Trump enche Madison Square Garden e promete consertar os Estados Unidos após governo democrata

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Donald Trump teve seu momento no Madison Square Garden. Com pouco mais de uma semana para o dia da eleição, no próximo dia 5, o ex-presidente subiu ao palco em um dos locais mais conhecidos dos Estados Unidos, organizando um comício em sua cidade natal, para entregar a mensagem final de sua campanha contra a vice-presidente democrata Kamala Harris.

 

Faltando nove dias para a eleição, o republicano começou perguntando as mesmas questões que ele apresenta no início de cada comício: "Vocês estão melhor agora do que estavam há quatro anos?" A multidão respondeu com um retumbante "Não!"

 

"Esta eleição é uma escolha entre se teremos mais quatro anos de incompetência grosseira e falhas, ou se começaremos os melhores anos na história do nosso país", disse ele, após ser apresentado por sua esposa, Melania Trump, cuja rara aparição surpresa acontece depois que ela esteve em grande parte ausente na campanha eleitoral.

 

Trump falou por cerca de 1h20, onde repetiu sua retórica violenta sobre imigrantes e oponentes políticos. Ele retratou os democratas como um partido controlado por um "grupo amorfo" de pessoas poderosas. "Eles são inteligentes e são cruéis, e nós temos que derrotá-los", disse Trump, novamente descrevendo-os como "o inimigo interno".

 

Aliado chama Porto Rico de 'ilha de lixo'

 

A abertura do comício foi uma mistura do que é o trumpismo, com uma pintura da bandeira americana com Trump à frente enquanto "God Bless America" tocava nos alto-falantes. O comediante Tony Hinchcliffe abriu o evento com piadas invocando estereótipos racistas contra latinos, judeus e pessoas negras.

 

"Não sei se vocês sabem disso, mas literalmente há uma ilha flutuante de lixo no meio do oceano agora. Eu acho que é chamada de Porto Rico", disse Hinchcliffe.

 

A adversária de Trump, Kamala Harris, tenta conquistar comunidades porto-riquenhas na Pensilvânia e em outros estados indecisos. Neste domingo, 27, o rapper Bad Bunny e o cantor Ricky Martin, ambos de Porto Rico, anunciaram apoio a Kamala.

 

Enquanto alguns democratas e comentaristas questionaram a decisão de Trump de realizar o que eles consideram um evento de simples vaidade em sua cidade natal (o estado de Nova York não elege um republicano há 40 anos), as imagens do estádio cheio garantem o que ele mais desejava: holofotes, cobertura total e uma audiência nacional.

 

A mensagem final que ele entregou é que Harris destruiu o país e que ele vai consertar. Participantes do comício, horas antes, acenaram com cartazes com as palavras "Trump vai consertar".

 

Opositores chamam Trump de fascista, apoiadores debocham

 

Vários oradores criticaram Hillary Clinton, a democrata derrotada por Trump oito anos atrás, por dizer que Trump estaria "reencenando" um evento pró-nazista no Garden em fevereiro de 1939. Um crítico, o apresentador de rádio Sid Rosenberg, usou um palavrão para denunciar a ex-secretária de Estado.

 

"Ei, pessoal, eles estão agora correndo e tentando nos chamar de nazistas e fascistas", disse Alina Habba, uma das advogadas de Trump. "E vocês sabem o que eles estão alegando, pessoal? É muito assustador. Eles estão alegando que vamos atrás deles e tentar colocá-los na prisão".

 

Trump afirma que as quatro acusações criminais feitas contra ele como perseguição política. Ele intensificou suas falas nas últimas semanas contra "inimigos internos", nomeando políticos rivais e sugeriu que usaria o exército para ir atrás deles. Kamala, por sua vez, chamou Trump de "fascista".

 

O Madison Square Garden estava cheio horas antes de Trump discursar. Fora da arena, as calçadas estavam cheias de apoiadores de Trump em chapéus vermelhos com a inscrição "Make America Great Again". Havia uma forte presença de segurança.

 

Na multidão estava Philip D'Agostino, um apoiador de longa data de Trump do Queens, o bairro onde Trump cresceu. O homem de 64 anos disse que era apropriado para Trump discursar em um lugar que se autodenomina "a arena mais famosa do mundo".

 

"Isso apenas mostra que ele tem uma maior quantidade de seguidores do que qualquer um", disse D'Agostino.

 

Candidatos optaram por estados decididos para impulsionar campanha nacional

O comício é um de uma série de desvios que Trump fez dos estados indecisos, incluindo um comício recente em Coachella, Califórnia - mais conhecida pelo famoso festival de música com o nome da cidade - e um em maio na Jersey Shore. Neste verão, ele fez campanha no South Bronx.

 

Para alcançá-los, Trump passou horas aparecendo em podcasts populares. E sua campanha trabalhou para criar momentos virais como sua visita na semana passada a um restaurante do McDonald's, onde ele fez batatas fritas e serviu apoiadores pelo drive-thru. O vídeo da parada postado por sua campanha foi visto mais de 40 milhões de vezes apenas no TikTok.

 

Kamala também viajou para estados não indecisos para grandes eventos destinados a impulsionar uma mensagem nacional. Ela apareceu em Houston na sexta-feira, 25, com a superestrela da música Beyoncé para falar sobre direitos reprodutivos e fará sua mensagem final de campanha na terça-feira, no Ellipse, em Washington, de onde Trump inflamou seguidores para a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

 

Trump frequentemente se compara aos maiores artistas do país. O ex-astro de reality shows há muito fala sobre querer realizar um comício no local em entrevistas e conversas privadas.

 

Além dos holofotes nacionais e do apelo de aparecer em um dos palcos mais famosos do mundo, os republicanos do estado dizem que o comício também ajudará candidatos mais abaixo na cédula eleitoral. Nova York é lar de algumas disputas legislativas que podem determinar qual partido controlará a Câmara no próximo ano.

 

Nova York não vota em um republicano para presidente há 40 anos. Mas isso não impediu Trump de continuar insistindo que acredita que pode vencer.

 

Ele rotineiramente usa sua cidade natal como um espantalho diante de plateias em outros estados, pintando uma visão sombria da cidade que pouco se assemelha à realidade. Ele a descreveu como infestada de crime e dominada por gangues violentas de imigrantes.

 

Ele tem uma relação complicada com o lugar onde construiu seu império empresarial e que o tornou uma estrela de reality shows. Ele foi indiciado no ano passado em 34 acusações criminais de falsificação de registros de negócios e foi considerado culpado nesse caso, e também responsabilizado em tribunal civil por fraude empresarial e abuso sexual. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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O ministro da Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França (PSB), afirmou nesta quarta, 26, que se sente apto para disputar as eleições ao governo do Estado de São Paulo em 2026. Ele disse ter falado com Fernando Haddad, mas o ministro da Fazenda não teria interesse de concorrer ao cargo. A declaração ocorreu em entrevista à CNN Brasil.

"Na eleição passada, o presidente Lula me pediu e eu então abri para que Haddad fosse o candidato", lembrou França. "Dessa vez, como Haddad me disse que não gostaria de disputar, eu me sinto apto", acrescentou, porém, destacando que "2 anos em política é muito tempo".

O ministro afirmou que não tem receio de concorrer à cadeira mais alta do Palácio dos Bandeirantes contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Acho que ele pode ter seus méritos, mas ele representa um tipo de pensamento e eu represento outro tipo de pensamento."

França disse ainda não ter certeza se o atual chefe do Executivo paulista vai disputar as eleições em São Paulo, dado a incerteza de Jair Bolsonaro (PL), inelegível, ser o nome da direita para o pleito presidencial de 2026. "Vai haver uma pressão muito grande agora no Bolsonaro para que ele decida antecipadamente e decida pelo Tarcísio, que é o candidato evidentemente mais forte do campo adversário para uma eleição presidencial", avaliou França.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, organizaram uma missa para rezar pela saúde do Papa Francisco, internado há 12 dias com pneumonia em ambos os pulmões. A cerimônia será realizada nesta quarta-feira, 26, às 18h, no Palácio da Alvorada.

A celebração foi coordenada por Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral da Presidência no primeiro mandato de Lula e amigo próximo do petista. A missa será conduzida por três padres jesuítas e contará com a presença de Dom Raymundo Damasceno, cardeal e arcebispo emérito de Aparecida.

Em nota, o Planalto destacou o "imenso carinho, respeito e admiração" que Lula e Janja têm pelo pontífice.

No início do mês, Janja esteve em Roma, onde participou de compromissos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e encontrou o Papa Francisco. Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, ela aparece cumprimentando o pontífice e conversando com ele em um escritório.

A primeira-dama contou ter agradecido ao Papa pelas orações direcionadas à recuperação de Lula, que, após um acidente doméstico em outubro do ano passado, precisou passar por uma cirurgia de emergência em dezembro para drenar um hematoma intracraniano. "Ele perguntou muito sobre isso", disse Janja.

Lula e Janja já haviam se encontrado com Francisco em junho de 2023, durante uma visita oficial ao Vaticano. Na ocasião, o casal trocou presentes com o líder da Igreja Católica em uma reunião de cerca de 45 minutos. "Toda vez que encontro com ele, é sempre muita emoção", afirmou a primeira-dama no início do mês.

O Papa Francisco apresentou leve melhora nesta quarta-feira, 26. No fim de semana, ele teve crises respiratórias, anemia, queda de plaquetas e precisou de oxigênio e transfusões de sangue.

Mesmo no hospital, Francisco se reuniu na terça-feira, 25, com o secretário de Estado do Vaticano para aprovar decretos sobre possíveis santos. Na segunda-feira, centenas de fiéis, incluindo cardeais e bispos, se reuniram na Praça de São Pedro para rezar pelo pontífice, e as orações continuarão diariamente.

A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a 63,1% no Estado de São Paulo, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta quarta-feira, 26. O índice representa um aumento de quase nove pontos porcentuais desde a edição anterior da pesquisa, em novembro do ano passado.

O governo Lula 3 é aprovado por 34,1% dos paulistas entrevistados - uma diminuição de 8,3 pontos porcentuais em relação ao último levantamento. Já 2,8% não souberam ou não responderam.

A avaliação negativa do governo, ou seja, opiniões que consideram a gestão "ruim" ou "péssima", também aumentou no Estado: foi o caso de 53,5% dos entrevistados, contra 45,5% na pesquisa passada, de novembro.

A avaliação positiva, de quem considera o governo "ótimo" ou "bom", foi de 22,5%, em uma queda de 8,5 pontos porcentuais. Outros 22,4% disseram considerá-lo regular, e 1,6% não soube ou não respondeu.

Em nível nacional, a reprovação ao governo Lula também foi apontada na pesquisa CNT/MDA. A gestão atingiu a pior marca desde janeiro de 2023, classificada como "péssima" por 32% dos entrevistados e "ruim" por 12%.

As avaliações "péssimo" e "ruim" somaram 44%, crescimento de 13 pontos porcentuais desde a rodada anterior do levantamento, também em novembro de 2024. A pesquisa conduziu entrevistas presenciais em 137 municípios do País, entre os dias 19 e 23 de fevereiro.

Como mostrou o Estadão, a queda na popularidade do governo precipitou a reforma ministerial. Na terça-feira, 25, Lula demitiu Nísia Trindade do Ministério da Saúde. Ela será substituída pelo ministro Alexandre Padilha, que deixa o comando da Secretaria de Relações Institucionais.

A tendência é que mudanças ocorram também em outras pastas, com a ascensão de nomes com perfil mais político para tentar imprimir marcas à gestão a tempo das eleições de 2026.

Na avaliação do vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), no momento o governo não tem "posição nem núcleo político".

Eleições

Entre eleitores do Estado de São Paulo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, lidera a preferência de voto, registrando 40,8% de menções no cenário estimulado, segundo o mesmo levantamento do instituto Paraná Pesquisas. O ex-presidente está em vantagem contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado, citado por 26,6% dos eleitores paulistas.

O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT) registra 10,6%, seguido pelo cantor sertanejo Gusttavo Lima (sem partido), com 6,5%. Em seguida, aparecem os governadores Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, com 2,5%, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, com 2,2%, e Helder Barbalho (MDB), do Pará, com 0,5%. Votos brancos ou nulos somam 7%, e 3,2% não responderam.

Jair Bolsonaro acumula duas penas de inelegibilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e está inapto a concorrer a cargos eletivos até 2030. Entre as opções pesquisadas, Ronaldo Caiado também é alvo de um processo que pode torná-lo inelegível até 2026. O governador goiano foi condenado na primeira instância da Justiça Eleitoral, mas cabe recurso.

Em um cenário sem o ex-presidente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) aparece com 31,3% de preferência, liderando numericamente contra Lula, com 27,1%, mas em empate técnico com o petista. Ciro tem 12,7%, Gusttavo Lima, 9,2%, Caiado, 3,9%, Leite, 2,9% e Barbalho, 0,5%. Votos nulos e brancos somam 8,3%, e 4,1% não responderam.

Lula também está empatado tecnicamente em um cenário com a presença do governador Tarcísio de Freitas. Se decidir concorrer ao Palácio do Planalto, Tarcísio tem 30,2% de intenções de voto no eleitorado paulista, em vantagem numérica contra Lula, com 26,7%. Ciro tem 12,4%, Gusttavo Lima, 11,7%, Caiado, 2,8%, Leite, 2,6% e Barbalho, 0,5%. Votos nulos e brancos somam 8,4%, e 4,6% não responderam.

Lula só lidera a preferência de votos em São Paulo em um cenário contra Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná. Nessas circunstâncias, Lula tem 27,1% de menções, seguido por Ratinho, com 15,8%. Ciro registra 14,9%, Gusttavo Lima, 14,2%, Caiado, 4,7%, Leite, 3,3% e Barbalho, 0,7%. Votos nulos e brancos somam 13,8%, e 5,5% não responderam.

Os cenários são de pesquisa estimulada. Na espontânea, Bolsonaro lidera numericamente contra Lula, mas há empate técnico no limite da margem de erro: o ex-presidente tem 17% e o petista, 13,3%. As menções a outros candidatos somam 5,8%. Na pesquisa espontânea, 57,1% dos entrevistados não souberam responder, e 6,8% afirmam que votarão branco ou nulo.

O Paraná Pesquisas divulgou nesta terça-feira, 25, um levantamento sobre a intenção de voto ao governo estadual e ao Senado por São Paulo. Segundo o instituto, Tarcísio lidera as intenções de voto tanto no cenário estimulado quanto na pesquisa espontânea.

Ainda de acordo com o levantamento, a presença do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (PSB) na disputa impediria uma reeleição do atual governador já no primeiro turno. Nos cenários sem Tarcísio, o candidato melhor colocado é o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Quanto ao Senado, nomes como o do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), do secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PL-SP), e do deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) despontam à direita; à esquerda, o jogador Raí (sem partido) e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), são os mais citados.

O Paraná Pesquisas ouviu 1.650 pessoas, no Estado de São Paulo, entre os dias 20 e 23 de fevereiro. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança da pesquisa é de 95%.