Temos que encorajar Israel a não retaliar contra o Irã, diz presidente do Conselho Europeu

Internacional
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O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse nesta quinta-feira, 18, que a União Europeia está enviando ao Irã uma mensagem "extremamente clara" com a introdução de novas sanções. Em conferência de imprensa após reunião extraordinário do Conselho Europeu, o belga afirmou: "achamos que é importante isolar o Irã politicamente e diplomaticamente, porque o Irã não é apenas uma ameaça à segurança israelense, é uma ameaça à segurança regional". Segundo ele, é por isso que acreditamos que temos de encorajar todas as partes interessadas, incluindo Israel, a não reagir, a não retaliar".

O encontro teve forte componente econômico. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também presente no encontro, afirmou: "o desemprego está em mínimas históricas, e a inflação está no caminho da meta de 2%, nosso objetivo é aproveitar isso e tornar crescimento sustentável".

O antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta apelou hoje aos líderes da União Europeia "não perderem tempo", após medidas sugeridas por ele em relatório para fortalecer o mercado interno, lembrando o fosso "cada vez maior" com os Estados Unidos.

Michel disse que os líderes fizeram "progressos substanciais" na união dos mercados de capitais, elogiando as conclusões da reunião como "extremamente importantes". "Essa ideia de aprofundar o mercado de capitais está em cima da mesa há 10 anos. E fizemos progressos substanciais", afirmou. O parágrafo sobre supervisão é "muito mais preciso" e mostra "a vontade dos chefes de Estado de serem muito precisos quando se trata de definir a próxima fase", disse. "Este foi o ponto mais importante que discutimos", disse Michel. Embora tenha reconhecido que havia "diferentes pontos de partida sobre como mobilizar recursos", as conclusões são "extremamente importantes", concluiu.

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A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com um recurso nesta sexta-feira, 4, contra a decisão da 17ª Vara Federal de Brasília que condenou o governo federal a pagar uma indenização ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por danos morais após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusá-los de sumir com os móveis do Palácio do Planalto.

A AGU alegou que as declarações do petista ocorreram "no contexto do exercício de sua função constitucional e com o objetivo de resguardar o patrimônio público". O órgão afirmou ainda que "por se tratar de uso, conservação e posse de bens públicos, faz-se necessária toda publicidade a inconsistências eventualmente verificadas".

As declarações de Lula e da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, foram feitas no início de 2023, logo após a posse. À época, o casal alegou que o Palácio da Alvorada estava em mau estado de conservação e que diversos objetos teriam desaparecido após a saída de Bolsonaro e Michelle.

Dez meses depois, os 261 itens inicialmente dados como ausentes foram localizados dentro da própria residência oficial. Antes da descoberta, o casal presidencial comprou peças de luxo, justificando a aquisição pela ausência dos objetos

No recurso, a AGU alegou que "foi relatado, simplesmente, o mau estado de conservação de móveis e do ambiente, além da não localização de inúmeros itens, fato constatado pela equipe inventariante ainda sob a gestão do governo anterior".

A AGU também sustentou que "em nenhum momento, a ação proposta apontou, concretamente, uma fala do atual presidente da República por meio da qual ele imputaria diretamente aos autores qualquer conduta criminosa".

Em viagem à Aldeia Piaraçu no Parque do Xingu, no Mato Grosso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi cobrado nesta sexta-feira, 4, pelo cacique Raoni Metuktire sobre apontar um sucessor que continue o "trabalho de proteger os povos indígenas".

No encontro, a liderança indígena destacou que convidou Lula três vezes antes para que ele fosse visitar o território, na Bacia do Rio Xingu, e disse não querer "entrar em contradição" com o presidente.

"Quero pedir ao senhor para pensar no seu sucessor, que tem que ser o próximo presidente da República, para continuar seu trabalho de proteger os povos indígenas e o nosso território", disse em discurso traduzido por um intérprete.

Raoni também advertiu Lula sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, deixando claro que é contra a atividade. "Estou sabendo que lá na foz do rio Amazonas, o senhor está pensando no petróleo debaixo do mar. Penso que não. Essas coisas, na forma que estão, garantem que a gente tenha o meio ambiente e a terra com menos poluição e aquecimento."

No encontro, o presidente concedeu a Ordem Nacional do Mérito no grau Grã-Cruz ao líder indígena, "em razão dos relevantes serviços prestados em defesa dos direitos dos povos indígenas, da Floresta Amazônica e do meio ambiente", segundo consta de decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU).

Lula disse que o dia era de homenagem, mas também de "escuta para encaminhamento das soluções". "Sabemos que há muito a ser feito, mas nossas políticas convergem no sentido de assegurar integralmente os direitos indígenas", afirmou.

O cacique fez parte do grupo de pessoas que subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado do presidente na posse do terceiro mandato dele na Presidência.

Lula foi ao território indígena acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e dos ministros Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária; Marina Silva, do Meio Ambiente; Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas. Segundo o Planalto, a ideia é a comitiva ouvir as demandas locais sobre a ampliação de programas para os povos indígenas do Xingu.

Em evento em que anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e mandou recados indiretos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda que sem citá-lo.

No discurso que encerrou o evento, Ronaldo Caiado afirmou que o governo tem atitude de gente "incompetente e que não gosta de trabalhar", ao repassar aos Estados as responsabilidades pelos problemas. "Lula, você não dá conta de governar", afirmou. Em outra crítica ao governo federal, ele afirmou que a ministra Gleisi Hoffmann foi escolhida para uma tarefa que "reconhecidamente", ela não conseguiria desempenhar: "A única coisa que ela não sabe é articular. É um elefante na casa de louça", criticou.

Ele também deu recados que o diferenciam do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora sem citar o político do PL. "(Vou exercer) a Presidência da República na sua plena prerrogativa de presidente, com a liturgia de presidente da República, sabendo conviver com os demais Poderes, mas cada um dentro do seu limite e cada um sabendo que os Poderes são autônomos, mas os Poderes têm que ser harmônicos e que não cabe enfrentamento de Poderes na hora que nós queremos construir a paz em nosso país", disse ele.

Antes, afirmou que é "desencabrestado". "Não sou candidato de bolso de colete, nem candidato de barra de saia de ninguém não. Eu sou candidato e eu vou pro povo. Eu vou debater. Quando ninguém tinha coragem de defender direito de propriedade era o Caiado lutando com 36 anos de idade nesse Brasil", disse.

Bolsonaro tem desautorizado o lançamento de outros nomes da direita, afirmando que é o candidato do campo para 2026, mesmo estando inelegível por duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante seu mandato no Palácio do Planalto, viveu fortes enfrentamentos com o Legislativo e, especialmente, com o Judiciário, que acusa até hoje de ter tido papel preponderante para sua derrota em 2022. Atualmente, é réu sob a acusação de tramar um golpe de Estado ao não aceitar o resultado da disputa eleitoral.