Cresce nº de guardas municipais que usam arma de fogo; polícias diminuem

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O número de guardas municipais que usam armas de fogo aumentou nos últimos anos, enquanto os efetivos das polícias Civil e Militar vêm caindo gradativamente. Os dados fazem parte de nova pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira, 31.

Segundo a pesquisa, 1.711 municípios - três em cada dez - têm estrutura própria de segurança pública. Mesmo cidades pequenas, com menos de dez mil habitantes, já têm guardas municipais, muitas vezes armadas.

Do total de guardas municipais, 22,4% eram armadas em 2019 e, no ano passado, essa proporção passou para 30%.

A capital paulista foi uma das que tiveram incremento expressivo nas forças de segurança municipais. São 7.143 agentes da GCM, alta de 23% em relação a 2021. Outros 500 profissionais ainda passam por treinamento e devem incrementar o efetivo nos próximos meses.

Por outro lado, no mesmo período o número de policiais civis caiu 7,9% e o de PMs, 4,4%. Essa redução influencia a capacidade de os agentes darem conta da demanda de patrulhamento ostensivo e de investigação, essencial para combater facções criminosas e pequenas quadrilhas, por exemplo.

"Pelo levantamento que fiz junto ao Fórum de Segurança Pública, essa queda está relacionada à crise econômica dos Estados, que passaram a contratar menos policiais", explicou a pesquisadora do IBGE Caroline Santos, responsável pelo capítulo sobre segurança pública da pesquisa.

"Por outro lado, nota-se aumento do efetivo das guardas municipais e também das guardas municipais armadas, mesmo nos menores municípios."

Como mostrou série de reportagens do Estadão, o País intensificou nos últimos anos a municipalização da segurança pública. As guardas municipais passaram a assumir o papel de "novas polícias", como resposta de prefeitos ao aumento da violência.

O problema é que são tropas pouco fiscalizadas, que podem ficar atreladas à vontade política de prefeitos e parte delas não segue a legislação. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu as guardas municipais como parte do sistema de segurança pública do Brasil.

Embora a segurança seja prerrogativa prioritariamente dos Estados, os governos federal e os municipais têm sido cobrados cada vez mais por soluções para esse problema.

A gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta aos governadores nesta quinta-feira, 31, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende alterar a estrutura da segurança pública no País - a alta da violência urbana tem sido uma dos principais críticas do eleitores em seu novo mandato.

Estudo revela visão fragmentada sobre direitos humanos

A pesquisa do IBGE avalia a estrutura organizacional nos Estados e municípios de algumas políticas públicas. Este ano, os temas abordados foram: recursos humanos, assistência social, trabalho e inclusão produtiva, segurança alimentar, políticas para mulheres, segurança pública, direitos humanos e primeira infância.

Embora estejam presentes na quase totalidade dos Estados, as políticas de direitos humanos foram as únicas que retrocederam nos últimos anos nos municípios. Em 2019, 44,6% dos municípios tinham algum tipo de estrutura organizacional para políticas de direitos humanos. A porcentagem caiu para 34,1% em 2023. Nos demais tópicos aumentou o número de municípios com essas políticas públicas organizadas.

"A sociedade brasileira tem uma visão fragmentada dos direitos humanos", avalia o pesquisador Cláudio Crespo, do IBGE, autor do capítulo sobre o tema. "No pensamento hegemônico social, defender os direitos das crianças e dos idosos, por exemplo, é OK. Mas a visão geral dos direitos humanos não concebe os direitos para a pessoa na sua integralidade; ainda é uma visão da defesa daquele que transgrediu."

Segundo o pesquisador, essa visão foi exacerbada pelo recente período de polarização política: "A raiz do problema não é o período recente, mas sim a cultura contrária aos direitos humanos e a visão fragmentada dos direitos humanos, porém o problema foi exacerbado no período de 2019 a 2023, com uma queda de 10,5%".

De forma geral, ainda há muito espaço para o aumento das políticas públicas no País. Segundo a pesquisa, em 2023, somente 18 Estados tinham um plano para a primeira infância. Entre os municípios, a porcentagem era de 26,6%. Apenas 7,6% das cidades ofereciam auxílio creche.

A pesquisa revelou também que embora muitos municípios ainda não tenham uma estrutura organizacional voltada à segurança alimentar, a alimentação escolar está presente em 5.372 municipalidades (96,4%).

Em 2023, apenas 31,3% dos municípios possuíam organismo executivos de políticas para as mulheres, porém esse porcentual representa um aumento de cerca de 50% do total observado em 2018 (19,9%).

Segundo a pesquisa, 99,9% (5.565) dos municípios executavam serviços assistência social, proporção próxima a encontrada em 2018, que era de 99,5% (5.540). Dentre os serviços ofertados, a proteção social básica estava presente em quase a totalidade dos municípios em 2018 (5.529) e 2023 (5.553).

O número de pessoas ocupadas na administração direta e indireta municipal, em 2023, era de 7.334.402 e, em 2021, de 6.549.551, o que corresponde a um crescimento de 11% no período. Já aqueles da administração estadual passaram de 2.986.198 para 2.892.720, o que corresponde a um crescimento de 3% no período.

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O cantor Gilberto Gil se emocionou ao cantar ao lado de Geraldo Azevedo durante show da turnê Tempo Rei no Recife na noite da última sexta-feira, 28.

Em vídeos publicados nas redes sociais dos próprios cantores, é possível observar momentos em que Gil chega a chorar enquanto Geraldo canta Drão.

A música foi lançada em 1981, durante o processo de separação do baiano com Sandra Gadelha, e o título faz alusão ao apelido da ex-mulher e mãe de Preta Gil.

A letra, que apresenta o amor como um ciclo que envolve a morte e o renascimento, traz uma comparação com um grão, que precisaria morrer para germinar.

A canção também foi cantada pelo cantor ao lado de sua filha, Preta Gil, em apresentações da turnê. Ela morreu no último mês de julho, em decorrência de um câncer.

Tom Stoppard, dramaturgo que venceu cinco prêmios Tony, além do Oscar de melhor roteiro adaptado pelo filme Shakespeare Apaixonado (1998) morreu aos 88 anos de idade. A informação foi confirmada à imprensa por seus agentes, mas a causa da morte não foi divulgada.

"Ele será lembrado por suas obras, seu brilhantismo e humanidade, sagacidade, generosidade de espírito e seu profundo amor pela língua inglesa", consta em comunicado. Os teatros de Londres prometem apagar as suas luzes durante dois minutos às 19h na próxima terça em reconhecimento a Stoppard.

Tomás Sträussler, seu nome de batismo, nasceu na Cheoslováquia (na cidade de Zlín, atualmente em território chéquio) em 3 de julho de 1937. Quando tinha apenas dois anos de idade, sua família sofria com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945): seus quatro avós morreram em campos de concentração.

Precisou fugir para a região de Singapura, na Ásia. Posteriormente, iria para a Índia. Seu pai teve que ficar mais um pouco e iria depois, mas acabou morrendo quando o navio que o levaria foi atacado. No pós-guerra, em 1946, sua mãe casou com um militar inglês, Kenneth Stoppard, e a família voltou à Europa, desta vez para morar no Reino Unido.

Com oito anos de idade, passou parte da infância e a juventude no país, tendo adquirido diversos dos hábitos locais, como a paixão por cricket e o interesse pelos textos de William Shakespeare. Tom Stoppard não cursou faculdade, mas chegou a trabalhar como jornalista. Escreveu diversas peças no teatro inglês antes de migrar para a Broadway.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Stoppard usou seu cérebro para o teatro, o rádio e o cinema e abrangeu Shakespeare, ciência, filosofia e tragédias históricas do século 20 em sua obra. Recebeu cinco prêmios Tony, o mais prestigiado do teatro dos Estados Unidos, por Rosencrantz and Guildenstern Are Dead (1968), Travesties (1976), The Real Thing (1984), The Coast of Utopia (2007), e Leopoldstadt (2023).

Tom Stoppard foi considerado como o maior dramaturgo de sua geração no Reino Unido, tendo vencido diversos prêmios teatrais. O cantor Mick Jagger, dos Rolling Stones, lamentou a morte: "Ele nos deixa uma majestosa obra de um trabalho divertido e inteligente".

No cinema, seu maior reconhecimento veio ao receber o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por Shakespeare Apaixonado, em conjunto com Marc Norman. O filme foi indicado em treze categorias e levou sete prêmios no total. Entre eles, o de melhor atriz para Gwyneth Paltrow, que concorreu contra a brasileira Fernanda a Montenegro, indicada por seu trabalho em Central do Brasil.

* Com informações da agência AP.

Robinson Shiba, empresário que fundou a franquia China In Box e foi um dos investidores das primeiras temporadas do programa Shark Tank Brasil, voltou a dar uma palestra na última sexta-feira, 28.

Em 2019, ele sofreu um acidente de moto que deixou sequelas motoras e na fala. Por causa do incidente, Shiba passou seis anos afastado da mídia e de grandes interações com o público.

Shiba usa IA para fazer palestra

Na apresentação, Shiba se comunicou por meio de um aparato tecnológico que gera o que escreve simulando sua voz via inteligência artificial. "Poder estar de volta e aqui falando é de longe uma das melhores sensações da minha vida", afirmou durante o Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia.

"Obrigado a toda a equipe que está ao meu lado, família e amigos. Ubuntu é uma filosofia que levo para a minha vida e, depois do acidente, passou a fazer mais sentido ainda. Eu sou o que nós somos. Que a gente possa seguir fazendo a diferença na vida das pessoas e deixando elas fazerem nas nossas. Agradeço a todos vocês que permitiram esse momento. Espero ter servido de inspiração. Acreditem em vocês", comentou, em outro momento no evento compartilhado em seus stories de Instagram.

Robinson Shiba também anunciou que fará uma participação no próximo episódio do Shark Tank Brasil, que deve ir ao ar no YouTube na próxima segunda-feira, 1º. Ele fez parte do elenco fixo de investidores nas quatro primeiros temporadas do programa, entre 2016 e 2019.

O que aconteceu com Shiba, do 'Shark Tank'

Robinson Shiba enfrentou problemas de saúde, incluindo uma parada cardíaca, desde que sofreu um acidente de moto em 18 de fevereiro de 2019. Durante dois anos e três meses, 'sumiu' de suas redes sociais. Retornou em postagens esporádicas a partir de 2021, quando mostrou parte de seu progresso.

Em entrevista ao Uol em setembro de 2021, Marcia Shiba, sua mulher, relatou que ele chegou a ficar em coma induzido durante a internação de três meses no hospital. Em seguida, passou cerca de um ano e meio em uma clínica de reabilitação antes que pudesse voltar para casa. Segundo ela, o marido "compreende quando as pessoas conversam com ele e sua memória não foi afetada". A comunicação, porém, vinha limitada a alguns sons, olhares e movimentos de apontar.

"O longo período de traqueostomia e a falta da fala prejudicaram a ingestão de alimentos. Mas ele pode se comunicar por meio de sons. Ele também não tem nenhum sentido bloqueado. Pode mexer qualquer parte do corpo, mas o acidente proporcionou um traumatismo cranioencefálico muito grave no lado esquerdo, o que comprometeu boa parte de sua coordenação motora", afirmou.