Aldo Rebelo diz ter aceitado convite de Nunes para secretaria que era de Marta

Política
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
O ex-deputado federal Aldo Rebelo, com passagens em ministérios de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, afirmou nas redes sociais nesta quinta-feira, 18, que aceitou um convite do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para assumir uma secretaria em seu governo. A decisão contraria diretamente o seu partido, o PDT, que fechou apoio ao principal adversário nas eleições de 2024, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). A vaga é para a Secretaria de Relações Internacionais, antes ocupada por Marta Suplicy. Ela pediu demissão da prefeitura para retornar ao PT e ser vice de Boulos no pleito.

"Recebi convite do prefeito Ricardo Nunes para uma secretaria na cidade de São Paulo. Decidi aceitar. Em comum acordo com o presidente (Carlos) Lupi, pedirei licença do PDT pelo período que ocupar a função", escreveu Rebelo na rede social X, antigo Twitter. Ele confirmou ao Estadão que a secretaria é a de Marta e que o convite foi feito pessoalmente. Os dois se encontraram na terça-feira, 16, e posaram para fotos. A secretaria de comunicação da prefeitura, no entanto, disse não ter informações sobre o convite ou o acerto.

O PDT, partido de Rebelo, anunciou o apoio a Boulos em evento na semana passada. Recentemente, a sigla emitiu uma nota desautorizando a participação de qualquer filiado na gestão de Nunes. A declaração foi motivada pelo fato de a substituta de Marta na secretaria, a embaixadora Maria Auxiliadora Figueiredo, que faz parte do PDT, estar exercendo interinamente o cargo. Maria Auxiliadora concorreu ao Senado, nas eleições de 2022, como primeira suplente de Rebelo.

"É incompatível ele estar no partido enquanto estamos apoiando uma candidatura de oposição ao prefeito", declarou o presidente do diretório municipal do PDT, Antonio Neto. O pedido de licença, conforme alegado por Rebelo, ainda não chegou oficialmente. "Se ele vai se desfiliar ou pedir licença, não sabemos, mas nenhum militante, nenhum filiado é maior do que o partido. Estamos apoiando o Boulos". O presidente licenciado do partido, Carlos Lupi, não se manifestou até o momento.

Na terça, após encontro com o prefeito, Rebelo deixou claro que não faria campanha para Boulos e justificou sua posição por conta do movimento "Não Vai Ter Copa" quando era ministro do Esporte, em 2014. "Eu era um dos responsáveis pela organização da Copa do Mundo, e enfrentava grupos de vândalos e sabotadores ligados ao movimento 'Não vai ter Copa'. Boulos era um dos lideres desta ação", declarou ele. Boulos não se manifestou sobre o assunto.

O novo secretário de Nunes relatou que pediu um tempo para pensar no convite antes de aceitá-lo. Decidiu pelo "sim" depois de passar um tempo em Alagoas e concluir um livro sobre a Amazônia. Rebelo passou 40 anos no PCdoB, partido que trocou pelo Solidariedade, em 2017, e depois pelo PDT, em 2022. O político foi ministro da Defesa e de Ciência e Tecnologia no governo Dilma, além de ministro do Esporte e chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, com Lula.

Em outra categoria

A rede da Japan Airlines sofreu um ataque cibernético nesta quinta-feira, 26, o que fez com que 60 voos - incluindo 11 internacionais - da companhia aérea fossem atrasados em meia hora ou mais e as rotas domésticas fossem canceladas no início do dia. A empresa disse que a rede foi interrompida por conta de um grande recebimento de dados, mas que não há problemas com a operação segura de voos.

De acordo com a Japan Airlines, informações de clientes não foram vazadas e não há qualquer dano por vírus. Durante a manhã, a empresa disse que o equipamento de rede responsável por conectar sistemas internos e externos não estava funcionando corretamente e, durante a tarde, identificou a causa da falha para recuperação.

A ação da Japan Airlines fechou em queda de 0,2%, a 2.466 ienes (US$ 15,69), na Bolsa de Tóquio. Fonte: Dow Jones Newswires.

Confrontos entre islamistas que assumiram o controle da Síria e sírios da minoria alauíta, apoiadores do governo do deposto ditador Bashar Assad, deixaram pelo menos seis pessoas mortas nesta quarta-feira, 25, e feriram outros, segundo um observatório de guerra com sede no Reino Unido.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos informou que os mortos eram membros do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), o grupo que liderou a ofensiva que derrubou Assad no início deste mês. Eles foram mortos ao tentar prender um ex-funcionário do regime de Assad, acusado de emitir ordens de execução e julgamentos arbitrários contra milhares de prisioneiros.

Os insurgentes que derrubaram Assad seguem uma ideologia islâmica fundamentalista e, embora tenham prometido criar um sistema pluralista, ainda não está claro como ou se planejam compartilhar o poder.

Desde a queda de Assad, dezenas de sírios foram mortos em atos de vingança, de acordo com ativistas e monitores, sendo a grande maioria deles da comunidade minoritária alauíta, uma ramificação do islamismo xiita à qual Assad pertence.

Na capital, Damasco, manifestantes alauítas entraram em confronto com manifestantes sunitas, e tiros foram ouvidos. A Associated Press não conseguiu confirmar os detalhes do tiroteio. Protestos alauítas também ocorreram ao longo da costa da Síria, na cidade de Homs e no campo de Hama. Alguns manifestantes pediram a libertação de soldados do antigo exército sírio, agora presos pelo HTS.

Os protestos alauítas parecem ter sido motivados, em parte, por um vídeo online que mostrava a queima de um santuário alauíta. As autoridades interinas alegaram que o vídeo era antigo e não representava um incidente recente. Em resposta aos protestos, o HTS impôs um toque de recolher das 18h às 8h.

A violência sectária tem ocorrido esporadicamente desde a destituição de Assad, mas nada próximo ao nível temido após quase 14 anos de guerra civil, que deixou cerca de meio milhão de mortos. A guerra fragmentou a Síria, criando milhões de refugiados e deslocando dezenas de milhares de pessoas por todo o país.

Nesta semana, alguns sírios que foram deslocados à força começaram a retornar para casa, tentando reconstruir suas vidas. Surpresos pela devastação, muitos encontraram o pouco que restava de suas casas.

Na região noroeste de Idlib, os moradores estavam consertando lojas e janelas danificadas na terça-feira, tentando recuperar um senso de normalidade. A cidade de Idlib e grande parte da província ao redor estão há anos sob controle do HTS, liderado por Ahmad al-Sharaa, anteriormente conhecido como Abu Mohammed al-Golani. Alinhado anteriormente à Al-Qaeda, o HTS tem enfrentado ataques implacáveis das forças do governo.

A queda de um avião da Embraer que matou ao menos 38 pessoas em Aktau, no Cazaquistão, nesta quarta-feira, 25, pode ter sido causada por um míssil, segundo relatos da imprensa.

De acordo com a agência Euronews, fontes oficiais ligadas à investigação do desastre disseram que alguns dos passageiros que sobreviveram ao acidente com o E190 da Azerbaijan Airlines teriam ouvido uma explosão ao se aproximarem de Grozny, na região russa da Chechênia, o destino do voo que saiu da capital do Azerbaijão, Baku.

Mais cedo, o canal de notícias Anewz, do Azerbaijão, havia citado em reportagem as declarações de um blogueiro militar russo relacionando os danos à aeronave a um sistema de mísseis de defesa aérea.

A tese de que o sistema de defesa aérea russo pode ter abatido o avião é corroborada por relatos de ataques de drones ucranianos na Chechênia na manhã desta quarta-feira.