Músicos afegãos fogem do Taleban

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O ghichak é um instrumento musical criado pelo povo hazara, de Hazarajat, no coração do Afeganistão. Visualmente um ancestral do violino, ele tem as cordas friccionadas por um pequeno arco e uma caixa de ressonância que pode ser feita com uma cabaça ou uma lata de azeite. Um deles, muito rudimentar, estava sendo tocado por Fawad Andarabi quando os jovens talebans chegaram com seus fuzis M16 a um vale a 100 quilômetros ao norte de Cabul. Fawad seguiu em frente com sua cantoria e tudo levava a crer que estivesse agradando. Alguns dos garotos, tão garotos que a barba regida pelas escrituras ainda não havia chegado ao queixo, passavam a seu redor descansando armas enquanto outros se reuniam para uma conversa reservada alguns metros atrás. Um tempo depois, eles tomaram um chá ao som de Fawad e lhe ofereceram uma xícara. Um dos jovens, então, engatilhou o rifle, mirou a cabeça do cantor e disparou, estraçalhando seu crânio.

Apesar do racismo ainda excluir os hazara de origem mongol dentro do complexo tecido social afegão - "aos tadjiques o Tadjiquistão, aos usbeques o Usbequistão e aos hazaras, o cemitério", dizem alguns dos puristas -, Fawad morreu não por tocar ghichak, mas por cantar. As leis que imperaram no país entre 1996 e 2001, durante a primeira era taleban, estão em vigor e os músicos que se atreverem a soltar a voz em dari, pashto, uzbeque, turcomano, balochi, pashayi, nuristani ou qualquer um dos 200 dialetos do território afegão serão devidamente punidos de acordo com a raiva do algoz que identificar o subversivo em questão. A lista das profanações está de volta e a música, a única arte com um poder de conexão capaz de ser tão divino quanto bestial, não cabe nos preceitos de um país que busca a pureza absoluta.

As primeiras notícias são aterradoras aos que acreditaram na promessa de uma gestão mais equilibrada. "Os combatentes do Taleban já estão reprimindo violentamente qualquer atividade musical. Eles começaram a impedir as pessoas de escutar música e as lojas que vendem instrumentos foram destruídas", contou à Rádio França Internacional o musicólogo Ahmad Naser Sarmast, diretor do Instituto Nacional Afegão de Música.

Ahmad diz ainda que cerca de 400 alunos do instituto estão escondendo seus instrumentos de possíveis diligências. "Sabemos que o Taleban está indo de casa em casa. Meus alunos têm medo de serem punidos se um instrumento for encontrado." Se essa é a situação dos alunos de um centro de música erudita, imaginemos a condição dos nomes ligados a cenas como o rap, o pop, o rock e - sim, ele existe - ao heavy-metal afegão.

A cantora pop Aryana Sayeed, com 1,4 milhão de seguidores no Instagram, zarpou para o Catar com planos de chegar à Turquia horas depois da reconquista Taleban. Se apenas cantasse, Aryana estaria "errada", mas suas profanações vão além: ex-jurada do programa The Voice Afeganistão, ela fala em nome de uma sociedade igualitária entre homens e mulheres. Sua captura seria um deleite. Ao chegar às pressas ao aeroporto de Cabul com seu noivo, ela viu um filme de horror. Uma mãe impedida de embarcar pedia aos prantos que Sayeed levasse seu bebê. "Não consigo separar um bebê de sua mãe, e a mãe realmente queria que eu o pegasse, mas eu não pude", disse Sayeed, em suas redes.

Um país sem litoral e de terreno montanhoso cravado no centro da Ásia reflete na música a sua polifonia geográfica. Suas fronteiras, lugares onde não existe fronteira alguma, estão por todo lado: com o Paquistão ao Sul e ao Leste; com o Irã ao Oeste; com o Turcomenistão, o Usbequistão e o Tajiquistão ao Norte; e com a China a Nordeste. São quase 40 milhões de seres, cantores e cantoras em potencial, formando uma malha cultural que, apesar da aparente vitoriosa largada no projeto de retomada, não se entrega mais a uma única crença. A música afegã, com tudo o que pode ser chamado assim, está em silêncio e seus intérpretes fugiram, mas ela não deixou de existir.

O rap de Bezhan Kunduzi é uma declaração de guerra ao Taleban. "Ó, inimigos do Afeganistão, nossos soldados vão enterrá-los", ele disse, em 2015, quando os norte-americanos dominavam a área. Os "inimigos" eram então o Taleban e "nossos soldados", o exército afegão e as tropas mantidas por Barack Obama. A popularidade de Kunduzi cresceu depois que um jovem soldado afegão se tornou herói ao defender o parlamento de um ataque Taleban com tudo para ser terrivelmente mortal. Aos jornalistas que pediram para o jovem descrever como ele havia matado sete infiltrados talebans, o soldado repetiu a expressão em dari "taq chapako!", uma frase que significa algo como "bang, e já era!". Kunduzi fez um rap com a expressão e se tornou um fenômeno. Sua cabeça, agora, vale ouro.

O rock que conseguiu submergir dos escombros e ter uma vida relativamente tranquila sobretudo entre 2009 e 2011 pode ser percebido em duas bandas. A Kabul Dreams, com uma passagem elogiada por uma edição do festival South by Southwest, nos Estados Unidos, foi formada em 2008 por expatriados e se apresentou por algum tempo como "a primeira banda indie rock" do país. Apesar de terem gravado um clipe em Cabul, nenhum de seus integrantes vivia no país. O cantor Sulaymon Qardash era do Usbequistão; o baixista Siddique Ahmad, do Paquistão; e o baterista Mujtaba Habibi, do Irã. Como cada um falava uma língua, o jeito foi gravar em inglês. Seu mais recente sinal de vida foi postado em 6 de agosto de 2021 no Spotify: o ótimo single Butcher on the City. Isso depois de lançarem, em 2013, no álbum Plastic Words, uma canção chamada Air que dizia: "Bombas e explosões não estão me assustando, às vezes estão apenas brincando com meu coração". Assustados, eles desapareceram.

O metal afegão tem como seu maior representante a District Unknown. Tem não, tinha. Ela não existe mais e o paradeiro de seus integrantes, ao menos para os fãs, é desconhecido desde 2019. Uma pena. O grupo tem uma força vulcânica, que a revista norte-americana Rolling Stone classificou como "metal psicodélico", talvez mais baseada no vídeo da faixa de nome 64 do que nas características do som, e sua história foi usada como eixo principal no documentário Rockabul, filmado pelo australiano Travis Beard. "Você pode até viver com medo, mas, se tivéssemos gastado tempo tentando adivinhar quando a próxima bomba seria jogada contra nós, não teríamos feito nada", disse o vocalista à época, Lemar Sadat.

Nem tudo são escombros na música afegã. A reportagem conferiu na tarde de segunda, 30, que algumas das rádios de cidades importantes do país, como Cabul, Sherbeghan, Jalalabad e Kandahar, seguem com suas programações sem restrições aparentes a ocidentalismos e outras "maldições". A Spogmai FM 102,2 de Cabul, que apresenta um misto de música pop e tradicional, toca canções em inglês.

A BFBS é ainda mais pop e mostra um R&B afegão bem nos moldes de Beyoncé cantado, surpreendentemente, por mulheres. A Turkmen Arzu, de Sherbeghan, toca uma espécie de, ofensa das ofensas, funk afegão. O rap em língua árabe rola solto e em inglês na 89.8 Cheenar Radio FM e a Kilid Kandahar parece bastante ortodoxa, mas é bem-humorada e faz perguntas aos ouvintes sobre cultura pop. Quando eles erram, um barulho de vidro quebrando é colocado no ar como se ruísse ali, ao vivo, a última liberdade de um povo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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O ator Marlon Wayans usou suas redes sociais para desmentir uma informação recente sobre a sequência do filme As Branquelas. Durante uma entrevista, Marlon havia confirmado que o icônico filme de 2004 ganharia uma continuação, mas voltou atrás nos stories do Instagram. "Não é verdade", afirmou o ator.

A declaração de Marlon gerou uma grande repercussão, especialmente após a notícia de que ele e seu irmão Shawn Wayans estavam discutindo sobre a possibilidade de As Branquelas 2. A ideia de uma sequência, que teria sido o próximo projeto de Marlon, gerou uma onda de empolgação nas redes sociais, com muitos fãs relembrando o filme que completou 20 anos de estreia em 2024.

Lançado em 2004, As Branquelas conta a história de Marcus (Marlon Wayans) e Kevin Copeland (Shawn Wayans), dois agentes do FBI que se disfarçam de socialites loiras e milionárias para infiltrar-se na alta sociedade. O filme também contou com Terry Crews e Faune Chambers Watkins no elenco, e até hoje é um clássico da comédia.

Diogo Almeida foi o último eliminado do BBB 25 e participou do Café com o Eliminado no Mais Você desta quarta-feira, 26. Junto da apresentadora Ana Maria Braga, relembrou momentos no reality e falou sobre sua relação com Aline e embates com Vinícius e Gracyanne Barbosa.

O ex-brother mencionou Vinícius e as discussões que teve com a dupla de Aline na casa e comentou que, se tivesse a oportunidade, eliminaria Vinícius do jogo. "Ele precisa de terapia", brincou, ao mencionar a suposta insegurança de Vinícius no envolvimento de Aline com o ator.

"Desde o início do programa, eu já sentia que ele não ia com a minha cara", comentou também.

Com relação ao envolvimento amoroso com Aline, o ator falou: "A gente conversou muito antes de ficar [...] mas foi muito pensado, eu realmente tinha dúvidas e ela também. A vida é feita de escolhas e eu escolhi estar com ela no BBB".

Perguntado sobre o episódio da troca de votos, Diogo admitiu ter "feito a escolha errada". "Na hora de resolver, sem ter tempo de pensar direito, fiz a escolha errada. Usei a régua errada [...] Bobeei."

"Pesou, eu agradeci a Aline por ela compreender e me escutar e a gente poder seguir com o relacionamento. Realmente, eu fiz a escolha errada e não me orgulho disso", completou.

A briga da lentilha levou Aline para um momento de desabafo. Ao ver a sister chorando, Diogo disse: "Fiquei mexido com a nossa conversa. Não esperava que fosse chegar a esse ponto [...] Não queria e não quero magoar ela".

"Qualquer coisa pode tomar uma proporção maior, e a gente precisa ter esse cuidado [...] mas eu me joguei, como eu me joguei em tudo que me propus a fazer dentro do programa. Tivemos uma relação sincera", desabafou.

Ana Maria mencionou a entrada do ator com Vilma, que ainda está no programa. Ele citou que, apesar de também ter tido vontade de estar no programa, o desejo inicial foi da mãe, que havia se inscrito nas duplas mesmo antes dele ser chamado para participar.

"Foi um presente poder estar com ela no programa. Minha mãe é uma mulher muito batalhadora, se formou no segundo grau com 45 anos. Foi fazer faculdade e está se formando agora em nutrição com 68 anos [Ela] sempre foi em busca das coisas que ela deseja", elogiou Diogo.

Por fim, através de uma dinâmica, o ator comentou que Maike é um brother que "só fala e não joga" e que Camilla "se vitimiza".

Gracyanne é a sister que, segundo ele, "mais manipula as outras pessoas": "Algumas pessoas ali na casa acham que ela tem razão nas colocações que faz", completou.

Carlos Alberto de Nóbrega foi internado em São Paulo esta semana no Hospital Sírio-Libanês. Aos 88 anos, o comediante deu entrada na unidade de terapia semi-intensiva, e trata de uma virose. A informação foi confirmada ao Estadão pela assessoria do SBT, que afirma que o quadro do humorista é estável.

Devido à internação, a emissora cancelou as gravações do humorístico A Praça é Nossa que estavam agendadas para esta semana, mas já agendou duas para a próxima semana. A expectativa é que Carlos Alberto receba alta em breve.

Na noite de terça, 25, a esposa de Carlos Alberto, a médica Renata de Nóbrega, fez uma chamada de vídeo com ele, e publicou no Instagram uma foto do apresentador, que aparece sorridente deitado em uma cama do hospital. "Boa noite com saudades", escreveu ela na legenda.

Esta não é a primeira internação do apresentador. Em novembro de 2023, Carlos Alberto sofreu um acidente doméstico e precisou ser internado para uma cirurgia no cérebro. Posteriormente, ele teve que ser readmitido devido a um sangramento, e passou por uma nova cirurgia para a retirada do coágulo. O comediante recebeu alta em janeiro do ano passado.