Ex-presidente do STM defende punição de Pazuello por ida a ato político

Política
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O ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), tenente-brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla, criticou a participação do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, de um ato de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, no domingo, no Rio. Para Ferolla, que considerou o episódio "vergonhoso", quanto mais alta a hierarquia do oficial, mais responsabilidade ele tem e mais grave é a indisciplina. "Se você aceitar isso, acabou a disciplina nas Forças Armadas", afirmou.

O Exército abriu na segunda-feira passada uma apuração disciplinar sobre a ida de Pazuello ao ato - oficiais da ativa são proibidos de participar de manifestações políticas. A decisão já foi comunicada ao ex-ministro da Saúde. Ao fim do processo, o comandante do Exército pode aplicar pena que vai de advertência verbal até prisão por, no máximo, 30 dias.

Como o senhor avalia os últimos acontecimentos envolvendo as Forças Armadas e o governo?

A radicalização tem de acabar, tanto da esquerda como da direita. É preciso encontrar um caminho, que muitos estão chamando de terceira via. O problema é saber quem vai representar essa terceira via.

Como ex-presidente do STM, como o senhor avalia a presença do general Eduardo Pazuello em um ato político-partidário sendo ele um militar da ativa?

Por enquanto trata-se de um caso disciplinar. A declaração do vice-presidente, o general Hamilton Mourão, foi muito clara: o Exército tem de tomar providência e o Alto Comando está exigindo providências. Sempre fui crítico à tentativa de se envolver as Forças Armadas com o governo. Muitos dos generais que hoje criticam o governo estiveram com o governo. Claro que eles fizeram bem em sair, mas é muito sério o que se passou. Comparo o presidente ao Dom Quixote, pois ele transforma cada general que está ao lado dele em Sancho Pança.

O senhor concorda com o general Hamilton Mourão, que defendeu punição pelo ato?

O general Mourão é ponderado, colocou a coisa de maneira clara. Ele não concorda, mas não quer criar atrito com o presidente, não tem a intenção de gerar crises. Ele falou que o Pazuello pode até passar para a reserva para atenuar. Mas acontece que não atenua, pois o militar da ativa ou da reserva comete o mesmo crime. Mas o problema ainda não é jurídico, é disciplinar. Ele contrariou o Regulamento Disciplinar das Forças Armadas, o do Exército, particularmente. Isso pode redundar em coisa mais grave, mas, por enquanto, não.

O que poderia ser mais grave no caso?

No caso, deve haver uma decisão do Alto Comando do Exército. O procedimento regulamentar é o seguinte: o militar que comete ato de indisciplina grave é julgado na Força dele. O comandante da Força é obrigado a promover o processo que se chama Conselho de Justificação. No conselho, o fulano é acusado e defendido dentro da Força. Se a coisa for só disciplinar, o comandante vai punir como achar que deve punir. Se achar que cometeu crime, que o fato foi mais grave, ele encaminha o processo para o STM e o STM vai julgar se cometeu crime ou não. O atual presidente, como capitão, cometeu indisciplina gravíssima e foi submetido ao Conselho de Justificação, que foi mandado ao STM e este decidiu que ele não cometeu crime, mas indisciplina grave. Ele seria punido com severidade pelo Exército na época. Ele, vendo essa situação, pediu para sair, passou para a reserva e foi ser político. Parece que temos agora o Pazuello aí. O caso do general é de indisciplina, que está dentro da jurisdição militar. Agora tem outro problema, que é a CPI. Estou me limitando a analisar o que aconteceu no Rio, que é vergonhoso, está enlutando Caxias.

Como assim?

Caxias está de luto porque a organização militar pura não aceita o que estão fazendo. Essa história de que vai botar militar na política não pode. Militar não deve entrar na política e a política não pode entrar no quartel, se não vira bando, acabam a hierarquia e a disciplina. O fundamento da instituição militar é a hierarquia e a disciplina. Portanto, é grave. O Comando tem de tomar providências. Se você aceitar isso, acabou a disciplina nas Forças Armadas, porque o tenente, o sargento e o cabo têm sido punido dentro da lei. Não pode ser diferente com o general. Quanto mais hierarquia ele tiver, mais responsabilidade ele tem e mais grave é a indisciplina. Ele participou de um desfile de moto ao lado do presidente, desrespeitando... Como militar, ele não podia de jeito algum. Queira ou não queira, isso reflete na organização militar. Se não for punido, como você vai punir um sargento depois? Um tenente, um capitão? O STM não vai passar a mão na cabeça de alguém que praticou crime militar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Os pilotos de um voo da Southwest Airlines que tentavam pousar no Aeroporto Midway, em Chicago, nos Estados Unidos, foram forçados a subir de volta ao céu para evitar outra aeronave que cruzava a pista na manhã desta terça-feira, 25.

Um vídeo da câmera do aeroporto postado no X mostra o avião da Southwest se aproximando da pista pouco antes das 9h, horário local, antes de arremeter abruptamente. Um jato menor é visto cruzando a pista que a aeronave de passageiros deveria usar.

O voo Southwest 2504 pousou com segurança "depois que a tripulação realizou uma arremetida preventiva para evitar um possível conflito com outra aeronave que entrou na pista", disse um porta-voz da companhia aérea em um e-mail. "A tripulação seguiu os procedimentos de segurança, e o voo pousou sem incidentes."

Instruções

Uma gravação de áudio da comunicação entre o jato menor e a torre de controle registrou o piloto errando as instruções de um funcionário da torre de solo, que repetiu que o piloto deveria "aguardar antes" da pista. Cerca de 30 segundos depois, a torre ordenou que o piloto "mantivesse sua posição." Em seguida, o controlador disse: "FlexJet560, suas instruções foram para aguardar antes da pista 31 central".

Separadamente, uma gravação da comunicação entre a tripulação da Southwest e outro funcionário da torre de controle capturou o piloto relatando: "Southwest 2504 arremetendo" e seguindo as instruções para subir de volta a 3.000 pés. Segundos depois, o piloto perguntou à torre: "Southwest 2504, como isso aconteceu?"

O segundo avião, descrito como um jato executivo, entrou na pista sem autorização, segundo a Administração Federal de Aviação (FAA). A Flexjet, dona da aeronave, afirmou estar ciente do ocorrido em Chicago.

"Flexjet segue os mais altos padrões de segurança e estamos conduzindo uma investigação minuciosa", disse um porta-voz em comunicado. "Qualquer ação necessária para garantir os mais altos padrões de segurança será tomada." Tanto a FAA quanto o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) afirmaram estar investigando o incidente.

O voo da Southwest partiu de Omaha, Nebraska, com destino ao Aeroporto Midway, segundo o site FlightAware. O áudio do controle de tráfego aéreo deixa claro que o jato executivo não seguiu a instrução clara de não cruzar a pista, afirmou Jeff Guzzetti, ex-membro do NTSB e ex-investigador da FAA.

Guzzetti classificou o caso como uma "incursão de pista muito grave", mas acrescentou: "no entanto, o céu não está caindo, pois o ano passado registrou o menor número de incursões graves em uma década". Em 2023, ocorreram 22 desses eventos, mas apenas sete em 2024, segundo dados da FAA. Diversos fatores podem contribuir para esses incidentes, disse Guzzetti: "A tripulação estava distraída? O controlador estava sobrecarregado?"

O Secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou na tarde de terça-feira no X que, enquanto NTSB e FAA investigam, uma coisa está clara: "É imperativo que os pilotos sigam as instruções dos controladores de tráfego aéreo. Se não o fizerem, suas licenças serão revogadas".

John Goglia, ex-membro do NTSB, disse que o quase acidente mostrou que "o sistema funcionou exatamente como foi projetado". Isso porque o piloto da Southwest percebeu que o outro avião não pararia a tempo, afirmou.

Os investigadores provavelmente examinarão fatores como a equipe presente na torre de controle e se as instruções foram claras. "Essas coisas acontecem", disse ele, mencionando possíveis falhas de comunicação, como um piloto ouvindo errado as instruções.

Nas últimas semanas, quatro grandes desastres aéreos ocorreram na América do Norte:

- 6 de fevereiro: Queda de um avião comercial no Alasca, matando todas as 10 pessoas a bordo.

- 26 de janeiro: Colisão aérea entre um helicóptero do Exército e um voo da American Airlines no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, matando todas as 67 pessoas a bordo.

- 31 de janeiro: Queda de um jato de transporte médico em um bairro da Filadélfia, matando sete pessoas, incluindo uma criança paciente, sua mãe e quatro tripulantes.

- 17 de fevereiro: Um voo da Delta tombou e pousou de cabeça para baixo no Aeroporto Pearson, em Toronto, Canadá, deixando 21 feridos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou um vídeo nesta quarta-feira, 26, com a sua visão sobre o controle da Faixa de Gaza, na Truth Social. O conteúdo produzido por inteligência artificial (IA) traz imagens de estátuas de ouro com a face do republicano, além do bilionário Elon Musk passeando e jogando notas de dinheiro pela região, resorts luxuosos e dançarinas seminuas. Traz também Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, descansando às margens de uma piscina.

Em mais de uma ocasião, o presidente norte-americano defendeu que os Estados Unidos assumam o controle de Gaza para "alcançar a paz na região", mas com o deslocamento dos habitantes palestinos para outras regiões.

Trump não deu detalhes sobre onde a população poderia ser abrigada e países árabes rejeitaram a ideia, defendendo uma solução de dois Estados que envolva a Palestina.

A Gaza "repaginada" por Trump substituiria o atual cenário de guerra entre Israel e Hamas, que já dura mais de um ano e matou mais de 48 mil palestinos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.

A primeira fase do cessar-fogo entre Israel e o Hamas está prestes a ser concluída. O acordo expira em março e não há certeza sobre quando começarão as negociações para a segunda fase em busca de uma "paz duradoura".

*Com informações da Associated Press

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse, nesta quarta-feira (26), que o gabinete de segurança do México se reunirá na quinta-feira, 27, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington.

"Hoje (quarta-feira) sai o nosso gabinete de segurança que se reunirá amanhã com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington", diz Sheinbaum, ao acrescentar que "estamos trabalhando nos últimos dias para a comunicação que estava havendo entre Estados Unidos e México, no marco de nossas soberanias."

A reunião ocorre em meio a tensões recentes sobre o combate ao tráfico de drogas, soberania e segurança fronteiriça, temas centrais na relação entre os dois países. Os Estados Unidos têm pressionado o México para intensificar medidas contra cartéis de drogas, enquanto o governo mexicano tem reforçado sua posição de cooperação, mas sem interferências externas.

Além disso, as discussões devem abordar a crescente migração de pessoas em direção aos EUA, um dos principais desafios da administração de Sheinbaum. O encontro em Washington faz parte de um esforço diplomático para reforçar o diálogo entre os dois países, que têm mantido negociações constantes sobre segurança regional e controle fronteiriço.