Bolsonaro e Marinho participam de teste de comportas no Rio São Francisco em PE

Política
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O presidente Jair Bolsonaro participou nesta sexta-feira, 19, dos testes iniciais do acionamento das comportas do primeiro trecho do Ramal do Agreste, em Sertânia, no Estado de Pernambuco. As obras fazem parte do Eixo Leste do projeto de integração do Rio São Francisco.

O chefe do Executivo apertou o botão para o acionamento das comportas do Reservatório Barro Branco, da adutora do Agreste. Em suas redes sociais, o presidente afirmou que nesta fase da transposição 1,4 milhão de pernambucanos serão atendidos. "É sempre motivo de muita alegria visitar o nosso Nordeste", comentou Bolsonaro no evento. "Água é vida. Para este povo sofrido do nosso Nordeste isso é mais do que ganhar na Mega-Sena. A água não tem preço", disse.

O presidente estava acompanhado dos ministros Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, Gilson Machado, do Turismo, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, além do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

Marinho afirmou que a obra era apenas mais uma dentre o "cemitério de obras inacabadas, discursos, palavras e recursos desperdiçados" no Brasil. Iniciada no governo Lula, a não finalização da Transposição do Rio São Francisco, segundo o ministro, é resultado de "falta de foco, vontade política e determinação". "Mas agora, senhor Presidente, estamos dentro de um ministério tendo todo apoio, tendo toda a estrutura, tendo toda a condição para fazermos o que é de sua determinação para trazermos para o Nordeste segurança hídrica".

Segundo Marinho, até o final deste ano, a obra irá chegar ao Rio Grande do Norte e será finalizado o Eixo Leste. "O que esse governo fez vai permitir que pelo menos dois terços do semiárido nordestino, onde moram mais de 20 milhões de irmãos brasileiros, tenham respeito e dignidade", afirmou.

Bezerra apontou que a obra tem "grande importância para a segurança do País e para o nosso Estado". O senador celebrou os testes iniciais e disse que estará ao lado de Bolsonaro no Congresso para a viabilização de outras obras para o Estado. Por fim, Bezerra afirmou que é uma "honra" ser o líder do governo de Bolsonaro no Senado.

Em outubro do ano passado, Bolsonaro já havia visitado as obras do Ramal do Agreste, em Sertânia. Na viagem, ele também inaugurou nova etapa de obras do Sistema Adutor do Pajeú, em São José do Egito (PE).

Após o evento, o presidente fez uma parada não prevista no município de Boqueirão, na Paraíba. No local, contrariando normas sanitárias, a presença de Bolsonaro causou aglomeração. O chefe do Executivo deve retornar a Brasília nesta tarde. A previsão de chegada à capital é às 16h30.

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O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, buscou tranquilizar os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) antes de uma reunião com chanceleres dos países da aliança de defesa nesta quinta-feira, 3, em Bruxelas (Bélgica). Rubio afirmou que existe muita "histeria" na imprensa sobre as reais intenções do presidente americano Donald Trump em relação à Otan e Washington está comprometido com a aliança.

"Parte da histeria e hipérbole que vejo na mídia global e em alguns meios nacionais nos Estados Unidos sobre a Otan é injustificável", disse Rubio. O secretário de Estado apontou que Trump apoia a Otan. "Vamos continuar na aliança, mas queremos que a Otan seja mais forte, que seja mais viável", afirmou o chefe da diplomacia americana.

Por isso, Rubio apontou que seu país espera que a reunião permita identificar um "caminho realista" para que todos os países da aliança se comprometam a destinar 5% de seu PIB para a defesa. "Ninguém espera que todos o façam em um ano ou dois. Mas o caminho tem que ser real", insistiu.

O novo embaixador dos Estados Unidos na Otan, Matt Whitaker, também está na Bélgica para a reunião. Em um comunicado, o diplomata apontou que "sob a liderança do presidente Trump, a Otan será mais forte e eficaz do que nunca".

Preocupação

Apesar dessas palavras, os aliados europeus e o Canadá estão profundamente preocupados com a prontidão de Trump em se aproximar do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que vê a Otan como uma ameaça. A aliança teme que um possível acordo de cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia seja muito favorável a Moscou.

Os aliados europeus também se preocupam com uma possível redução no número de tropas dos EUA no Velho Continente. Questionado sobre o tema, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que não existem planos para uma retirada de tropas americanas da Europa.

De fato, o governo Trump não informou seus aliados da Otan sobre quaisquer planos que possa ter. Mas vários países europeus estão convencidos de que as tropas e equipamentos dos EUA serão retirados, e eles querem descobrir com Rubio quantas tropas voltarão aos EUA e quando isso vai acontecer, para que possam preencher as lacunas de segurança.

"Precisamos nos antecipar a uma retirada rápida, mas ainda não tivemos nada preciso dos EUA", disse um diplomata sênior da Otan a Associated Press (AP) antes da reunião.

Presença americana na Europa

Rutte, que foi primeiro-ministro da Holanda, tenta ter uma boa relação com Trump apesar do momento complicado. Aliados europeus e o Canadá o encarregaram de manter os EUA firmes na Otan.

Cerca de 100 mil soldados americanos estão na Europa, juntamente com a 6ª Frota da Marinha e ogivas nucleares. O poder de fogo dos EUA garante que a capacidade da Otan de deter a Rússia seja confiável.

"Os EUA esperam que os aliados europeus assumam mais responsabilidade por sua própria segurança", disse o chanceler da Holanda, Caspar Veldkamp. "Por isso, os países europeus da Otan têm que fortalecer rapidamente o pilar europeu da aliança e aumentar seus gastos com defesa". (Com agências internacionais).

A chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta quinta-feira, 3, que a Rússia será uma "ameaça de longo prazo" e reforçou que a única forma de evitar uma guerra ainda maior no continente europeu é a UE se preparar.

Durante coletiva de imprensa após reunião entre ministros da Defesa da UE, Kallas pontuou que o bloco econômico possui "muitas ferramentas à disposição" para pressionar os russos a encerrar o conflito com a Ucrânia, e mencionou a possibilidade de ampliar sanções contra o país liderado por Vladimir Putin como um dos caminhos.

"Podemos aumentar o financiamento de armas ou o treinamento de soldados para a Ucrânia", destacou, também para impor pressão à Rússia. "Todos concordamos que nós precisamos aumentar o nosso apoio à Ucrânia para a guerra terminar", disse Kallas.

A chefe de Relações Exteriores da UE pontuou que o bloco aumentará investimentos em tecnologias militares, drones, inteligência artificial e cibersegurança. "Aumentar nossa capacidade melhorará nossa aliança. Vamos ter uma sessão exclusiva amanhã sobre defesa. Os desafios de segurança hoje são muito grandes para qualquer país lidar sozinho", destacou. Kallas mencionou que a França deve investir cerca de 2 bilhões de euros e a Alemanha outros 12 bilhões de euros, mas ressaltou que deixará cada país fazer seu próprio anúncio de investimentos à Ucrânia.

A mensagem de comprometimento dos Estados Unidos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é "positiva", segundo a chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas. Durante coletiva de imprensa após reunião entre ministros da Defesa do bloco europeu nesta quinta-feira, 3, ela pontuou que o pedido dos americanos para que a aliança militar amplie seus gastos com defesa "é de longa data".

"Os países da Otan estão trabalhando no aumento de gastos. Mas é importante que a Europa faça mais" do que já vem fazendo, reforçou Kallas. Para ela, é preciso trabalhar mais para "ter independência em defesa, incluindo em satélites", destacou, dizendo que as habilidades de defesa do continente europeu têm "bastante relação" com sistemas de satélites.

Kallas elogiou a fala do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que os EUA não planejam sair da Otan e disse que o país é "um forte aliado". "EUA têm sido bem claros" sobre a necessidade de aumento de gastos com defesa do continente europeu, "e nós ouvimos essa mensagem".