Netanyahu desafia Biden e ameaça atacar Rafah sem apoio dos EUA

Internacional
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, criticou ontem os EUA e afirmou que seu país lutará sozinho, se for necessário, na guerra contra o Hamas. O tom desafiador foi adotado depois que o presidente americano, Joe Biden, suspendeu o envio de armas para o Exército israelense por preocupações com o ataque a Rafah, no sul de Gaza, onde mais de 1 milhão de palestinos estão refugiados.

 

Israel diz que Rafah é o último reduto do Hamas, por isso Netanyahu vem repetindo a promessa de invadir a cidade, apesar dos apelos de aliados. "Se tivermos de ficar sozinhos, ficaremos", afirmou. "Se precisarmos, lutaremos com as unhas. Mas temos muito mais do que unhas."

 

O porta-voz do Exército, Daniel Hagari, disse ontem que Israel tem munição suficiente para atacar Rafah, sem depender da ajuda americana. "Temos os armamentos para as missões que planejamos", disse. "Temos inclusive para a operação em Rafah."

 

AMEAÇAS

 

Membros do gabinete do premiê se dividiram entre lamentos e críticas à ameaça de Biden de reter o envio de 3,5 mil bombas a Israel. Na quarta-feira, o presidente americano disse que ampliaria o embargo de armas, caso Netanyahu insistisse em atacar Rafah.

 

O embaixador israelense na ONU, Gilad Erdan, afirmou ontem que a suspensão do envio das bombas e a advertência de Biden fortalecem o Hamas. "Qualquer pressão sobre Israel ou restrição que seja imposta, inclusive por aliados preocupados com nossos interesses, são interpretadas por nossos inimigos como algo que lhes dá esperança", disse.

 

A ala mais radical do governo israelense optou por declarações mais ácidas contra Biden. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, escreveu no X (ex-Twitter): "Hamas ama Biden". O comentário foi condenado pelo presidente de Israel, o moderado Isaac Herzog, que o chamou de "irresponsável".

 

"Esse comentário pode ferir os interesses da segurança nacional de Israel. São sem fundamento, irresponsáveis e insultos. Mesmo quando há momentos de discussão e desapontamento entre amigos e aliados, há outros caminhos para superar nossas diferenças", disse Herzog - um reflexo do temor generalizado dos centristas de que o afastamento de Israel e EUA pode significar um desastre militar e diplomático.

 

Nadav Eyal, colunista do jornal Yedioth Ahronoth, classificou a decisão dos EUA como "o conflito mais sério" entre um governo americano e israelense desde a primeira guerra do Líbano, em 1982, quando o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, suspendeu a entrega de munições a Israel.

 

FOGO CRUZADO

 

Ontem, Biden recebeu críticas de todos os lados pela decisão de vetar a entrega das bombas a Israel - de republicanos e de democratas descontentes com a medida. Donald Trump, rival nas eleições presidenciais de novembro, chamou a abordagem da Casa Branca de "trágica".

 

O deputado democrata Jared Moskowitz afirmou que a decisão de Biden tira a pressão para que o Hamas aceite um acordo para libertar os reféns israelenses. "Suspender a entrega de armas não ajuda a chegar a um cessar-fogo, porque mostra ao Hamas que não precisamos de pressa, que não há pressão", afirmou.

 

No meio do fogo cruzado, o governo dos EUA tentou ontem esclarecer sua posição. John Kirby, porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, negou que Biden esteja prejudicando Israel e advertiu que atacar Rafah não resolve o problema. "A derrota do Hamas continua sendo o objetivo israelense, do qual compartilhamos", disse. "Mas invadir Rafah não ajuda a cumprir esse objetivo." (Com agências internacionais)

 

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em outra categoria

Em viagem à Aldeia Piaraçu no Parque do Xingu, no Mato Grosso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi cobrado nesta sexta-feira, 4, pelo cacique Raoni Metuktire sobre apontar um sucessor que continue o "trabalho de proteger os povos indígenas".

No encontro, a liderança indígena destacou que convidou Lula três vezes antes para que ele fosse visitar o território, na Bacia do Rio Xingu, e disse não querer "entrar em contradição" com o presidente.

"Quero pedir ao senhor para pensar no seu sucessor, que tem que ser o próximo presidente da República, para continuar seu trabalho de proteger os povos indígenas e o nosso território", disse em discurso traduzido por um intérprete.

Raoni também advertiu Lula sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, deixando claro que é contra a atividade. "Estou sabendo que lá na foz do rio Amazonas, o senhor está pensando no petróleo debaixo do mar. Penso que não. Essas coisas, na forma que estão, garantem que a gente tenha o meio ambiente e a terra com menos poluição e aquecimento."

No encontro, o presidente concedeu a Ordem Nacional do Mérito no grau Grã-Cruz ao líder indígena, "em razão dos relevantes serviços prestados em defesa dos direitos dos povos indígenas, da Floresta Amazônica e do meio ambiente", segundo consta de decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU).

Lula disse que o dia era de homenagem, mas também de "escuta para encaminhamento das soluções". "Sabemos que há muito a ser feito, mas nossas políticas convergem no sentido de assegurar integralmente os direitos indígenas", afirmou.

O cacique fez parte do grupo de pessoas que subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado do presidente na posse do terceiro mandato dele na Presidência.

Lula foi ao território indígena acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e dos ministros Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária; Marina Silva, do Meio Ambiente; Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas. Segundo o Planalto, a ideia é a comitiva ouvir as demandas locais sobre a ampliação de programas para os povos indígenas do Xingu.

Em evento em que anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e mandou recados indiretos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda que sem citá-lo.

No discurso que encerrou o evento, Ronaldo Caiado afirmou que o governo tem atitude de gente "incompetente e que não gosta de trabalhar", ao repassar aos Estados as responsabilidades pelos problemas. "Lula, você não dá conta de governar", afirmou. Em outra crítica ao governo federal, ele afirmou que a ministra Gleisi Hoffmann foi escolhida para uma tarefa que "reconhecidamente", ela não conseguiria desempenhar: "A única coisa que ela não sabe é articular. É um elefante na casa de louça", criticou.

Ele também deu recados que o diferenciam do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora sem citar o político do PL. "(Vou exercer) a Presidência da República na sua plena prerrogativa de presidente, com a liturgia de presidente da República, sabendo conviver com os demais Poderes, mas cada um dentro do seu limite e cada um sabendo que os Poderes são autônomos, mas os Poderes têm que ser harmônicos e que não cabe enfrentamento de Poderes na hora que nós queremos construir a paz em nosso país", disse ele.

Antes, afirmou que é "desencabrestado". "Não sou candidato de bolso de colete, nem candidato de barra de saia de ninguém não. Eu sou candidato e eu vou pro povo. Eu vou debater. Quando ninguém tinha coragem de defender direito de propriedade era o Caiado lutando com 36 anos de idade nesse Brasil", disse.

Bolsonaro tem desautorizado o lançamento de outros nomes da direita, afirmando que é o candidato do campo para 2026, mesmo estando inelegível por duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante seu mandato no Palácio do Planalto, viveu fortes enfrentamentos com o Legislativo e, especialmente, com o Judiciário, que acusa até hoje de ter tido papel preponderante para sua derrota em 2022. Atualmente, é réu sob a acusação de tramar um golpe de Estado ao não aceitar o resultado da disputa eleitoral.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin votou, nesta sexta-feira, 4, contra os recursos apresentados pelas defesas de três parlamentares do PL e manteve a decisão da Corte que recebeu a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os deputados são acusados de desviar emendas parlamentares.

Os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e o suplente Bosco Costa (PL-SE) se tornaram réus após decisão tomada pela Primeira Turma do STF no início de março. As defesas negam as acusações.

Os ministros agora analisam, em sessão virtual, os embargos de declaração apresentados pelas defesas. O julgamento vai até a próxima sexta-feira, 11.

Nos recursos, os advogados alegam que a Corte foi omissa. O argumento foi rejeitado por Zanin, que afirmou que "os embargantes, usando como justificativa o saneamento de supostas omissões, buscam apenas a rediscussão da matéria, o que a jurisprudência do STF não admite".

Ao votar pelo recebimento da denúncia no último mês, Zanin havia destacado que há "consideráveis indícios de autoria e materialidade" que justificam a abertura da ação penal.

"Contra os três parlamentares há evidências produzidas ao longo da investigação criminal indicando que teriam atuado em concertação ilícita para solicitar ao prefeito José Eudes Sampaio Nunes o pagamento de vantagem indevida, o que caracteriza, em tese, o delito de corrupção passiva", afirmou o relator na época.

De acordo com a denúncia da PGR, os parlamentares exigiram propina de 25% sobre o valor de emendas destinadas ao município de São José de Ribamar (MA). O montante solicitado chegaria a R$ 1,66 milhão, em troca da liberação de R$ 6,67 milhões em recursos públicos. O ex-prefeito de São José de Ribamar, no Maranhão, José Eudes Sampaio Nunes, relatou ter sofrido cobranças e intimidações para viabilizar o repasse. As defesas dos acusados negam as acusações.