Associações querem sanção sem vetos a lei que libera patentes de vacinas

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Com o argumento de que antecipará a produção nacional e facilitará importação de produtos, organizações voltadas para a área da saúde se mobilizam ao longo desta semana para que o presidente Jair Bolsonaro sancione, sem vetos, lei que libera patentes de vacinas e insumos. O assunto já foi discutido no Congresso e passa por um debate internacional que conta com cerca de 100 defensores liderados pela Índia e África do Sul no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) - até agora o Brasil ainda não aderiu.

Bolsonaro tem até quinta-feira, 2, para vetar ou sancionar - na íntegra ou não - o Projeto de Lei PL 12/2021, que autoriza, em caráter emergencial, licenças compulsórias (popularmente chamadas de quebra de patentes) de insumos em saúde em situações de emergência sanitária. De acordo com o grupo, a sanção sem vetos levaria a um aumento de insumos e vacinas no País ainda este ano.

"Com o morticínio que vivemos, pressionados pelas variantes, que reduzem a eficácia das vacinas e a necessidade de doses de reforço, sancionar o PL 12/21 é urgente", afirmou o coordenador do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI) e da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), Pedro Villardi. O GTPI é uma ONG coordenada pela ABIA, fundada pelo sociólogo Herbert de Souza (Betinho) e que reúne especialistas e entidades da sociedade civil, trabalhando na interseção entre direito à saúde e propriedade intelectual.

Caso o presidente não determine a sanção nem vete o documento, o projeto de lei será sancionado tacitamente. Caso haja vetos, eles poderão ser discutidos no Congresso Nacional, o que, de acordo com as associações, demandaria mais tempo para que o PL virasse lei. Apesar da diminuição do número de mortes por covid-19 no Brasil, que se aproxima de um total de 580 mil, especialistas desse grupo destacaram que a necessidade de doses de reforço da vacina torna a sanção da lei crucial para o enfrentamento da pandemia.

Hoje, no Brasil, estão em uso as vacinas dos laboratórios Sinovac/Instituto Butantan, Astrazeneca/Oxford/Fiocruz, Pfizer e Janssen. Os manifestantes lembram que a vacina Sputnik, do laboratório russo Gamaleya, está sendo produzida no País pela União Química, mas não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usada.

O governo brasileiro, mesmo nos fóruns internacionais, tem se pronunciado contra o licenciamento compulsório, alegando que a lei doméstica já conta com mecanismos para este fim. Villardi enfatizou que a licença compulsória só foi usada uma vez no Brasil, no combate ao HIV. Em 2007, o governo licenciou compulsoriamente um dos medicamentos do coquetel Anti-Aids, o Efavirenz, reduzindo o preço do medicamento a um terço do que era negociado pelo laboratório norte-americano.

Para o grupo, o PL 12/21 moderniza esse mecanismo, colocando o Brasil na vanguarda do tema. "Caso a lei seja sancionada, o País poderá emitir em bloco licenças compulsórias de medicamentos, vacinas, testes diagnósticos e insumos necessários à produção dos fármacos, como o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), um dos produtos que causaram atraso na produção dos imunizantes no País", trouxe a nota, salientando que o governo deverá elaborar uma lista dos fármacos de interesse a serem objeto da lei, com a participação da sociedade civil e de especialistas.

"Em que pesem os vultosos investimentos públicos e garantias de compras antecipadas, atualmente são poucas empresas que controlam a produção e distribuição global de vacinas para covid-19. Essas empresas fazem isso por meio de patentes, um título que lhes garante um monopólio de, no mínimo, 20 anos. O efeito disso é que, ao invés de gerarmos imunidade global, geramos nove novos bilionários no mundo", pontuou Villardi

Para o GTPI, o licenciamento compulsório também pode desonerar os gastos do governo com o combate à pandemia, aumentando a oferta de fármacos e tornando os preços mais competitivos.

Fazem parte do GTPI: Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA - coordenação), Fórum Maranhense das Respostas Comunitárias de luta contra DST e AIDS (Fórum AIDS/MA), Rede Nacional de Pessoas vivendo com HIV e AIDS - São Paulo (RNP+/SP); Grupo Pela Vidda/Rio de Janeiro (GPV/RJ); Grupo Pela Vidda/São Paulo (GPV/SP), Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS do RS (GAPA/RS); Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB); GESTOS; Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec); Conectas Direitos Humanos; Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar); Médicos sem Fronteiras - Campanha de Acesso a Medicamentos (Brasil); Universidade Aliadas por Medicamentos Essenciais/Brasil (UAEM/BR); Rede Nacional de Pessoas vivendo com HIV e AIDS - São Luís do Maranhão (RNP+/MA); Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS da Bahia (GAPA/BA); Fórum das ONGs/AIDS do Estado de São Paulo (FOAESP); Fórum de ONGs/AIDS do Rio Grande do Sul (Fórum RS); Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO).

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Drew Struzan, ilustrador de 78 anos conhecido por seu trabalho em pôsteres de diversos clássicos do cinema, como Star Wars, Indiana Jones e Harry Potter, não consegue mais desenhar em decorrência da doença de Alzheimer.

"Drew não consegue mais pintar ou assinar as coisas para vocês. Ele não está aproveitando uma merecida aposentadoria, mas, em vez disso, lutando por sua vida", escreveu sua mulher, Dylan, em longo texto publicado no Instagram do artista na última quarta, 26.

"Há alguns anos, Drew foi diagnosticado com a doença de Alzheimer. Como vocês podem saber, os estágios iniciais são uma lenta progressão de esquecimentos. A perda de memória costuma ser o que pensamos quando a doença é mencionada, o mau funcionamento do cérebro", explicou.

Em seguida, continuou: "Pense em todas as coisas que você aprendeu ao longo da vida, coisas simples como ficar de pé (equilíbrio), andar, falar, controlar suas funções corporais, fazer decisões. O hipocampo [região do cérebro responsável pela memória] esquece."

Segundo ela, Drew Struzan teria tentado diversos tratamentos para, ao menos, retardar o avanço da doença, e destacou as cerca de seis décadas de casamento dos dois como amparo para persistir.

"Ele ouve todos os comentários que têm deixado em suas páginas. Isso lhe encoraja. No início, era capaz de expressar seus pensamentos, mas conforme o tempo passou, isso se tornou infinitamente mais difícil", destacou Dylan.

"Drew deixou um forte legado de amor e alegria na forma de sua obra. Sua intenção era fazer a Terra um lugar melhor para se viver ao criar coisas bonitas. Mas, como uma flor, sua estação está chegando ao fim", lamentou a mulher de Struzan.

Drew Struzan ficou conhecido especialmente por seu trabalho em pôsteres de filmes que se tornaram clássicos do cinema. Entre eles, estão Star Wars, Indiana Jones, De Volta Para O Futuro, Um Príncipe Em Nova York, E.T. - Extraterrestre, Harry Potter e a Pedra Filosofal, Crocodilo Dundee, Os Muppets e Abracadabra.

É provável que parte do público do Lollapalooza 2025 só tenha reconhecido Tate McRae quando começou o refrão de Greedy, hit do TikTok que fechou seu show no festival na noite deste sábado, 29. Mas, com o todo da apresentação, a artista mandou um recado: traz mais do que apenas uma música que viralizou em um aplicativo.

Canadense de 21 anos, Tate tocou no Palco Budweiser, já bastante cheio - alguns para vê-la, outros aguardando o seu conterrâneo Shawn Mendes, principal atração do dia. Subiu ao palco por volta de 19h, vestindo shorts e corset de oncinha, e abriu com Sports Car, um pop dançante com refrão sussurrado que ganhou uma bela sequência de dança em cima de uma plataforma, com Tate acompanhada por um grupo de seis bailarinos.

Isso já deu o tom de todo o show, que tem muitas dance breaks, aquelas pausa na voz para entregar uma performance de dança mais elaborada. É uma chamada às origens da artista: Tate começou como bailarina e, com apenas 12 anos, foi finalista da versão canadense do reality show So You Think You Can Dance.

As músicas seguintes, como 2 Hands e a "sexy" - como ela descreveu - Uh Oh, também tiveram performances de dança animadas. Tate canta bem, tem voz anasalada que lembra Camila Cabello ou até Gwen Stefani, não usa playback, mas se apoia muito na base pré gravada, aquela voz de fundo que continua tocando quando o artista para de cantar. Isso fica evidente quando ela interrompe o canto para dançar, já que a canção segue nas caixas de som.

Mas o show também teve alguns momentos que mostraram seu talento vocal. Foi o caso de You Broke Me First, canção que Tate escreveu com 16 anos e, segundo ela, mudou sua vida. Na época, ela seguia uma linha mais inspirada na tendência do bedroom pop (gênero mais lento que se popularizou muito com Billie Eilish, por exemplo). Essa também foi a primeira música em que o coro do público realmente apareceu.

Em certo momento, a canadense fez questão de destacar que seu primeiro fã-clube veio do Brasil e até reconheceu a fã por trás do perfil, que ganhou acesso especial à área VIP, concedido pela cantora. Mais cedo, também disse que "esperou a vida inteira para vir para cá."

Os últimos dois discos de Tate, incluindo So Close To What, lançado há menos de um mês, foram para um lado mais dançante. Há quem diga que ela faz um pop mais genérico do que outras de suas geração, como a própria Billie Eilish ou sua amiga Olivia Rodrigo (que tocou na sexta-feira no Lollapalooza). Outros defendem que ela resgata a imagem de divas pop que entregavam espetáculos de dança, mesmo que isso ofuscasse a própria voz, à la Britney Spears.

Tate ainda passou por canções como Exes, She's All I Wanna Be, Revolving Door, entre outras, antes de encerrar com seu grande hit, Greedy, que viralizou no TikTok em 2023. Ficou bem claro que ela ainda é mais conhecida por uma música, mas - talvez com mais dança do que voz - Tate mostrou que tem talento o suficiente para estar no palco principal do festival.

O cantor e compositor americano Benson Boone não era um headliner deste segundo dia do Lollapalooza Brasil 2025. Esse posto ficou dividido entre Alanis Morissette e Shawn Mendes.

Havia certa apreensão do que Boone poderia mostrar no palco do festival. Aos 22 anos, ele é um artista do seu tempo. Suas músicas, principalmente Beautiful Things, foi alçada como hit graças ao TikTok - aplicativo atualmente essencial para a música pop produzida no mundo todo, seja para mostrar o que for, para quem quer que seja.

Com isso, foi a música mais vendida no planeta em 2024, segundo dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, com 2,11 bilhões de unidades.

Foi, inclusive, com Beautiful Things que Boone fez a elogiada e polêmica apresentação no Grammy Latino 2025, em fevereiro. Começou sua performance usando smoking, de uma das mesas da plateia. Teve o traje formal arrancado pela humorista Nikki Glaser e pela apresentadora Heidi Klum. Deixou, então, revelar um macacão azul, colado ao corpo. Deu um pirueta usando o piano como base na momento em que acesso o palco. No fim de sua performance, ajeitou a região genital, ao vivo, para milhões de pessoas que assistiam à cerimônia.

É isso: Performance. Em um universo pop dominado por divas, Boone sabe muito bem o que é performar. No início da noite deste sábado, no Lolla, o cantor fez sua estreia nos palcos brasileiros com de lançamento de sua primeiro álbum, Fireworks & Rollerblades, com 15 faixas.

Boone abriu o show com Sorry I'm Here for Someone Else, canção que fala de amor e de uma porção de batatas fritas. "Um, dois, três, quatro", ele canta entre a primeira e segunda estrofe da canção. Nada mais propício para a abertura de um show em um festival que tem público estimado em 100 mil pessoas.

Cry é uma canção que começa em ritmo de balada e depois ganha mais vigor quando a personagem da letra atinge, depois da desilusão a raiva. Os falsetes de Boone são bem colocados. In the Stars, música que o cantor fez para sua avó, ficou conhecida por meio das redes sociais. E Sugar Sweet, seu primeiro single, ainda de 2023.