Ministros de Lula recebem 'jetons' que turbinam salário anual em até R$ 257 mil

Política
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Quatro ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebem salários extra por participarem de conselhos fiscais de empresas públicas do Sistema S. O pagamento desses honorários é conhecido como jetom e também é feito a outros quatro membros do primeiro escalão do petista, totalizando oito ministros que recebem valores extras.

Apesar de obrigadas a fornecer os valores da remuneração em formato aberto, como prevê a Lei de Acesso à Informação, as entidades do Sistema S não têm disponibilizado os rendimentos de seus conselheiros de forma integral. Procuradas, as instituições não se manifestaram. Os ministros que recebem os jetons também não retornaram.

O Sesc conta com os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) em seu conselho fiscal, mas forneceu ao Portal da Transparência da União apenas os valores pagos a Padilha. Entre janeiro de outubro de 2024, Padilha participou de duas reuniões no Sesc. Ao final do ano, os pagamentos mensais da instituição ao ministro somaram R$ 257 mil.

O mesmo ocorre com o Senac, que tem como conselheiros Marcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) e Camilo Santana (Educação), mas só fornece os valores pagos a Macêdo. Em 2024, o ministro participou de sete encontros da entidade, somando, no ano, R$ 129 mil em salários extra.

Jetons são pagamentos extras realizados pela participação em conselhos de empresas públicas, como conselho fiscal, de administração e de auditoria. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu em maio de 2023 que essas verbas não estão sujeitas ao teto remuneratório do serviço público, que atualmente é de R$ 46 mil.

O STJ acatou um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual foi reconhecido que um ministro de Estado pode acumular as funções de conselheiro de uma empresa pública.

Padilha, Marinho, Macêdo e Santana não são os únicos ministros de Lula a receber remunerações extras por participação em conselhos, em que não há transparência em relação aos valores. Assim como as entidades sistema S, a Itaipu Binacional remunera seus conselheiros, mas não divulga o valor pago. Como mostrou o Estadão, a remuneração prevista em 2024 era de R$ 34 mil para cada conselheiro da Itaipu.

Integram o conselho da Itaipu os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

O vice-presidente Geraldo Alckmin , que acumula a pasta de Comércio, Indústria e Serviços, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, integram o conselho fiscal da Apex Brasil, mas a função não é remunerada. No total, há dez titulares de ministérios com assentos em conselhos de instituições, oito dois quais recebendo salários a mais.

A prática de conceder jetons a membros do primeiro escalão não ocorre somente no Executivo federal. Como mostrou o Estadão, em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) desembolsa mensalmente R$ 2,3 milhões com remunerações extras para aliados políticos, inclusive membros de seu secretariado.

Em alguns casos, o servidor acumula remunerações relativas à presença em dois ou mais conselhos. É o que ocorre com Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública, que recebe R$ 13,2 mil em gratificações por mês por ser conselheiro da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O Estadão identificou que, no Executivo paulista, há servidores que marcam presença em até quatro conselhos diferentes.

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O Senado argentino rejeitou nesta quinta-feira, 3, as nomeações de dois juízes candidatos à Suprema Corte indicados pelo presidente Javier Milei por decreto. Segundo a imprensa da Argentina, esta é a primeira vez desde 1983 que o Senado vota contra a candidatos propostos pelo Executivo.

O governo precisava do apoio de dois terços do Senado, onde tem apenas sete das 72 cadeiras, mas as indicações foram rejeitadas por uma grande maioria. Segundo o La Nacion, a nomeação de Ariel Lijo foi rejeitada por 43 votos contra e 27 a favor, com uma abstenção. Já Manuel García-Mansilla, por sua vez, foi vetado por 51 senadores e apoiado por apenas 20.

Os dois foram indicados por Milei em fevereiro, quando o presidente ultraliberal contornou o Congresso invocando uma cláusula da constituição argentina que, segundo ele, o autorizava a preencher as cadeiras vagas durante o recesso de verão da legislatura.

Com a medida formalizada em decreto, a permanência no cargo seria até o final do mandato legislativo, cujas sessões regulares terminam em 30 de novembro. Políticos criticaram duramente a decisão como um abuso do poder executivo, dizendo que um presidente tem autoridade extremamente limitada para fazer nomeações judiciais durante um recesso do Congresso.

García-Mansilla chegou a ser empossado. Mas o mesmo não ocorreu com Lijo, um juiz federal criminal e correcional que interveio em vários casos de corrupção envolvendo ex-funcionários de todo o espectro político. A maioria do Tribunal considerou que, como ele não havia renunciado ao cargo de juiz de primeira instância, não poderia assumir o cargo de juiz do Tribunal, mesmo que sua nomeação fosse temporária.

A derrota pode complicar a implementação da reforma radical do Estado argentino proposta por Milei, já que analistas dizem que o presidente esperava preencher as vagas na Suprema Corte com indicados que decidiriam favoravelmente sobre os desafios às suas reformas econômicas.

Entre os diversos processos em tramitação no Supremo argentino, o mais notável é o recurso interposto nesta segunda-feira pela ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015) que pede a revisão da sentença de corrupção contra ela.

Em resposta ao revés, Milei defendeu seus candidatos e acusou os legisladores de politizar injustamente suas indicações. Em uma declaração nesta quinta-feira à noite, o gabinete de Milei disse que "repudia" a votação.

"O Senado rejeitou as nomeações propostas pelo presidente por razões puramente políticas e não por razões de adequação", disse, argumentando que deixar as duas cadeiras vazias no tribunal constituía um esforço para obstruir a justiça.

A nota afirma que Milei tentaria "restaurar a confiança das pessoas nas instituições usando todas as ferramentas que a constituição e o voto popular colocaram em suas mãos". (Com agências internacionais).

O Reino Unido e a França acusaram, nesta sexta-feira, 4, o presidente russo, Vladimir Putin, de atrasar as negociações para um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, aumentando a pressão para que Moscou dê uma resposta imediata aos Estados Unidos sobre essa questão.

A Rússia rejeitou uma proposta dos EUA para uma paralisação total e imediata de 30 dias nos combates. "Nosso julgamento é que Putin continua a se esquivar, continua arrastando os pés", disse o Secretário de Relações Exteriores britânico, David Lammy, a repórteres na sede da Otan, em Bruxelas, ao lado de seu homólogo francês, Jean-Noel Barrot.

O francês acrescentou que a Ucrânia aceitou os termos do cessar-fogo três semanas atrás e que agora a Rússia "deve uma resposta aos Estados Unidos". "A Rússia tem sido inconstante, continuando com ataques à infraestrutura energética da Ucrânia e com crimes de guerra", considerou.

Ambos os ministros ainda prometeram continuar ajudando a fortalecer as forças armadas da Ucrânia. Fonte: Associated Press.

O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul oficializou nesta sexta-feira, 4, a remoção do presidente Yoon Suk Yeol do cargo. Acusado de tentar dar um golpe de Estado, Yoon estava afastado das funções desde o dia 14 de dezembro, quando teve o impeachment aprovado pela Assembleia Nacional.

A decisão foi unânime, com oito votos pelo afastamento definitivo de Yoon. A Coreia do Sul deverá realizar uma nova eleição presidencial daqui a dois meses. Até lá, o primeiro-ministro Han Duck-soo ocupará a presidência.

Yoon ficou detido por dois meses sob a acusação de insurreição, até que um tribunal cancelou o pedido de prisão no mês passado. Em dezembro, o então presidente decretou lei marcial e fechou o Parlamento, que foi cercado por militares.

O líder do Partido Democrático, Lee Jae-myung, aparece como favorito nas pesquisas de intenção de voto. Fonte: Associated Press.