Fogaça mostra o novo restaurante nos Jardins

Variedades
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
Depois de 19 anos e uns quebrados, Henrique Fogaça trocou Higienópolis pelos Jardins. Há quinze dias, o Sal Gastronomia tem um novo lar para chamar de seu: o número 1958 da Rua Bela Cintra. Quase na esquina com a Alameda Lorena, sob um condomínio residencial, o restaurante é o primeiro morador do predião de luxo. À parte ele, só um dos apartamentos únicos por andar foi ocupado.

A mudança de ares trouxe muito mais espaço. Em dois andares, com folga, dobrou os 80 lugares do "Salzinho". O motivo, no entanto, não foi esse. "Era muito 'noia' passando na porta, funcionário sendo assaltado, não tinha mais condição. Deu", entrega Fogaça.

Prestes a completar 50 anos, o cozinheiro ainda não começou a fazer o balanço da carreira, mas confessa que gostaria de passar mais tempo na cozinha, coisa que ele fez muito no tal "Salzinho".

Para quem não acompanhou, não custa lembrar que, muito antes de reality culinário na TV aberta, ele causou na paulicéia. Junto a uma galeria de arte, o restaurante foi o primeiro ponto do ex-estudante de arquitetura, ex-bancário e ex-dono de kombi de sanduíches.

Há duas décadas, foi sangue novo no cenário gastronômico: sua cozinha aberta para o salão voltava-se a receitas regionais, produtos locais, técnicas clássicas e, de quebra, apresentava-se sob a forma pouco batida de menu degustação. Detalhe: de preço acessível.

Na altura, o restaurante buscava um lugar a um sol que brilhava para chefs como Alex Atala, Bel Coelho e Ana Luiza Trajano. E bronzeou-se bem. Com a cor mantida, é verdade que se acomodou. Então, com o fenômeno MasterChef, a fórmula que já não era mais tão inovadora, tornou-se impraticável.

Coisas da vida, o menu degustação voltou a ser cogitado: "Ainda não sabemos quando, talvez a cada dois meses, numa noite em que ele estiver despachando. A cozinha é a pinga dele", entrega Raquel Fogaça, a irmã mais velha e braço direito de Henrique.

Enquanto isso, o cardápio que funciona de segunda a segunda, almoço e jantar, mantém clássicos como o queijo coalho tostado com melado e uva verde (R$ 37), o lombo de cordeiro com aligot e molho de jabuticaba (R$ 178), o cupim na manteiga de garrafa acompanhado de farofa de banana e mandioca cozida (R$ 129) e o suflê de goiabada (R$ 40).

O nhoque de mandioquinha com ragu de javali, por sua vez, sumiu. "Acredita que estou sem fornecedor?", justifica Fogaça, que deixou a massa só com tomate (R$ 65) para vegetarianos. Aliás, há inclusive receitas veganas, caso do ceviche de caju (R$ 39), do medalhão de beterraba com sete grãos e shimeji (R$ 65) e do sagu com leite de coco e frutas tropicais (R$ 42), doçura em homenagem a Seu João, o pai do chef.

Vale dizer que, carnívoros ou não, os pratos do Sal são generosos e francos como o autor: "As pessoas vêm com uma puta expectativa, a de ser a melhor gastronomia do mundo. Minha comida é gostosa, bem-feita, eventualmente tem umas cagadas. É comida normal", admite o próprio.

Nada que o impeça de passar o dia todo na cozinha testando uma dúzia de pratos: "Daqui a duas semanas começam as gravações de MasterChef. Aí esquece, são seis meses dedicado diariamente ao programa".

Por Paladar foram provados - e aprovados - um tartar de atum com dill e abacate bem refrescante, um nhoque grandão de batata com ragu ligeiramente picante de cordeiro e uma pescada amarela ao molho amanteigado de champanhe com cuscuz marroquino com ervas e passas brancas. "Gostou? Mas não vai ser pescada. Vou fazer com linguado. Vai ficar melhor", já avisou Fogaça.

Sal Gastronomia

R. Bela Cintra, 1958, Jardins. Seg. a qui., das 12h às 15h e das 19h às 23h; sex., das 12h às 16h e das 19h às 23h30; sáb., das 12h às 17h e das 19h às 23h30; dom., das 12h às 18h e das 19h às 22h. Tel.: (11) 3554-4460

Em outra categoria

Fantasiados de Chapolin Colorado e de padre, dois agentes da Polícia Civil de São Paulo prenderam um homem suspeito de furtar celulares durante um bloco de pré-carnaval na região da Consolação, no centro da capital. A identidade do suspeito não foi revelada.

O homem detido pelos agentes disfarçados tem 34 anos e estava com seis celulares. Conforme a polícia, os agentes infiltrados desconfiaram do homem ao observá-lo filmando alguns foliões, além de carregar uma bolsa cheia de celulares e duas carteiras.

O suspeito foi abordado, detido e levado ao 78.° Distrito Policial, no Jardins, onde permaneceu preso por furto. Dois desses aparelhos foram devolvidos às vítimas.

Conforme o balanço da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP), a estratégia de se infiltrar em blocos fantasiados resultou na prisão de sete pessoas e na recuperação de 30 celulares somente no último final de semana.

Em outra ocorrência, um homem, de 37 anos, foi detido com sete celulares furtados em Pinheiros, na zona oeste da capital. Os policiais infiltrados desconfiaram da atitude do suspeito e o seguiram.

Em determinado momento, ele tentou furtar o aparelho de uma mulher. Ao perceber a ação criminosa, os agentes o abordaram. Duas vítimas tiveram os aparelhos recuperados e os demais celulares foram apreendidos. O caso foi registrado como furto no 14.° Distrito Policial de Pinheiros.

De acordo com dados divulgados pela SSP-SP, via Polícia Civil, 880 boletins de ocorrências de furto e roubo de celular foram registrados no último final de semana no Estado de São Paulo. O total representa uma redução de 60% na comparação com o ano passado, de acordo com a pasta.

Na capital paulista, o total de casos para este tipo de crime foi 590 - sendo 211 para roubos - no fim de semana que antecede o carnaval. A redução na comparação com 2024 também é de 60% (1.508 crimes).

Em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, duas mulheres foram presas pela Polícia Militar com 16 celulares furtados. O caso aconteceu no domingo, 22. Pelo menos três vítimas tiveram os aparelhos recuperados no local.

A Fuvest, principal porta de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), foi autorizada a propor outros gêneros textuais na redação para além da dissertação, modelo usado nas últimas décadas pela prova. A instituição ainda estuda qual será o modelo para o vestibular de 2026 e já convocou estudantes interessados a participarem de um simulado em abril, para que tenham a possibilidade de elaborar uma dissertação e outro gênero textual.

O simulado servirá para avaliar o desempenho desses candidatos em outro gênero textual e como a banca de correção se comporta diante de dois modelos, segundo Gustavo Mônaco, diretor-executivo da Fuvest. "No passado, a Fuvest já cobrou outros gêneros textuais e agora nós poderemos cobrar quaisquer dos gêneros textuais, isso é uma mudança significativa", diz Mônaco.

A lista de obras obrigatórias também foi reformulada para o próximo vestibular. Agora, terá apenas obras cujas autoras são mulheres (veja lista abaixo). A lista também deixa de ser exclusivamente de literatura, com, pelo menos, uma obra que não seja de caráter literário.

"Nós fizemos a escolha de obras de autoras brasileiras, portuguesas, africanas - sobretudo de Moçambique e Angola -, e que conseguem, de alguma forma, apresentar para os vestibulandos um outro universo na tradição literária. É uma iniciativa da Fuvest para dar visibilidade às escritoras e, nesse contexto, foram selecionadas obras de autoras extremamente relevantes para a literatura brasileira, como Raquel de Queiroz, Lígia Fagundes Teles, Clarice Lispector e tantas outras que contribuíram para a formação da literatura brasileira", explica o diretor-executivo da instituição.

A Fuvest inaugura, ainda, nesta segunda-feira, 24, sua nova identidade visual, com um novo logotipo e a mudança da tipografia da prova, o que, segundo a instituição, fará com que o exame ganhe "um ar mais agradável e de leitura mais direta". A expectativa é de que os candidatos consigam se concentrar melhor na leitura e otimizem o seu tempo na realização da prova.

Foi lançado um novo site, redesenhado para "oferecer experiência mais moderna e funcional, refletindo os mesmos valores e estética da nova identidade visual", segundo a instituição.

Em dezembro de 2024, a USP já havia divulgado outra mudança na prova que será realizada no fim deste ano: a Fuvest deixará de ser dividida em disciplinas tradicionais, como Português, Química, História, e, passará a ser cobrada em quatro áreas, como já ocorre no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A ideia é que as questões passem a ser interdisciplinares e não mais focadas na cobrança de conteúdos específicos.

Veja a lista de obras obrigatórias para a Fuvest 2026:

- Opúsculo Humanitário (1853) - Nísia Floresta

- Nebulosas (1872) - Narcisa Amália

- Memórias de Martha (1899) - Julia Lopes de Almeida

- Caminho de Pedras (1937) - Rachel de Queiroz

- O Cristo Cigano (1961) - Sophia de Mello Breyner Andresen

- As Meninas (1973) - Lygia Fagundes Telles

- Balada de Amor ao Vento (1990) - Paulina Chiziane

- Canção para Ninar Menino Grande (2018) - Conceição Evaristo

- A Visão das Plantas (2019) - Djaimilia Pereira de Almeida

Nova logo

O logo do vestibular passa a ser em formato circular simbolizando um dos ciclos mais marcantes da vida estudantil: o fim do ensino médio e o ingresso no ensino superior.

A mudança expressa ainda a evolução constante de quem se inscreve em processos de seleção, diz a Fuvest, uma vez que, além de selecionar alunos para a graduação na USP, a prova também atua na seleção de candidatos em outras modalidades, como os programas de mestrado e doutorado, e também na admissão para uma vaga no serviço público.

O novo conceito da Fuvest abrange o mote "vencerás pela educação", adaptando o lema da Universidade de São Paulo: vencerás pela ciência. Destaca, ainda, o "V" de vitória como símbolo central. Este elemento visual carrega um duplo significado: representa tanto o triunfo pessoal dos candidatos quanto a busca por justiça social por meio da educação.

"A opção pelo destaque no trecho 'Fuv' da palavra 'Fuvest' também não foi por acaso, já que os vestibulandos frequentemente usam o termo 'Fuv' nas redes sociais", explica o professor Gustavo Mônaco, diretor-executivo da instituição.

A mudança de identidade inclui nova tipologia, que será aplicada às peças de comunicação da marca e às provas do vestibular e concursos públicos realizados pela Fuvest.

"Mais do que uma mudança estética, o logotipo reafirma o compromisso com a excelência, transparência e democratização do acesso à educação de qualidade", diz a organização da Fuvest.

O Ministério da Educação (MEC) vai começar a avaliar este ano as crianças também por meio de perguntas abertas e não apenas com testes, como ocorre desde os anos 90. As novas questões farão parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a maior prova feita pelo governo para medir a aprendizagem no País.

O exame acontece a cada dois anos e avalia todos os alunos do 2º, 5º e 9º anos do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio da rede pública, em Língua Portuguesa e Matemática. A rede particular é avaliada de forma amostral.

A partir das notas do Saeb é calculado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). É a primeira vez que uma avaliação de larga escala no Brasil vai usar questões dissertativas. As perguntas em forma de teste também continuarão a fazer parte da prova.

Segundo o Estadão apurou, a intenção do MEC é a de fazer as perguntas dissertativas de forma experimental em 2025 para testar o novo modelo com uma amostra de alunos. As provas serão no segundo semestre, nos meses de outubro e novembro, em todos os Estados.

O novo modelo de prova está sendo apresentado nesta segunda-feira, 24, para secretários estaduais e municipais de educação pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC.

O Saeb, que existe desde os anos 90, vinha sendo criticado por especialistas pela dificuldade de diferenciar o desempenho dos estudantes. Há quem considere as perguntas muito simples.

As questões abertas eram uma demanda antiga para tornar o teste mais preciso. Avaliações internacionais, como o Pisa, já fazem perguntas abertas há anos.

O Inep também vai adaptar e modernizar este ano a matriz o exame, que indica as habilidades que devem ser medidas.