mas apenas sete em 2024, segundo dados da FAA. Diversos fatores podem contribuir para esses incidentes, disse Guzzetti: "A tripulação estava distraída? O controlador estava sobrecarregado?"

O Secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou na tarde de terça-feira no X que, enquanto NTSB e FAA investigam, uma coisa está clara: "É imperativo que os pilotos sigam as instruções dos controladores de tráfego aéreo. Se não o fizerem, suas licenças serão revogadas".

John Goglia, ex-membro do NTSB, disse que o quase acidente mostrou que "o sistema funcionou exatamente como foi projetado". Isso porque o piloto da Southwest percebeu que o outro avião não pararia a tempo, afirmou.

Os investigadores provavelmente examinarão fatores como a equipe presente na torre de controle e se as instruções foram claras. "Essas coisas acontecem", disse ele, mencionando possíveis falhas de comunicação, como um piloto ouvindo errado as instruções.

Nas últimas semanas, quatro grandes desastres aéreos ocorreram na América do Norte, incluindo:

- 6 de fevereiro: Queda de um avião comercial no Alasca, matando todas as 10 pessoas a bordo.

- 26 de janeiro: Colisão aérea entre um helicóptero do Exército e um voo da American Airlines no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, matando todas as 67 pessoas a bordo.

- 31 de janeiro: Queda de um jato de transporte médico em um bairro da Filadélfia, matando sete pessoas, incluindo uma criança paciente, sua mãe e quatro tripulantes.

- 17 de fevereiro: Um voo da Delta tombou e pousou de cabeça para baixo no Aeroporto Pearson, em Toronto, deixando 21 feridos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à Casa Branca na sexta-feira.

O republicano fez os comentários durante abertura de seu primeiro encontro de gabinete do seu segundo mandato, que conta com a presença do empresário Elon Musk, que lidera o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) em meio a polêmicas e críticas sobre métodos para reduzir as despesas do governo federal.

Trump afirmou ainda que a Europa está disposta a ampliar a ajuda à Ucrânia.

Mais cedo, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o acordo de extração de minerais entre EUA e Ucrânia deve ser assinado até sexta-feira e que o evento será um grande passo para o acordo de paz.