O mercado apresenta muitas opções de medicamentos para emagrecimento, alguns comercializados em uma versões mais baratas e sem regulamentações da ANVISA -Agência Nacional de Vigilância Sanitária-. Mais um motivo para um alerta dos especialistas aos pacientes. Isso porque a preocupação à classe médica não se restringe à insegurança dessas ‘medicações’. Segundo dados do último relatório produzido pela Federação Mundial da Obesidade, o Atlas Mundial da Obesidade 2025, a obesidade e o sobrepeso afetam cada vez mais a população global. No Brasil, a projeção para este ano (2025) é que afete quase 31% dos adultos e, até 2030, a doença aumente em 46,2% entre as mulheres e 33,4% entre os homens.
A Dra. Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia pela USP e metabologista, ressalta que a obesidade vem sendo discutida há alguns anos em congressos internacionais pelos especialistas, apontada como uma das maiores preocupações globais. Ela explica que se trata de uma doença crônica, multifatorial e complexa. “Não há receitas milagrosas, mas sim alternativas baseadas em estudos científicos sérios”, alerta a médica.
Além disso, ela ressalta que a obesidade está relacionada a diversos fatores. “Portanto, é fundamental que o paciente faça uma avaliação com especialista, embasada em exames laboratoriais. Nem sempre a patologia está atrelada ao peso indicado na balança. Sem contar as demais doenças que ela pode acarretar, como hipertensão, diabetes etc”, enfatiza a especialista em emagrecimento saudável.
Genética, ansiedade e compulsão alimentar estão entre os principais gatilhos para a gordura excedente no organismo. “O importante não é o quanto se pesa ou se emagrece, mas como o paciente se sente e os impactos na sua saúde”, acrescenta a Dra. Elaine.
A obesidade também reflete em diversos outros sistemas do corpo: coração, fígado, rins, articulações e sistema reprodutivo. “Ela é capaz de provocar uma série de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e várias formas de câncer, bem como problemas de saúde mental”, explica a endocrinologista e metabologista.
“Para identificar a patologia e o tipo de obesidade, além do cálculo do IMC, que é uma medida simples relacionando peso e altura, é fundamental fazer uma avaliação mais precisa, incluindo análises complementares como a medição da circunferência abdominal, densitometria corporal e a bioimpedância, que oferecem uma visão mais detalhada da composição corporal”, orienta a Dra. Elaine.
Saiba como prevenir a obesidade
A médica especialista aponta que alguns hábitos são fundamentais para melhorar a saúde de modo geral e, consequentemente, prevenir a obesidade. “Uma dica para saber se os alimentos que estão sendo ingeridos são ideais ou não é ter em mente a importância do descascar mais e abrir menos. Comer o máximo possível de opções não industrializadas, preferir as que sejam frescas e naturais, evitando, principalmente, as ultraprocessadas e ricas em gorduras trans. Esses alimentos levam à inflamação do nosso corpo, piorando o hormônio do estresse, que é um dos principais impulsionadores da compulsão que leva ao sobrepeso e à obesidade, impactando em todo o metabolismo. Isso, em pessoas que possuem comorbidades, como diabetes, hipertensão, entre outras, provoca agravamento e eleva os riscos de consequências muito sérias”, ressalta a Dra. Elaine.
A Dra. Elaine reforça que algumas práticas precisam ser incorporadas ao dia a dia, independentemente da idade, da atividade profissional e de ter alguma patologia. Três dicas infalíveis, são:
- Criar um ambiente saudável em casa e no trabalho: evitar o que é chamado de ambiente obesogênico. Assim, caso haja algum episódio de compulsão, se a pessoa tiver acesso somente a alimentos magros, automaticamente irá comê-los no lugar de opções prejudiciais à saúde;
- Alimentação rica em fibras: elas são grandes aliadas na sensação de saciedade, além de ajudarem a diminuir os níveis de açúcar no organismo;
- Básico bem-feito: água para hidratação do corpo, arroz com feijão, ovo, frutas, verduras e legumes são essenciais e acessíveis a todos.
Desafios da obesidade: doença deve aumentar em 46,2% entre as mulheres no Brasil até 2030, segundo projeções
Tipografia
- Pequenina Pequena Media Grande Gigante
- Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
- Modo de leitura