Lula incentiva militância do PT a lançar candidaturas, mas ressalta importância de alianças

Política
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incentivou, em evento do PT sobre as eleições municipais do ano que vem, que os militantes petistas lancem suas candidaturas em 2024, mas que também saibam o momento de se aliarem com siglas de esquerda e de centro para serem competitivos.

Em um discurso que misturou incentivos e críticas construtivas aos aliados, Lula primeiro disse que as candidaturas são importantes mesmo quando as chances de ganhar são pequenas.

"As eleições municipais vão servir para a gente aprender a discutir na cidade. A gente tem condições de ter candidato a prefeito? Não precisa ter condições de ganhar. Candidatura não é importante só quando ganha. Pode fazer candidatura, perder e construir base para vitória no ano seguinte, mas é preciso que tenha coragem de escolher o melhor", afirmou, completando, em seguida: "Não pode ser briguinha interna do PT, tem que ser aquele que vai melhor defender o partido".

Depois, Lula adotou um tom mais pragmático. Defendeu que cada correligionário defina, a depender das situações locais, se é melhor fazer uma aliança para serem competitivos.

"Se a gente não tiver condições de ter uma candidatura competitiva, que possa olhar o nosso partido durante a campanha e procurar aliados para fazer acordo. Se não tem candidato, tem que apoiar o cara mais próximo de nós, disposto a construir uma linha programática junto conosco. A gente pode fazer as pessoas assumirem compromissos. A gente tem que fazer acordo com pessoas de esquerda", afirmou.

Segundo Lula, as realidades locais têm de ser analisadas pelos líderes municipais. "Não é o presidente da República que vai saber o que está acontecendo", disse.

O presidente defendeu, ainda, a escolha da deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) como presidente do PT. Disse que, no momento em que ela assumiu, em 2017, era preciso "falar para dentro", referindo-se à militância petista.

"Quando ela foi candidata a presidente, muita gente dizia que ela não podia ser candidata, que ela só fala para dentro e não fala para fora. Eu dizia que precisamos de alguém que fala para dentro, alguém que o PT respeite, goste, que trabalhe para o PT. Hoje posso dizer: graças a Deus você é a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores", disse Lula.

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A chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta quinta-feira, 3, que a Rússia será uma "ameaça de longo prazo" e reforçou que a única forma de evitar uma guerra ainda maior no continente europeu é a UE se preparar.

Durante coletiva de imprensa após reunião entre ministros da Defesa da UE, Kallas pontuou que o bloco econômico possui "muitas ferramentas à disposição" para pressionar os russos a encerrar o conflito com a Ucrânia, e mencionou a possibilidade de ampliar sanções contra o país liderado por Vladimir Putin como um dos caminhos.

"Podemos aumentar o financiamento de armas ou o treinamento de soldados para a Ucrânia", destacou, também para impor pressão à Rússia. "Todos concordamos que nós precisamos aumentar o nosso apoio à Ucrânia para a guerra terminar", disse Kallas.

A chefe de Relações Exteriores da UE pontuou que o bloco aumentará investimentos em tecnologias militares, drones, inteligência artificial e cibersegurança. "Aumentar nossa capacidade melhorará nossa aliança. Vamos ter uma sessão exclusiva amanhã sobre defesa. Os desafios de segurança hoje são muito grandes para qualquer país lidar sozinho", destacou. Kallas mencionou que a França deve investir cerca de 2 bilhões de euros e a Alemanha outros 12 bilhões de euros, mas ressaltou que deixará cada país fazer seu próprio anúncio de investimentos à Ucrânia.

A mensagem de comprometimento dos Estados Unidos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é "positiva", segundo a chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas. Durante coletiva de imprensa após reunião entre ministros da Defesa do bloco europeu nesta quinta-feira, 3, ela pontuou que o pedido dos americanos para que a aliança militar amplie seus gastos com defesa "é de longa data".

"Os países da Otan estão trabalhando no aumento de gastos. Mas é importante que a Europa faça mais" do que já vem fazendo, reforçou Kallas. Para ela, é preciso trabalhar mais para "ter independência em defesa, incluindo em satélites", destacou, dizendo que as habilidades de defesa do continente europeu têm "bastante relação" com sistemas de satélites.

Kallas elogiou a fala do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que os EUA não planejam sair da Otan e disse que o país é "um forte aliado". "EUA têm sido bem claros" sobre a necessidade de aumento de gastos com defesa do continente europeu, "e nós ouvimos essa mensagem".

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha reforçado a aliados que Elon Musk, chefe do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês), deve se afastar nas próximas semanas, como publicado mais cedo pelo Politico. "Trump já disse publicamente que Elon deixará o serviço público depois de terminar seu incrível trabalho no Doge", escreveu Leavitt no X.

Mais cedo, uma pesquisa apontou que 58% dos entrevistados desaprovam a gestão de Musk à frente do Doge, enquanto 41% a aprovam - a menor taxa registrada desde o início do novo mandato de Trump.

O próprio Musk já havia afirmado que suas empresas estavam "sofrendo" por sua presença no governo, referindo-se aos ataques contra a Tesla e à queda das ações da companhia. O bilionário também mencionou que esperava concluir os cortes no Doge até o fim de maio.