Terremoto no Nepal deixa pelo menos 128 mortos

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Helicópteros e tropas terrestres correram para ajudar as pessoas feridas em um forte terremoto que sacudiu distritos no noroeste do Nepal pouco antes da meia-noite de sexta-feira, 3, matando pelo menos 128 pessoas e ferindo dezenas de outras, disseram as autoridades neste sábado.

As autoridades disseram que o número de mortos deve aumentar, observando que as comunicações foram cortadas em muitos lugares. No hospital regional da cidade de Nepalgunj, mais de 100 leitos foram disponibilizados e equipes de médicos ficaram à disposição para ajudar os feridos.

"Eu estava dormindo profundamente quando, de repente, tudo começou a tremer violentamente. Tentei correr, mas a casa inteira desabou. Tentei fugir, mas metade do meu corpo ficou enterrado nos escombros", disse Bimal Kumar Karki, uma das duas primeiras pessoas a serem levadas para o hospital regional.

"Eu gritei, mas todos os meus vizinhos estavam na mesma situação e gritavam por socorro. Levou quase meia hora ou uma hora até que os socorristas me encontrassem", disse ele.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o terremoto teve uma magnitude preliminar de 5,6 e ocorreu a uma profundidade de 18 km. O Centro Nacional de Monitoramento e Pesquisa de Terremotos do Nepal disse que o epicentro foi em Jajarkot, que fica a cerca de 400 quilômetros a nordeste da capital do Nepal, Katmandu.

No início do sábado, helicópteros de resgate voaram para a região para ajudar e as forças de segurança no local estavam retirando os feridos e mortos dos escombros, disse o porta-voz da polícia do Nepal, Kuber Kadayat.

As tropas estavam limpando estradas e trilhas nas montanhas que foram bloqueadas por deslizamentos de terra provocados pelo terremoto. Helicópteros transportaram profissionais da área médica e medicamentos para os hospitais da região.

O primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal também voou em um helicóptero com uma equipe de médicos. Dahal liderou uma revolta comunista armada de 1996 a 2006, que começou nos distritos atingidos pelo terremoto.

No distrito de Jajarkot, o epicentro do terremoto, 92 pessoas foram confirmadas como mortas e outras 55 ficaram feridas, disse Kadayat. O terremoto matou pelo menos 36 pessoas no distrito vizinho de Rukum, onde várias casas desabaram, e pelo menos 85 pessoas feridas foram levadas ao hospital local, disse ele.

As autoridades de segurança trabalharam com os moradores durante toda a noite, na escuridão, para retirar os mortos e feridos das casas caídas.

O terremoto, que ocorreu quando muitas pessoas já estavam dormindo em suas casas, foi sentido na capital da Índia, Nova Délhi, a mais de 800 quilômetros de distância.

Os terremotos são comuns no montanhoso Nepal. Um terremoto de magnitude 7,8 em 2015 matou cerca de 9 mil pessoas e danificou cerca de 1 milhão de estruturas.

A vizinha Índia se ofereceu para ajudar nos esforços de resgate.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, publicou nas mídias sociais que estava profundamente triste com a perda de vidas e os danos causados pelo terremoto no Nepal. "A Índia é solidária com o povo do Nepal e está pronta para oferecer toda a assistência possível", disse ele.

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O empresário Cláudio Fernando Aguiar, que foi candidato a prefeito de Guarujá (litoral de São Paulo) pelo Partido Novo em 2024, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Policiais federais fizeram buscas na casa dele nesta terça-feira, 11, na Operação Emergentes.

O Estadão pediu manifestação do político e do Partido Novo, o que não havia ocorrido até a publicação deste texto. O espaço segue aberto

O nome de Cláudio surgiu na investigação a partir da quebra do sigilo da nuvem de Bruno Costa Calixta, conhecido como Boy ou Cachoeira, apontado como "disciplina" do PCC no Guarujá.

O contato do empresário estava salvo no celular de Calixta como "Dr Claudio Irmão", o que segundo a Polícia Federal permite "inferir algum tipo de ligação" dele com a facção, "em virtude de a nomenclatura 'irmão' ser comumente utilizada pelos integrantes da organização criminosa".

A PF também encontrou conversas entre Cláudio e Calixta, além de vídeos em que os dois aparecem juntos em um haras. Em uma mensagem, o político afirma: "Mal sabe ele que a gente é mais bandido que ele 50 vezes".

Em outro diálogo, Bruno Calixta fala sobre a amizade com Cláudio: "Nossa amizade vai além de um jantar né, Doutor? Então, contigo eu posso ficar um mês sem te ver, mas a gente vê quem é amigo. Aquele que, sem estar na nossa frente, não fica falando mal da gente, né?"

Em 2024, Cláudio teve 5.342 votos no primeiro turno e não conseguiu uma vaga no segundo turno da eleição para prefeito de Guarujá. Ele também foi candidato a deputado estadual pelo PL em 2022 e a governador pelo PMN em 2018.

A Operação Emergentes fez buscas em 26 endereços em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido em Portugal. Foram expedidos ainda mandados de prisão contra sete investigados e determinadas medidas de bloqueio e sequestro de bens e valores.

A investigação que levou a PF a deflagrar a Emergentes foi aberta em abril de 2024 a partir da Operação Sólis. A Polícia Federal mira um esquema de tráfico internacional de drogas. Segundo a PF, cargas de cocaína estavam sendo escondidas em cascos de navios com o auxílio de mergulhadores recrutados pelo PCC.

Pouco mais de um ano após serem impedidos por decisão judicial de manter contato, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reencontraram em público nesta quarta-feira, 12, em um restaurante em Brasília. A proibição de diálogos e encontros entre os dois ocorreu no ano eleitoral e, agora, ambos miram o próximo ciclo de eleições no ano que vem, com foco em aprovar o Projeto de Lei (PL) da Anistia antes disso.

"O PL da Anistia para nós é uma prioridade. Todos os partidos, com exceção da esquerda estão do nosso lado, ou muito favoráveis", disse Bolsonaro.

O encontro de Bolsonaro e Valdemar ocorreu em uma churrascaria no Setor de Clubes Norte, na capital federal. Antes de entrar no restaurante, Valdemar afirmou que estava com "muita saudade" de Bolsonaro. A decisão que proibiu o contato entre os dois partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em fevereiro do ano passado, após a Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Tempus Veritatis, que cumpriu mandados de busca e apreensão no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022.

Diferentemente de Bolsonaro, Valdemar foi indiciado, mas não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento na tentativa de golpe que previa impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para manter o então presidente no Palácio do Planalto. A medida cautelar que impedia os dois de conversar foi revogada por Moraes nesta terça-feira, 11.

Agora com o contato restabelecido, o chefe do PL e o presidente de honra da sigla centram esforços em mobilizar a base bolsonarista. Para isso, Valdemar promete conversar "todos os dias (com Bolsonaro) sobre política e as bombas eu jogo todas na mão do Bolsonaro".

Também estiveram no almoço a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Carlos Portinho (PL-RJ), os deputados Altineu Côrtes (PL-RJ) e Eduardo Pazuello (PL-RJ) e o ex-ministro Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro espera reunir um milhão no Rio

O ex-presidente disse esperar até um milhão de pessoas no ato de rua que será realizado na Avenida Paulista no domingo, 16. Segundo ele, a tônica do seu discurso será exclusivamente sobre o PL da Anistia, pauta que é tratada como prioridade no partido.

"Não vou cobrar o Hugo Motta. Ele sabe o que tem que fazer. É uma pessoa equilibrada. Conversei com ele antes das eleições. Não fiz exigência nenhuma. Nós, como parlamentares, você olhando no olho sabe o que o outro quer. Não é prioridade minha não, é de quem tem coração", disse Bolsonaro.

Ele desembarcou em Brasília na manhã desta quarta-feira após compromisso em São Paulo. No desembarque, o ex-presidente se encontrou com o secretário de governo de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o abraçou. De acordo com Bolsonaro, não deu tempo de aprofundar nenhuma conversa, mas relatou já ter procurado o dirigente partidário para pedir o apoio do partido ao PL da Anistia.

Ainda segundo relatos do ex-presidente, Kassab se declarou favorável à proposta. Em declarações públicas, o presidente do PSD liberou os parlamentares para votarem como quiserem.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Ele minimizou o movimento do PT e do governo para vetá-lo, assim como o descontentamento de ministros do STF por causa das relações do deputado com o governo Donald Trump, sob o argumento de que Eduardo é a pessoa certa para o cargo. "O Eduardo é amigo do Trump. Queria que fosse amigo de quem? Do Maduro? Isso é crise? É solução", afirmou.

A matéria enviada anteriormente estava truncada. Segue a versão correta:

A Espanha negou o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) pela extradição do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio. O argumento que embasa a decisão é de que os atos atribuídos a Eustáquio não configurariam crime no País e estariam protegidos pelo direito à liberdade de expressão.

No parecer, ao qual o Estadão teve acesso, a procuradora espanhola Teresa Sandoval escreveu que não há "dupla tipicidade" ou "dupla incriminação", quando a conduta é considerada um crime nos dois países.

"Os atos constituem, segundo a legislação brasileira, um crime de abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado. Na legislação espanhola vigente, esses atos não constituem crime, ao estarem amparados pela liberdade de expressão. Portanto, a dupla incriminação normativa não se aplica", explicou.

Para a defesa do blogueiro, "o Brasil está fadado a ver negada a extradição e concedido o asilo". Eustáquio está na Espanha desde 2023 e é considerado foragido. Ele enfrenta acusações de ameaça, corrupção de menores e tentativa de abolição do Estado democrático de direito, e tem dois mandados de prisão preventiva emitidos pelo ministro Alexandre de Moraes.

O pedido do STF negado pela Justiça espanhola nesta semana inclui uma investigação sobre a divulgação de dados do delegado da Polícia Federal (PF) Fábio Shor. Os fatos são descritos no parecer da procuradoria.

Neste processo, Eustáquio é acusado de usar o perfil da filha de 16 anos para conduzir uma campanha virtual contra o delegado, após o indiciamento de Bolsonaro. O perfil fez três publicações em que expõe a esposa de Shor, divulga uma imagem do delegado e o acusa de "prender patriotas inocentes e fazer milhares de crianças chorarem por seus pais".

Uma das postagens no perfil da menina traz o outro filho do blogueiro como uma "testemunha": "Bernardo Eustáquio, uma das milhares de crianças vítimas do delegado Fábio Alvarez Shor, dá o seu testemunho sobre a crueldade do responsável pelo indiciamento de Bolsonaro, conhecido como capataz de Alexandre de Moraes. A denúncia do meu irmão tem o aval de 131 delegados", dizia a publicação.

Durante as investigações, o delegado Fábio Shor cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa da família, apreendendo aparelhos celulares e tablets. Nas postagens feitas usando o perfil da menina, Shor era acusado de "roubar" celulares e "invadir" o quarto dos adolescentes.

Ele conduz o inquérito das milícias digitais e é um dos quatro agentes que subscrevem o inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A apuração indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e serviu de base para a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra ele e outras 33 pessoas.

Após os posts, perfis de políticos e lideranças de direita também passaram a publicar incitações contra o agente da PF. No entendimento do STF, Eustáquio usou os filhos para expor o delegado.

O blogueiro também é apontado como um dos principais alvos da investigação sobre as milícias digitais por conta de sua atuação na internet com ataques e desinformação em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em acordo de delação premiada firmado com a PF no âmbito do inquérito do golpe, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, afirmou que, em dezembro de 2022, o então presidente autorizou o acesso ao Palácio da Alvorada a três blogueiros aliados que temiam ser presos pela Polícia Federal, entre eles Oswaldo. No dia, as imediações da sede da instituição, em Brasília, foram alvo de vandalismo.

Segundo Cid, os blogueiros Oswaldo Eustáquio, Bismark Fugazza e Paulo Souza telefonaram a Bolsonaro relatando a apreensão e o então presidente determinou que a entrada deles fosse liberada.