Homens são resgatados dos escombros com vida cinco dias após terremoto em Mianmar

Internacional
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

Equipes de resgate retiraram dois homens com vida dos escombros de um hotel na capital de Mianmar nesta quarta-feira, 2, e um terceiro de uma pousada em outra cidade, cinco dias após o terremoto de magnitude 7,7. No entanto, a maioria das equipes está encontrando apenas corpos, e crescem as preocupações de que os contínuos ataques militares contra forças de resistência possam comprometer os esforços de socorro.

O terremoto atingiu a região ao meio-dia da última sexta-feira, 28, derrubando milhares de edifícios, colapsando pontes e destruindo estradas. O número de mortos subiu para 2.886 nesta quarta-feira, com outros 4.639 feridos, segundo a emissora estatal MRTV. Relatórios locais sugerem números ainda mais altos.

O terremoto ocorreu em meio à guerra civil em Mianmar, agravando uma crise humanitária já severa. Antes do desastre, mais de 3 milhões de pessoas já haviam sido deslocadas de suas casas e quase 20 milhões necessitavam de assistência, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Duas das principais forças armadas de resistência que lutam contra o governo militar, que tomou o poder em 2021 do governo democraticamente eleito de Aung San Suu Kyi, anunciaram cessar-fogo para facilitar a resposta humanitária ao terremoto. No entanto, os militares não interromperam seus ataques.

"Mais uma vez, eles estão colocando a sobrevivência do regime acima dos interesses do povo, mesmo em um momento de calamidade", disse Richard Horsey, assessor sênior para Mianmar do Crisis Group.

Resgate dramático na capital

Na capital, Naypyitaw, uma equipe de resgate turca e local utilizou uma câmera endoscópica para localizar Naing Lin Tun em um andar inferior do hotel danificado onde ele trabalhava. Eles o retiraram cuidadosamente através de um buraco aberto com uma britadeira e o colocaram em uma maca quase 108 horas após ele ter ficado preso.

Sem camisa e coberto de poeira, ele parecia fraco, mas consciente, em um vídeo divulgado pelo Corpo de Bombeiros local, enquanto recebia soro intravenoso antes de ser levado para atendimento.

A emissora estatal MRTV informou mais tarde que outro homem foi resgatado do mesmo prédio mais de 121 horas após o terremoto. Ambos tinham 26 anos.

Outro homem foi resgatado por equipes da Malásia e de Mianmar de uma pousada desmoronada no município de Sagaing, próximo ao epicentro do terremoto, perto da segunda maior cidade do país, Mandalay.

O terremoto também foi sentido na vizinha Tailândia, causando o colapso de um prédio de grande altura em construção em Bangcoc. Um corpo foi retirado dos escombros na madrugada de quarta-feira, elevando o número de mortos em Bangcoc para 22, com 35 feridos, a maioria no local da construção.

Militares rejeitam cessar-fogo

A Aliança dos Três Irmãos, uma das poderosas milícias que tomaram uma grande parte do país do controle militar, anunciou um cessar-fogo unilateral de um mês na terça-feira, 1º, para facilitar a resposta humanitária.

O Governo de Unidade Nacional, formado por parlamentares depostos em 2021, já havia convocado um cessar-fogo para suas forças. Essas declarações colocaram pressão sobre o governo militar para seguir o mesmo caminho, disse Morgan Michaels, analista do International Institute of Strategic Studies em Cingapura, que gerencia o projeto Myanmar Conflict Map.

No entanto, o chefe do governo militar de Mianmar, o General Sênior Min Aung Hlaing, rejeitou até agora a ideia de um cessar-fogo.

Ajuda internacional

Diversos países prometeram milhões em assistência para ajudar Mianmar e organizações humanitárias no enorme desafio de reconstrução.

A Austrália anunciou na quarta-feira, dia 1º, que fornecerá mais US$ 4,5 milhões, além dos US$ 1,25 milhão já comprometidos, e enviou uma equipe de resposta rápida ao país.

A Índia enviou aviões com ajuda e dois navios da Marinha com suprimentos, além de cerca de 200 socorristas.

Outros países também enviaram equipes:

- China: 270 pessoas;

- Rússia: 212 pessoas;

- Emirados Árabes Unidos: 122 pessoas.

Uma equipe de três pessoas da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) chegou na terça-feira para avaliar como responder, diante dos cortes no orçamento de ajuda externa dos EUA. Washington anunciou que fornecerá US$ 2 milhões em assistência emergencial.

Extensão da devastação ainda é incerta

Até agora, a maioria das informações vem de Mandalay (próxima ao epicentro) e Naypyitaw (cerca de 270 km ao norte de Mandalay). Muitas áreas estão sem energia elétrica, telefone ou conexões móveis, além de serem de difícil acesso por estrada. No entanto, novos relatos começam a surgir.

No município de Singu, cerca de 65 km ao norte de Mandalay, 27 mineiros de uma mina de ouro morreram devido ao desmoronamento de uma caverna, segundo a Democratic Voice of Burma.

Na região do Lago Inle, a nordeste da capital, muitas pessoas morreram quando casas construídas sobre estacas na água colapsaram durante o terremoto, segundo o jornal Global New Light of Myanmar, que não forneceu números exatos.

Em outra categoria

Pesquisa do instituto Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 3, mostra que 44% dos eleitores brasileiros têm medo do retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Por outro lado, 41% dizem ter receio de uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de 2026.

Outros 6% disseram que têm medo dos dois cenários e 4% afirmam que não possuem receio de nenhuma hipótese. Outros 5% não souberam ou não responderam.

A Genial/Quaest fez entrevistas presenciais com 2.004 eleitores de 120 municípios entre os dias 27 e 31 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o índice de confiabilidade é de 95%.

O levantamento do instituto também mostrou que Lula lidera cenários de segundo turno contra todos os potenciais candidatos da direita para a eleição de 2026.

Se voltarem a se enfrentar, como no segundo turno da eleição de 2022, Lula tem 44% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro aparece com 40%. Como a margem de erro é de dois pontos porcentuais, os dois estão empatados no limite da margem de erro. Outros 3% estão indecisos e 13% disseram que pretendem votar em branco ou nulo, ou se ausentar do pleito.

Os que se declaram "lulistas" são 19%, enquanto 12% se enquadram como "bolsonaristas". Outros 12% disseram ser de esquerda, mas não lulistas, e 21% afirmaram que se identificam com a direita, mas sem serem bolsonaristas. Segundo a pesquisa, 30% dos brasileiros se identificam como "antipetistas".

A Câmara Municipal de São José do Rio Preto (SP) aprovou um projeto de lei nesta quarta-feira, 2, que obriga os alunos a rezarem o Pai-Nosso nas escolas públicas e privadas do município. A proposta foi apresentada pelo presidente da Casa, vereador Luciano Julião (PL), e prevê que a oração ocorra ao menos uma vez por semana durante o ano letivo. O texto foi aprovado por 18 votos a 4.

A proposta foi encaminhada para a sanção do prefeito Coronel Fábio Cândido (PL). Em sua conta no Instagram, o chefe do Executivo compartilhou uma publicação que afirma que o projeto de lei terá sua aprovação. A reportagem procurou a prefeitura e aguarda resposta.

O parlamentar afirmou que a proposta tem como objetivo "promover valores fundamentais que são essenciais para a formação moral e ética dos estudantes". De acordo com o texto, cada escola poderá definir o dia e horário da prática, respeitando sua rotina interna. O vereador justificou o projeto afirmando que a oração "direciona crianças e jovens no caminho do bem e dos ensinamentos de Deus".

A participação, no entanto, não será obrigatória: estudantes que não quiserem participar poderão ser dispensados, mediante apresentação de declaração assinada pelos responsáveis no início do ano letivo.

"A prática da oração pode contribuir para o desenvolvimento espiritual dos alunos, promovendo momentos de reflexão e introspecção" além de promover "integração de alunos e professores, ressaltando a importância da amizade, respeito, solidariedade e união", escreveu o vereador.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta quarta-feira, 2, a prisão preventiva de Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo dos três filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A defesa confirmou que ele está na Argentina e que formalizou um pedido de refúgio no país. O STF deve pedir sua extradição.

Léo Índio é réu por participação nos atos golpistas de 8 de Janeiro. Ele teve os passaportes cancelados no processo como medida cautelar para impedir uma possível fuga, mas o documento não é necessário para cruzar fronteiras entre países do Mercosul.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi a favor da prisão. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou em parecer enviado ao STF, que "ao se evadir para a Argentina, Leonardo Rodrigues de Jesus deliberadamente descumpriu medida cautelar alternativa à prisão, a evidenciar sua insuficiência, o descaso com a aplicação da lei penal e desrespeito às decisões emanadas pelo Supremo Tribunal Federal".

"A transgressão de tal medida por Leonardo Rodrigues de Jesus, além de injustificada, é causa hábil a autorizar o estabelecimento de sua custódia preventiva", defendeu Gonet.

Leo Índio responde por cinco crimes:

- associação criminosa armada;

- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

- golpe de Estado;

- dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima;

- deterioração de patrimônio tombado.

Na semana passada, o STF negou um recurso da defesa de Léo Índio e manteve a decisão que recebeu a denúncia contra ele e o tornou réu por participação nos atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes.