Caetano Veloso posta vídeo e homenagem aos 80 anos de Chico Buarque: 'nunca deixei de amar'

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O cantor Caetano Veloso não deixou de homenagear o amigo Chico Buarque no dia em que o músico celebra 80 anos. Nesta quarta-feira, 19, o artista publicou um vídeo relembrando momentos em que estiveram juntos ao som de uma versão ao vivo de Você Não Entende Nada e Cotidiano. "Vi Chico divino desde o começo", iniciou Caetano no texto postado na legenda. "Nunca deixei de amar. Seu lirismo, sua prosódia, seu melodismo, tudo."

Na sequência, o cantor afirmou ter lido todos os livros de Chico e ter achado Budapeste (Companhia das Letras), de 2003, "genial". Ao final, Caetano celebrou: "Bem-vindo aos 80". Clique aqui para assistir ao vídeo.

Amigos de longa data, os músicos já chegaram até a apresentar um programa na TV Globo juntos. Chico & Caetano, de 1986, reunia grandes nomes da música brasileira mensalmente às sextas-feiras. À época, a atração recebeu artistas como Tom Jobim, Cazuza, Elza Soares, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Rita Lee. Astor Piazzolla, Mercedes Sosa, Pablo Milanés e Silvio Rodriguez, convidados estrangeiros, também fizeram participações.

Chico & Caetano enfrentou alguns desafios. Tim Maia não compareceu à gravação do programa em que apareceria, o que obrigou a produção a exibir trechos do ensaio do artista. Também houve censura: a Divisão de Censura da Superintendência da Polícia Federal chegou a vetar a execução da música Merda, de Caetano. No jargão teatral, a expressão é semelhante a "boa sorte".

A atração ainda deu origem a um LP, Os Melhores Momentos de Chico & Caetano, que incluiu versões de Água de Março, com a dupla e Tom Jobim, e Festa Imodesta. Apesar do veto, Merda foi incluída no disco.

A relação entre os dois, porém, também foi marcada por alfinetadas entre Chico e os tropicalistas. A rivalidade, narrada pelo jornalista Tom Cardoso no livro Trocando em Miúdos - Seis Vezes Chico (Record), se estendeu do fim dos anos 1960 até o programa televisionado pela Globo.

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O número de mortes de crianças e adolescentes por intervenções policiais no Estado de São Paulo cresceu 120% entre 2022 e 2024, conforme estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e encomendado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O relatório, que utiliza dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) e do Ministério Público, aponta que o aumento coincide com a flexibilização do uso das câmeras corporais em fardas e redução das políticas de controle de uso da força.

Em nota, a SSP disse não compactuar "com desvios de conduta ou excessos por parte seus agentes, punindo com absoluto rigor todas as ocorrências dessa natureza". Desde 2023, acrescenta a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), mais de 550 policiais foram presos e 364 demitidos ou expulsos.

A pasta também disse que a atual gestão ampliou em 18,5% o número de bodycams. Os novos dispositivos, ainda em fase de teste, entretanto, não terão gravação ininterrupta. "Todo policial em patrulhamento deverá acionar a câmera sempre que se deparar com uma situação de interesse da segurança pública", diz a SSP.

No recorde de crianças entre 10 e 14 anos, o Estado passou de uma morte em 2022, para quatro em 2024. Já na faixa 15 aos 19 anos, os registros passaram de 34 para 73. Isso significa 77 vítimas dessas duas faixas etárias no ano passado, aumento de 120% em relação a 2022, quando foram registradas 35 mortes de menores de 19 anos. Não há registros de mortes de menores de 10 anos na série histórica analisada.

- A morte decorrente de intervenção policial considera apenas casos de resistência a abordagem policial durante um flagrante, legítima defesa do policial e/ou quando é provocada para cessar uma agressão injusta, ou seja, se o suspeito estava colocando em risco a vida de outra pessoa.

O estudo aponta que, considerando todas as crianças e os adolescentes vítimas de mortes violentas em 2024, 34% foram mortos por policiais, isto é, um em cada três. Em 2022, esse percentual era de 24%. Entre adultos, a proporção passou de 9% para 18% no mesmo período.

Além disso, as crianças e os adolescentes negros são 3,7 vezes mais vítimas do que os brancos. A taxa de letalidade na faixa etária até 19 anos foi de 1,22 para cada 100 mil negros. Já entre os brancos da mesma idade, o índice ficou em 0,33.

"Esse cenário reforça a necessidade urgente de investirmos em políticas públicas de segurança que protejam, de fato, a vida de meninos e meninas, e que garantam prioridade na investigação e responsabilização dos culpados", afirma Adriana Alvarenga, chefe do escritório do Unicef em São Paulo.

O quadro é ainda mais grave diante da subnotificação de idade, segundo Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para ela, a falta de dados básicos, como a idade da vítima, demonstra falta de detalhamento e interesse em investigar esse tipo de caso, além de comprometer a análise do cenário. Do total de registros de morte por intervenção policial, 20% não tem a informação etária.

"Como a gente vai mensurar o tamanho exato do problema? Sabemos que a adolescência é a idade da transgressão, que é muito desafiadora. Essa relação com a polícia, os pais, os professores é problemática. Precisamos de políticas específicas voltadas para interação com esse público", diz a especialista.

Afrouxamento nas medidas de controle do uso da força

O total de mortes provocadas por policiais militares em serviço vinha caindo desde 2020, quando foi implementado o programa Olho Vivo, de uso das câmeras corporais gravando ininterruptamente a ação policial, na gestão João Dória (então PSDB). Mesmo depois do período de maior isolamento social causado pela pandemia o Estado passou de 716 casos em 2019 para 256 em 2022.

Mas desde 2023, quando Tarcísio assumiu o Estado com um discurso de flexibilização do uso das câmeras corporais e alterações em políticas de controle de uso da força, o número voltou a subir. Em 2024, foram 649 mortes provocadas por policiais em serviço, aumento de 153,5% ante 2022.

"O policial fica mais preocupado com o cumprimento do protocolo se ele acha que está sendo observado e se o controle do uso da força é prioridade política. Por exemplo, da época do Dória, ele não pôs somente as câmeras. Ele trocou comando geral e implantou outros mecanismos de controle, como condições de mitigação de risco, aquisição de equipamentos menos letais - as tasers - e fortaleceu mecanismos de controle interno. Tinha toda uma política estruturada de controle do uso da força", diz Samira.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança, é preciso manter a gravação ininterrupta das câmeras corporais e, ao mesmo tempo, fazer avaliações de impacto por meio de atores independentes, ter um sistema simples de compartilhamento das imagens com a Justiça sempre que forem necessárias para produção de provas e auditar rotineiramente as gravações.

Os dados mostram que mesmo em batalhões que utilizam câmera corporal, houve aumento de mortes causadas por intervenção policial. "O discurso político e institucional deslegitima essa ferramenta. Os policiais não estão utilizando; não existem sanções aos que não utilizam. E no momento que abolir a gravação ininterrupta, aí não vai ter mesmo nenhuma evidência", continua Samira.

Um levantamento feito pela Defensoria Pública do Estado e consultado para a elaboração do estudo do Fórum mostra que a PM paulista não forneceu resposta para 48,3% dos casos em que houve solicitação de imagens das câmeras corporais entre julho e novembro de 2024.

No caso das ocorrências respondidas, em apenas 100 casos foi possível realizar a análise das imagens, o que equivale a 21,9% do total de casos solicitados.

A atual proposta do governo do Estado é implementar câmeras corporais que são acionadas pelo próprio policial ou por uma equipe remota assim que os agentes saem para uma operação. A justificativa é otimizar a capacidade de processamento e armazenamento de todas as imagens gravadas.

"O uso dos equipamentos segue regras rígidas, e qualquer agente que descumpri-las estará sujeito às sanções cabíveis", diz a SSP. "As instituições policiais mantêm programas robustos de treinamento e formação profissional, além de comissões especializadas na mitigação de riscos, que atuam na identificação de não conformidades e no aprimoramento de procedimentos operacionais."

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou em dezembro de 2024 que a PM de São Paulo utilize as câmeras em grandes operações e incursões em favelas com gravação ininterrupta. O governo recorreu da decisão e conseguiu um prazo maior para detalhar a proposta. Em fevereiro deste ano, a PM se reuniu com o ministro para apresentar o funcionamento dos novos equipamentos. Ainda não há uma decisão definitiva por parte do STF.

O estudo ainda aponta a redução em 46% no número de Conselhos de Disciplina - responsáveis por julgar praças que cometeram infrações ou crimes - e em 12,1% de processos administrativos disciplinares de 2022 para 2024 como possíveis motivos para o aumento da letalidade policial.

A quantidade de sindicâncias e Inquéritos Policiais Militares (IPMs) também caiu e, em 2024, foi o menor dos últimos oito anos. Em adicional, desde junho, a Corregedoria da PM passou a depender de autorização do Subcomandante-Geral da corporação para afastar policiais envolvidos em casos de atentado às instituições, ao Estado ou aos direitos humanos, impactando na agilidade das decisões.

Por que o caso Ryan não consta nos dados?

Alguns casos de violência policial chocaram o País nos últimos anos, como a morte de Ryan Santos, de 4 anos, atingido por disparo de arma de fogo durante ação da Polícia Militar em Santos em novembro de 2024. Na semana passada, um laudo pericial anexado ao inquérito policial sobre o caso indicou que o projétil que acertou o menino era de arma utilizada pela Polícia Militar.

A ocorrência, porém, ainda não teve registro por tipo de morte e por isso não consta como morte por intervenção policial. O inquérito cita "eventual delito de homicídio relacionado ao uso de força letal ou eventual legítima defesa" e não foi concluído.

Segundo Samira, casos que envolvem bala perdida geralmente são assumidos como homicídio - que pode ser doloso (com intenção) ou culposo (sem intenção de matar). "Ele (o policial) assumiu o risco de matar quem estava na rua", afirma.

Mais policiais têm morrido em serviço, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, encomendada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância das Nações Unidas (Unicef) divulgada nesta quinta-feira, 3. Os dados coletados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) e do Ministério Público mostram aumento de 133% nos óbitos desde 2022.

Conforme o relatório, foram 14 PMs mortos em serviço em 2024, ante seis em 2022. Houve aumento também na letalidade por agentes de segurança (leia mais abaixo). Para os pesquisadores, o enfraquecimento do programa das câmeras corporais nas fardas é um dos fatores que contribuem para esse cenário.

Em nota, a SSP, da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirma que "as instituições policiais mantêm programas robustos de treinamento e formação profissional, além de comissões especializadas na mitigação de riscos". Também diz que "ampliou em 18,5% o número de câmeras corporais".

A recorrência de confrontos e a letalidade policial maior, dizem especialistas, não necessariamente leva ao combate mais eficaz ao crime organizado. Esse cenário pode resultar, na verdade, em risco maior para comunidades dominadas por facções e para os próprios PMs, que encontram bandidos mais dispostos a atirar durante ações policiais nas comunidades.

Impactos do discurso

Durante a campanha política para governador, Tarcísio e seu atual secretário de segurança, Guilherme Derrite, questionaram a eficiência das câmeras em fardas sob o argumento de que poderiam inibir o trabalho das tropas e não ajudariam a reduzir a violência policial.

Depois de eleito, o governador mudou o discurso e disse que manteria o programa, mas com troca da tecnologia, acabando com a gravação ininterrupta e passando a permitir que o próprio policial militar ou equipe remota ativasse e desativasse a câmera. Esses novos equipamentos, até o momento, não foram implementados, mas já estão em testes, conforme a SSP.

De acordo com a gestão estadual, essa tecnologia conta "com novas funcionalidades, como leitura de placas, comunicação bilateral e acionamento remoto, que será ativado assim que a equipe for despachada para uma ocorrência".

"Além disso, todo policial em patrulhamento deverá acionar a câmera sempre que se deparar com uma situação de interesse da segurança pública. O uso dos equipamentos segue regras rígidas, e qualquer agente que descumpri-las estará sujeito às sanções cabíveis", afirma a pasta de segurança pública.

Para Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, "o discurso político e institucional deslegitima essa ferramenta". "Os policiais não estão utilizando; não existem sanções aos que não utilizam. No em momento que abolir a gravação ininterrupta, não vai ter mesmo nenhuma evidência", diz.

Segundo a especialista, quando o agente tem a preocupação de seguir o protocolo, porque está usando a câmera, ele se protege mais. "Ele mata a menos e ele morre menos", afirma.

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou em dezembro de 2024 que a PM de São Paulo utilize as câmeras em grandes operações e incursões em favelas com gravação ininterrupta. O governo recorreu da decisão e conseguiu um prazo maior para detalhar a proposta. Em fevereiro deste ano, a PM se reuniu com o ministro para apresentar o funcionamento dos novos equipamentos. Ainda não há uma decisão definitiva por parte do STF.

Além da flexibilização das câmeras, o relatório produzido pelo Fórum mostra que, entre 2022 e 2024, houve redução em medidas de controle de força policial. Isso, conforme os pesquisadores, também impacta da conduta dos agentes, os colocando em maior risco.

O número de Conselhos de Disciplina - responsáveis por julgar praças que cometeram infrações ou crimes - caiu 46% em 2024 e os processos administrativos disciplinares, em 12,1%. A quantidade de sindicâncias e Inquéritos Policiais Militares (IPMs) atingiu o menor patamar dos últimos oito anos.

Desde junho de 2024, a Corregedoria da Polícia Militar também passou a depender de autorização do Subcomandante-Geral da PM para afastar policiais envolvidos em casos de atentado às instituições, ao Estado ou aos direitos humanos, impactando na agilidade das decisões.

"Isso causa uma demora, porque enquanto o subcomandante não se manifesta - e ele tem vários compromissos, não só esse, para cumprir - o policial está normalmente atuando nas ruas", disse Leonardo Carvalho, pesquisador do Fórum, no fim do ano passado ao Estadão. "Burocratiza um mecanismo que funcionava como freio para eventuais casos de uso abusivo da força."

Aumento na morte de crianças e adolescentes

A pesquisa aponta aumento de 120% nas mortes de crianças e adolescentes por intervenção policial em dois anos, passando de 35 em 2022 para 77 em 2024. Considerando todas as crianças e os adolescentes vítimas de mortes violentas no ano passado um a cada três foi morto por policiais.

- No recorde de crianças entre 10 e 14 anos, o Estado passou de uma morte em 2022, para quatro em 2024;

- Já na faixa 15 aos 19 anos, os registros passaram de 34 para 73.

As crianças e os adolescentes negros são 3,7 vezes mais vítimas do que os brancos. Enquanto a taxa de letalidade na faixa etária até 19 anos foi de 1,22 para cada 100 mil negros, entre os brancos da mesma idade o índice ficou em 0,33.

"Esse cenário reforça a necessidade urgente de investirmos em políticas públicas de segurança que protejam, de fato, a vida de meninos e meninas, e que garantam prioridade na investigação e responsabilização dos culpados", afirma Adriana Alvarenga, chefe do escritório do Unicef em São Paulo.

O total de mortes causadas por policiais militares em serviço, sem considerar faixa etária ou cor, caiu de 716 casos em 2019 para 256 em 2022, após a implementação das câmeras corporais e outras políticas de controle da força pelo Estado. No ano passado, porém, foram 649 mortes provocadas por policiais em serviço, aumento de 153,5% ante 2022.

A morte decorrente de intervenção policial considera apenas casos de resistência a abordagem policial durante um flagrante, legítima defesa do policial e/ou quando é provocada para cessar agressão injusta, ou seja, se o suspeito estava colocando em risco a vida de outra pessoa.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$ 20 milhões para a Scitech Produtos Médicos fornecer dispositivos médicos para atender à demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa fica em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana de Goiânia (GO).

Os recursos fazem parte do programa BNDES Fornecedores SUS, informou o banco de fomento. A empresa atenderá à demanda do SUS por stent farmacológico para artéria coronária, cateter balão para angioplastia, cateter guia para angioplastia, fio guia dirigível para angioplastia, introdutor valvulado e balão periférico.

"A operação aprovada pelo BNDES contribui para o fortalecimento da indústria nacional que fornece dispositivos médicos ao Sistema Único de Saúde. Desde 2024, o banco já aprovou R$ 117 milhões com essa finalidade. São recursos que garantem o acesso da população ao atendimento de qualidade, uma das prioridades do governo do presidente Lula", explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O CFO da Scitech, Mayko Melo, Mayko Melo, ressaltou que a linha permite ampliar os serviços prestados à rede pública de saúde (SUS). "Com isso, consolidamos nossa posição como principal fornecedora de stents farmacológicos para o SUS, reafirmando nosso pioneirismo no desenvolvimento e fabricação de dispositivos médicos minimamente invasivos."

A Scitech é uma empresa brasileira especializada em dispositivos médicos minimamente invasivos, com mais de 20 anos no mercado. Integra o grupo Capital Med Participações S.A., que emprega mais de 280 funcionários, atuando diretamente no Brasil, Chile, Espanha, Itália, Singapura e EUA.