Celebrado no dia 02 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em prol de alertar e debater sobre discriminação e preconceito contra pessoas autistas. A campanha tem ganhado cada vez mais força com o número crescente de diagnósticos, trazendo o tema para os holofotes do debate.
Dados de 2010 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontavam que o Brasil teria cerca de 2 milhões de autistas, mas pesquisas recentes apontam um número ainda maior. Um levantamento recente do Center for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos mostrou que o número de diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) estava para 1 a cada 44 crianças em 2022.
Adaptando a proporção para a população brasileira, isso resultaria em um contingente de mais de 4 milhões de pessoas. Dados do Censo escolar do Brasil reforçam a estimativa, registrando 636.202 estudantes com TEA matriculados em escolas públicas e privadas no ano de 2023.
Para o psicólogo do Grupo São Lucas Daniel Carvalho (CRP: 06/160721), os dados apontam a importância de um olhar atento para o diagnóstico e tratamento multidisciplinar. Segundo ele, os critérios utilizados para diagnosticar TEA descritos no manual estatístico e diagnóstico de transtornos mentais da associação americana de psiquiatria e pela classificação internacional de doenças são aspectos clínicos, caracterizados por movimentos estereotipados ou comportamentos repetitivos, déficits na comunicação social, fixação ou interesses repetitivos e rígidos.
“Em geral, os sinais mais comuns são atraso no sorriso social, preferir objetos a pessoas, dificuldade em fazer ou manter contato visual, inadequada interação social, atraso no desenvolvimento da linguagem e incômodo anormal mediante excessiva estimulação, como sons altos. Para auxiliar na conclusão do diagnóstico de TEA, é possível que a pessoa faça uma avaliação neuropsicológica com um especialista, a fim de avaliar algumas funções, tais como atenção, memória, linguagem, funções executivas e habilidades sociais e emocionais. Todavia, isoladamente, nenhum teste neuropsicológico é responsável por diagnosticar o transtorno. O diagnóstico deve ser estruturado por um raciocínio clínico multidisciplinar, partindo de uma visão global, biológica, contextual e histórico-social do sujeito, o que inclui a realização de entrevistas, observação, teste entre outros processos”, explica.
Tratamento e adaptação
A intervenção para o tratamento em autistas é multidisciplinar e deve sempre ocorrer de forma articulada, tanto no período que antecede o fechamento do diagnóstico, quanto posterior ao diagnóstico do paciente. Alguns dos profissionais que acompanham o processo são neuropediatra, pediatra, fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, entre outros.
No âmbito da psicologia, Daniel explica que atualmente o mais recomendado e utilizado em terapia para autistas é o modelo de Análise de Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis – ABA). As intervenções dependem do nível dos déficits apresentados pelo sujeito, sua faixa etária e contexto social inserido. Os métodos aplicados trabalham aspectos do comportamento social, acadêmico e atividades da vida diária, como contato visual, comunicação funcional, leitura, escrita e matemática e higiene pessoal, bem como a redução de comportamentos agressivos, estereotipias, autolesões, agressões verbais e fugas.
O psicólogo ainda aponta a importância do envolvimento e dedicação familiar durante o processo, bem como da participação, adaptação e compreensão escolar ou até mesmo empresarial no caso de adultos, fundamental no processo de inclusão.
“De modo geral, é preciso agir com atendimento humanizado, intervenções baseadas em evidências cientificas e promover a inclusão. É preciso combater preconceitos e discriminações baseados nas ideias capacitistas. O capacitismo é uma forma de discriminação baseada na suposição equivocada de que pessoas com deficiências estão menos aptas a realizar tarefas da vida comum. É preciso erradicar o capacitismo e valorizar o humano, o sujeito e sua singularidade, afinal todos nós possuímos limitações e buscamos o desenvolvimento”, conclui.
Abril azul: Brasil pode ter mais de 4 milhões de autistas
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