Polícia de Maduro apaga post 'quem mexe com a Venezuela se dá mal' com referência a Lula

Internacional
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A Polícia Nacional Bolivariana, da Venezuela, apagou a publicação que trazia uma foto com a bandeira do Brasil e a silhueta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto com a mensagem "quem mexe com a Venezuela se dá mal". A imagem havia sido publicada em meio à crise diplomática entre o petista e o ditador Nicolás Maduro nas últimas semanas.

A postagem entrou no perfil da polícia venezuelana no Instagram na quinta-feira, 31. Neste sábado, 1º, o post já não aparecia mais na conta oficial do órgão. O recado não citava Lula diretamente. "Nossa pátria é independente, livre e soberana. Não aceitamos chantagens de ninguém, não somos colônia de ninguém", dizia a publicação.

Maduro convocou para consultas seu representante em Brasília, o embaixador Manuel Vicente Vadell, em uma escalada da crise diplomática. O estopim foi o veto brasileiro ao ingresso da Venezuela no Brics. Na sexta-feira, 1º, um dia após a publicação da polícia venezuelana, o governo brasileiro reagiu. Por meio de nota, o Itamaraty se disse surpreso com o "tom ofensivo" contra o País e seus símbolos nacionais.

"O governo brasileiro constata com surpresa o tom ofensivo adotado por manifestações de autoridades venezuelanas em relação ao Brasil e aos seus símbolos nacionais", disse o comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. "A opção por ataques pessoais e escaladas retóricas, em substituição aos canais políticos e diplomáticos, não corresponde à forma respeitosa com que o governo brasileiro trata a Venezuela e o seu povo."

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O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, afirmou nesta quinta-feira, 3, que os ministros são responsáveis pela queda na popularidade da gestão. O índice de desaprovação do governo Lula chegou a 56% no mês de março, segundo a pesquisa Genial/Quaest.

"Não tem nada que me isentar de impopularidade. Eu acho que a impopularidade tem responsabilidade de todos os ministros. Todas as áreas, a área política, gestão, comunicação, todo mundo. Isso não tem absolutamente nenhum problema", afirmou o ministro após o evento "Brasil Dando a Volta por Cima", no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

A cerimônia, que teve tom de campanha política, teve como objetivo apresentar um balanço dos últimos dois anos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio à queda na popularidade do governo. A aprovação da gestão petista caiu de 47% para 41%, segundo o último levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta quarta-feira, 2.

"Quanto à questão de popularidade do presidente, o objetivo principal desse evento, o objetivo desse evento, não foi isso", disse o ministro. O chefe da Secom afirmou ainda que o seu trabalho frente à pasta serve apenas para "informar a população sobre as ações do governo".

"Quanto à opinião da população sobre o governo, se acha isso, ou disso e daquilo, aí não é questão de a gente ficar definindo", concluiu.

A nova campanha publicitária busca reverter a queda na popularidade do governo. Durante o evento, a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve um papel central. Onze das 36 medidas anunciadas como entregas do governo Lula fazem referência explícita a melhorias em relação aos quatro anos sob Bolsonaro.

O líder da oposição na Câmara, coronel Zucco (PL-RS), protocolou nesta quarta-feira, 2, um pedido de habeas corpus coletivo endereçado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele pede que presos pelos atos de 8 de janeiro sejam colocados em prisão domiciliar.

O documento solicita que, por motivos de "justiça e equidade", as condições oferecidas a Débora Rodrigues dos Santos e Jaime Junkes sejam estendidas a todos os presos pelo ataque à Praça dos Três Poderes.

Acusada de pichar com batom a frase "Perdeu, mané" na estátua da Justiça, a cabeleireira Débora teve a prisão preventiva convertida em domiciliar na última sexta-feira, 28, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. A medida atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que defendeu o relaxamento da prisão ao menos até o julgamento.

Já no caso de Jaime Junkes, professor aposentado de 68 anos que está com câncer e cumpre pena definitiva, a prisão domiciliar foi concedida em razão de "grave situação de saúde reiteradamente comprovada nos autos".

O pedido de habeas corpus protocolado pleiteia a substituição das prisões de réus que ainda aguardam condenação, como Débora, pelo recolhimento domiciliar nos casos envolvendo pessoas com mais de 80 anos; extremamente debilitadas por motivo de doença grave; consideradas imprescindíveis para cuidados de pessoa com deficiência ou menor de seis anos de idade; gestantes; mulheres com filhos de até 12 anos de idade e homens, se forem os únicos responsáveis pelo cuidado de uma criança de até 12 anos. As hipóteses estão previstas no artigo 318 do Código de Processo Penal.

No que diz respeito a quem já recebeu condenação e cumpre pena definitiva de prisão, como Junkes, Zucco pede a conversão de pena a presos que se enquadram nos quatro primeiros incisos do artigo 117 da Lei de Execução Penal: maior de setenta anos; acometido de doença grave; gestante ou mãe com filho menor de 18 anos ou com deficiência.

O deputado também entregou um relatório ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), com relatos de supostas violações de direitos humanos contra os detidos, e afirmou que vai encaminhar o documento a líderes partidários para pressionar apoio à proposta de anistia.

Durante julgamento que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) réu por tentativa de golpe de Estado, nesta terça-feira, 25, o ministro Alexandre de Moraes. O ministro apresentou dados sobre o perfil de 497 condenados pelos atos golpistas Segundo Moraes, 36 pessoas têm entre 60 e 69 anos e 7 têm mais de 70 anos. O restante têm até 59 anos.

"Essa narrativa que se repete nas redes sociais, de que só mulheres idosas foram condenadas, é totalmente falsa", afirmou o ministro ao citar que as mulheres representam 32% das condenações, enquanto os homens, 68%.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) disse na segunda-feira, 31, que a direita brasileira está organizada e articulações para que ela assuma o protagonismo nas próximas eleições já começaram no Congresso Nacional. Em encontro com investidores promovido pela Legend Invest no auditório do BTG Pactual, ele afirmou que "o eleitor está pronto para migrar" e que "o governo [Lula] já deu o que tinha que dar".

Para Nogueira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu a capacidade de dialogar e a conexão com sua base eleitoral, e a resposta do Planalto a problemas econômicos e institucionais tem sido ineficaz.

"O governo reage com aumento de gasto público e slogans reciclados. Tudo é 'nova' farmácia popular, 'novo' Minha Casa Minha Vida, mas ninguém diz que tem uma nova avó. É um governo velho", afirmou.

Ao falar sobre as decisões econômicas do governo federal, o senador comparou o atual cenário com o que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e negou que existam condições para o impedimento de Lula.

"A Dilma foi tirada porque ela tinha 7% [de aprovação]. O Lula ainda tem o peso de 30 [%], não tem como você decretar o impeachment do presidente. Não vai haver rompimento institucional, mas o Congresso vai segurar, funcionar como um dique".

A contenção, explicou ao Estadão, diz respeito a frear medidas de taxação. Durante o evento, ele fez referência às propostas de tributação progressiva que miram faixas mais altas de renda. "É um governo que só pensa em arrecadar, e o Congresso Nacional não pode permitir isso", disse à reportagem.

Nas palavras de Ciro Nogueira, a direita tem uma estratégia traçada para as eleições presidenciais, que, ressaltou, "vai ser o candidato do Lula contra o candidato do Bolsonaro".

Caso o "escolhido" para enfrentar o presidente nas urnas seja o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador acredita que o pleito "já está ganho". "A força do Bolsonaro está na transferência. Ele aprendeu com os erros e vai fazer uma campanha diferente", afirmou.

O senador esclareceu à reportagem que a ideia é "lutar pela candidatura até o fim". "Caso ele não possa ser candidato, ele vai escolher seu representante. O governador Tarcísio seria um ótimo representante, mas tem outros nomes colocados. A definição será do presidente Bolsonaro", contou.

Divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira, 2, apontou a subida da desaprovação de Lula de 49% em janeiro para 56% em março. A aprovação, por sua vez, caiu de 47% para 41%, a pior desde o início do mandato.

Por outro lado, levantamento desta quinta-feira, 3, indica que mais eleitores brasileiros (44%) temem o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 41% têm receio de uma vitória do presidente Lula em 2026.

Em pesquisa de intenção de voto da Genial/Quaest, o presidente Lula lidera a disputa contra todos os potenciais candidatos da direita em cenários de segundo turno. Contra Bolsonaro, que está inelegível até 2030, o petista está em vantagem, mas empatado no limite da margem de erro, que é de dois pontos porcentuais.

Além da inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele responde a processo por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-presidente e sete aliados se tornaram réus no Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada e, se condenados, podem encarar penas de até 43 anos de prisão.

Até o momento, quando perguntado sobre um outro nome viável da direita para 2026, Bolsonaro tem repetido que não vai apontar um "sucessor" ou apoiar outra pessoa. "Só depois de morto", disse em uma das ocasiões. Tarcísio, por sua vez, disse ter intenção de concorrer à reeleição em São Paulo.