Rússia bombardeia e tenta avançar no norte da Ucrânia em nova frente de batalha na guerra

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A Ucrânia enviou reforços para sua fronteira norte nesta sexta-feira, 10, depois que forças russas tentaram romper as linhas ucranianas em vários ataques à cidade de Kharkiv, aplicando nova pressão sobre tropas já esticadas ao longo da fronteira com a Rússia. O ataque forçou as autoridades ucranianas a iniciarem uma retirada dos cerca de 3 mil civis da região, muitos que haviam retornado depois da bem-sucedida contraofensiva ucraniana em 2022.

As autoridades ucranianas já esperavam algum tipo de mudança tática por parte dos russos, que continuam pressionando e obtendo avanços nas frentes sul e leste do país, especialmente na região do Donbas. Uma frente tão intensa em Kharkiv, no entanto, não era uma certeza, já que se trata da segunda maior cidade ucraniana para um Exército russo igualmente impactado por uma guerra que já se arrasta há mais de dois anos.

Intensos bombardeios durante a madrugada visaram a cidade de Vovchansk, na região de Kharkiv e a menos de 5 km da fronteira com a Rússia, disse o governador regional, Oleh Syniehubov. O ataque matou pelo menos um civil e feriu outros cinco, levando as autoridades a começarem a retirada de civis.

Ao amanhecer, a infantaria russa tentou avançar nas defesas ucranianas perto de Vovchansk, disse o Ministério da Defesa ucraniano, acrescentando que havia mobilizado unidades de reserva para repelir o ataque. "Até agora, esses ataques foram repelidos e batalhas de intensidade variável estão em andamento", disse o ministério.

O presidente Volodmir Zelenski, durante uma coletiva em Kiev com sua contraparte eslovaca, Zuzana Caputova, disse que as forças russas encontraram "nossas tropas, brigadas e artilharia", acrescentando: "Há uma batalha feroz nesta direção - nós os enfrentamos com fogo."

Os combates continuavam na tarde desta sexta. As forças ucranianas estão severamente esgotadas e com uma grave falta de munição em toda a frente, e era incerto o tipo de resistência que poderiam oferecer contra um avanço russo sustentado, caso ocorresse.

Objetivo incerto

A amplitude e a intenção do avanço russo ao longo da fronteira permanecem incertas. Analistas militares disseram que a Rússia pode estar tentando forçar a Ucrânia a gastar recursos valiosos na defesa da região justo no momento em que os assaltos russos no leste da Ucrânia estão se intensificando.

Oficiais ucranianos e analistas militares ocidentais disseram que Moscou provavelmente carece do poder de combate para capturar Kharkiv. Um oficial militar sênior dos EUA descreveu os novos avanços russos mais como sondagens do que uma pressão completa, mas reconheceu que a "névoa da guerra" ali tornava a situação incerta.

"Os ataques transfronteiriços iniciais parecem ser principalmente de infantaria e podem não ser o principal esforço russo," disse Michael Kofman, um pesquisador sênior no programa da Rússia e Eurásia no Carnegie Endowment for International Peace em Washington. Ele adicionou que o ataque era "mais provável de servir como um esforço de fixação, tensionando a defesa ucraniana que já sofre com a falta de pessoal." Forçar as autoridades ucranianas a retirar civis também causaria distúrbios e desviaria recursos.

Oficiais russos não comentam

Blogueiros militares russos disseram que a tentativa de avanço poderia marcar o início de uma tentativa russa de criar uma "zona de amortecimento" que o presidente Vladimir Putin prometeu estabelecer no início deste ano para interromper frequentes ataques ucranianos a Belgorod e outras regiões de fronteira russas.

A Ucrânia havia dito anteriormente que estava ciente de que a Rússia estava reunindo milhares de tropas ao longo da fronteira nordeste, perto das regiões de Kharkiv e Sumy. Embora a mais recente ofensiva terrestre da Rússia tenha se concentrado em partes do leste da Ucrânia mais ao sul, oficiais de inteligência ucranianos disseram que também esperavam um ataque no nordeste.

O Exército russo também pode tentar cortar as principais rotas de abastecimento na área e tentar bloquear Kharkiv, que é lar de aproximadamente 1,1 milhão de pessoas e fica a apenas cerca de 30 quilômetros ao sul da fronteira.

As forças do Kremlin estão buscando explorar as a escassez de munição e pessoal da Ucrânia após o fluxo de ajuda militar do Ocidente a Kiev ter diminuído nos últimos meses e antes que o novo suporte prometido chegue.

O exército ucraniano está na defensiva ao longo da linha de frente de aproximadamente 1.000 km e está se apressando para construir linhas defensivas fortificadas antes do que os oficiais acreditam que será uma ofensiva russa maior. As forças ucranianas estão em desvantagem em infantaria, blindados e munição.

Avanço russo

Não está claro se a Rússia capturou algum território. Um comandante ucraniano sênior disse que as forças de Kiev pararam uma incursão russa na direção de uma vila chamada Liptsi, a menos de um 1,5 km da fronteira na região de Kharkiv. Essa área agora era considerada uma zona cinzenta, significando que o combate era tão intenso e a situação tão fluida que era impossível dizer quem tinha controle sobre a terra.

A administração regional de Kharkiv instou as pessoas das vilas próximas à fronteira a saírem. Algumas, como Vovchansk, que já foi muito bombardeada durante a guerra, estão quase vazias há meses.

"Atualmente estamos evacuando pessoas do hospital," disse um médico no hospital em Vovchansk que pediu que seu nome não fosse usado porque temia por sua segurança. "Eles estão atingindo muito forte e destruindo tudo."

Ele disse que os soldados ucranianos pareciam estar prevenindo um avanço para a cidade, mas que os russos estavam atacando com tudo, incluindo tanques, veículos de combate blindados e aviões de guerra. Muitas das pequenas vilas nas regiões de fronteira têm sido esvaziadas há meses à medida que o bombardeio se intensificava, e os oficiais ucranianos disseram na sexta-feira que esses esforços estavam continuando.

Forças russas falharam em tomar Kharkiv nas primeiras semanas da guerra e foram quase completamente expulsas da região numa contraofensiva ucraniana no fim de 2022. Centenas de milhares de pessoas que fugiram da cidade voltaram para suas casas e começaram a reconstruir suas vidas.

O ousado contra-ataque ajudou a convencer os países ocidentais de que a Ucrânia poderia derrotar a Rússia no campo de batalha e merecia apoio militar.

Mas, nos últimos meses, a Rússia intensificou o bombardeio da cidade, visando-a quase diariamente com mísseis, drones e poderosas bombas guiadas que têm como alvo a infraestrutura energética, indústrias que desempenham um papel importante na produção de armas e bairros residenciais. (Com agências internacionais)

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O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas se reúne no final da manhã deste domingo, 6, com o ex-presidente Jair Bolsonaro e governadores que participarão à tarde de ato na Avenida Paulista. O encontro será no Palácio dos Bandeirantes. Os opositores ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva organizaram uma manifestação em defesa do projeto de anistia aos condenados por envolvimento nos ataques de 8 de Janeiro.

Segundo os organizadores do protesto, 116 autoridades entre governadores, senadores, deputados e vereadores confirmaram presença. Na lista dos confirmados estão os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Jorginho Melo (Santa Catarina) e Romeu Zema (MG). Tarcísio usou as redes sociais para postar uma foto ao lado de Bolsonaro: "Daqui a pouco, juntos na Paulista!", escreveu.

Veja lista dos governadores que confirmaram presença, segundo os organizadores:

Governador Tarcísio de Freitas - SP

Governador Jorginho Melo - SC

Governador Zema - MG

Governador Wilson Lima - AM

Governador Ratinho Júnior - PR

Governador Ronaldo Caiado - GO

Vice Governadora Celina Leão - DF

O governador do Rio, Cláudio Castro cancelou sua participação e divulgou isso nas redes sociais. Disse que ficaria no Estado por conta das chuvas fortes. "Eu já estava programado, mas por causa de todo o acontecido no Rio, não tenho como sair nesse momento", disse em vídeo. Na gravação, ele defendeu a anistia.

Manifestantes já estão na Paulista

Os manifestantes do ato pró-anistia já começaram a chegar na Avenida Paulista na manhã deste domingo. Eles se aglomeram ao redor do carro de som, posicionado na esquina com a Rua Peixoto Gomite.

Bolsonaristas mostram que o principal mote do protesto é pressionar pela aprovação do projeto de lei que anistia os condenados e presos pelo ato golpista do dia 8 de janeiro de 2023. Cartazes com o rosto de alguns dos detidos foram pendurados pela avenida.

Um dos símbolos mais explorados da manifestação é o batom, presente em faixas de protestos contra a prisão da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que usou o cosmético para pichar "Perdeu, Mané" a estátua da Justiça, em Brasília. Depois de dois anos detida, ela teve a prisão convertida em domiciliar no final de março.

O cosmético também foi trazido por manifestantes e uma representação de um batom inflável foi erguido e posicionado ao lado do carro de som onde os apoiadores bolsonaristas e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve discursar mais tarde.

Próximo ao trio principal, há fotos de pessoas que os bolsonaristas consideram perseguidas pelo Judiciário brasileiro, como Oswaldo Eustáquio, Paulo Figueiredo Filho e o ex-deputado Daniel Silveira. O tenente-coronel Mauro Cid, que delatou o papel de Bolsonaro na trama golpista, também está representado: "Arrested and pursued" (preso e perseguido), diz a inscrição abaixo de sua imagem.

Quase metade dos brasileiros enxerga participação do ex-presidente Jair Bolsonaro nos planos da tentativa de golpe contra o governo Lula em 2022. Segundo pesquisa da Genial/Quaest, 49% veem envolvimento, e 35% não. Outros 15% não souberam ou não quiseram responder.

Em relação ao levantamento feito em dezembro de 2025, houve alta de 1 ponto porcentual em ambas as respostas. À época,48% acreditavam que Bolsonaro teve participação nos planos, enquanto 34% apontavam que não.

Mais da metade dos entrevistados (52%) considera justa a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar Bolsonaro réu. Já 36% acha a decisão injusta, enquanto 12% não sabem ou não responderam.

A Genial/Quaest perguntou também a opinião sobre uma possível prisão de Bolsonaro. São 46% os que acham que o ex-presidente será preso - 43% acreditam que não.

Para o levantamento, a Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 27 e 31 de março. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

Mais da metade dos brasileiros é contra a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, aponta pesquisa realizada pela Genial/Quaest divulgada hoje. O levantamento mostra que 56% dos entrevistados são a favor de que os presos no episódio sigam detidos e cumpram suas penas. Os favoráveis à soltura totalizam 34%.

Dos que não são a favor das prisões, 18% acham que os presos nem deveriam ter sido detidos. Já 16% acham que as pessoas devem ser soltas porque já estão presas por tempo demais. Outros 10% não souberam ou não quiseram responder ao tópico.

A opinião fica mais exacerbada conforme a opção eleitoral dos entrevistados no último pleito. Entre quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022, 77% considera que os envolvidos nas invasões na capital federal devem seguir presos. Já os que votaram em Jair Bolsonaro e são contrários a uma anistia totalizam 32%.