Argentina/Milei: primeiro tema que vamos atacar é a reforma do Estado e problema das Leliqs

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O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, afirmou que o primeiro que pretende fazer, ao assumir o poder, é buscar uma reforma do Estado e resolver "o problema das Leliqs", citando a sigla usada no país para as Letras de Liquidez, emitidas pelo Banco Central da República Argentina (BCRA). As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Madri, nesta segunda-feira, 20.

Milei diz que há diálogo para buscar uma "engenharia financeira" para atacar a questão das Leliqs, atualmente com preços muito baixos e retornos muito elevados. Ele insistiu na urgência de resolver essa questão, e disse que caso ela não seja solucionada o país corre o risco de entrar em quadro de hiperinflação. Segundo o economista, é importante consertar o quadro na Leliq para permitir que travas da economia sejam retiradas, apoiando uma retomada.

Na entrevista, Milei também disse que pretende manter sua promessa de ter um gabinete apenas com oito ministros. Além disso, comentou que pretende viajar nos próximos dias aos Estados Unidos e a Israel, ainda antes da posse, no dia 10 de dezembro.

Milei ainda acusou o candidato derrotado, o ministro da Economia, Sergio Massa, de "armar um descalabro econômico para ganhar uma eleição". O candidato vencedor criticou Massa também por "me acusar pelos problemas que ele mesmo causou no último ano e meio e que seu governo causou nos últimos quatro anos".

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), recebeu nesta sexta-feira, 14, para um almoço o ex-chefe da Rota, coronel Ricardo de Mello Araújo (PL), principal cotado para vice na sua chapa à reeleição em outubro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A expectativa é de que as conversas selem o anúncio de seu candidato a vice até o fim da próxima semana, dando tempo para o prefeito chegar a um acordo com outros partidos da coligação que o apoia.

"Não vamos decidir o vice agora", disse Nunes em conversa com jornalistas após o encontro na Prefeitura. "Até porque temos outros pretendentes. Precisamos conversar com eles sobre a decisão que será tomada muito possivelmente até o final da semana que vem. São muitos partidos fazendo parte da nossa frente ampla e a ideia é fazer o diálogo."

O emedebista destacou o "peso" do nome do coronel na disputa pela vaga, mas insistiu na negociação com as legendas aliadas. "Lógico que o coronel Mello, com o apoio do PL, do presidente Bolsonaro e do governador Tarcísio, tem peso nessa escolha. (Mas), Para mim, todos são iguais, com todo o carinho e todo o respeito ao coronel Mello. A gente tem o hábito de ser muito transparente. Em respeito aos demais partidos, não podemos fazer imposição sem ter o diálogo e saber quais os argumentos das indicações. Existe hoje uma posição pelo nome do coronel Mello muito forte. São argumentos fortes", declarou.

Longe de Marçal

Ao mesmo tempo que reforçou o apoio ao prefeito, Bolsonaro desautorizou uma aproximação do PL com Pablo Marçal, pré-candidato a prefeito pelo PRTB, e indicou que o coach não tem autorização para usar seu nome em busca de eleitores. Indagado se poderia abandonar Nunes se sua indicação não for acatada, Bolsonaro disse que está "fechado" com o prefeito "desde o primeiro momento".

Segundo o ex-presidente, o convite de Nunes para o almoço com ele, Tarcísio e o coronel foi um sinal positivo. Ele afirmou que as conversas estão na fase de "noivado". Ao fim do encontro, ofereceu uma medalha de "imbrochável", "imorrível" e "incomível" ao prefeito de São Paulo, a mesma que entregou a Marçal, em Brasília, na semana passada. "Eu espero que o nome do vice chegue da melhor forma consensuada possível", disse Bolsonaro. "Estamos começando bem esse diálogo para, quando bater o martelo, não ter gente que nos deixe."

Um dos focos de atrito está em um grupo de parlamentares do PP, que se rebelou contra a indicação do coronel. O deputado estadual Delegado Olim afirmou ao Estadão que há risco de Nunes perder o apoio do PP e, consequentemente, o tempo de TV, que ele estima ser de dois minutos.

'Missão divina'

Tarcísio, por sua vez, destacou que a construção da chapa está avançada e sugeriu que a escolha do coronel não é uma condição para o apoio. "O mais importante é o projeto. Tenho certeza de que é o melhor para São Paulo". Já o coronel disse que, caso seja escolhido, a composição com Nunes será uma "missão divina". "Se essa missão acontecer, vou tratar como missão divina, mas, se não acontecer, vou agradecer também."

O entorno de Nunes resistia ao nome do ex-chefe da Rota, mas a mudança no cenário eleitoral com a entrada de Pablo Marçal e de José Luiz Datena (PSDB) na disputa pressionou o prefeito a acelerar a definição da chapa. A escolha do coronel, indicado por Bolsonaro, seria uma forma de "amarrar" o apoio do ex-presidente e garantir o tempo de rádio e TV a que o PL tem direito.

Como mostrou o Estadão, apesar de enfrentar resistência de caciques partidários, a escolha do militar se tornou praticamente inevitável, na medida em que Tarcísio, um dos principais aliados de Nunes, endossou publicamente a indicação. O governador tinha preferência pela vereadora e sua ex-secretária Sonaira Fernandes (PL). Diante da chegada de Marçal e Datena, porém, ele afirmou nesta semana que está "fechado com Bolsonaro" e defendeu celeridade no acerto com o coronel.

Marçal tem usado o nome de Bolsonaro para tentar angariar votos. Na semana passada, o pré-candidato a prefeito do PRTB disse após um encontro com o ex-chefe do Executivo que Bolsonaro não apoiaria mais Nunes e, sim, ele. O coach tem um almoço marcado com a bancada do PL na Assembleia Legislativa de São Paulo na próxima segunda-feira, 17.

Unida

Ao lado de Nunes, Bolsonaro afirmou que não pode impedir ninguém de conversar com o coach, mas destacou que vai deixar claro internamente que a legenda precisa estar unida em torno da candidatura do prefeito à reeleição. "Ele (Marçal) tem procurado muita gente. Eu não vou impedir ninguém de conversar com ele. Isso não é democrático", declarou o ex-presidente.

Questionado sobre a estratégia do coach, Bolsonaro afirmou que apenas candidatos do PL ou de partidos aliados podem dizer que têm o apoio dele nas eleições municipais.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira, 12, o ministro das Comunicações Juscelino Filho. A corporação finalizou as investigações sobre um possível desvio de verbas federais na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e imputou ao ministro os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação teve início após uma reportagem publicada pelo Estadão em 30 de janeiro de 2023.

O ministro de Lula, em nota, nega a imputação e relembra que "indiciamento não implica em culpa". "É uma ação política e previsível, que parte de uma apuração que distorceu premissas", disse Juscelino sobre o relatório da PF.

O indiciamento ocorre após a Operação Benesse, deflagrada em setembro de 2023. Na ocasião, um dos alvos da PF foi Luanna Rezende, irmã de Juscelino e prefeita de Vitorino Freire (MA). Em janeiro 2023, o Estadão revelou que o ministro, quando deputado, destinara recursos do orçamento para asfaltar uma estrada na cidade que passava pela fazenda da sua família.

Outra reportagem revelou que um gerente da Codevasf, mesmo afastado do cargo sob acusações de receber propina, continuava a receber salário da estatal, de mais de R$ 20 mil, em valores brutos.

O servidor afastado era Julimar Alves da Silva Filho, titular da Gerência Regional de Empreendimentos da Codevasf no Maranhão. Uma das atribuições de Julimar no serviço público era a emissão de pareceres para a execução de obras. Ele estava sendo acusado de receber R$ 250 mil de Eduardo Costa, conhecido de longa data de Juscelino Filho, para emitir um parecer fraudulento.

A acusação era calcada em um relatório assinado por Julimar em 18 de agosto de 2021. O documento autorizou a empreiteira Construservice a tocar uma obra que beneficiou diretamente o ministro das Comunicações, com a pavimentação de uma via pública em Vitorino Freire que entrecortava uma das propriedades de Juscelino, onde o ministro de Lula havia construído um heliponto e uma pista de pouso particular.

A obra foi financiada com recursos do orçamento secreto, que Juscelino pôde direcionar enquanto deputado federal. O Estadão também mostrou que ao menos quatro empresas de amigos e pessoas próximas ao ministro prestaram serviços à prefeitura de Vitorino Freire, comandada pela irmã de Juscelino. As obras foram indicadas por meio do orçamento secreto e o montante dos contratos chega a R$ 36 milhões.

Relembre outros feitos de Juscelino Filho apurados pelo 'Estadão'

Além dos possíveis desvios com verbas públicas para a Codevasf, a prefeitura de Vitorino Freire, comandada pela irmã do ministro, foi beneficiada pelo governo federal com doações de computadores, por meio de um programa da pasta de Juscelino. A cidade de São Mateus, comandada por um primo do ministro, também foi beneficiada com a iniciativa.

Além disso, o ministro de Lula utilizou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir e voltar de São Paulo, onde participou de leilões de cavalos de raça. O Ministério da Defesa calculou em R$ 130.392,87 a despesa com este voo. O caso deflagrou uma crise interna no governo e Juscelino esteve ameaçado de demissão, mas conseguiu se manter no cargo com o apoio do Centrão.

O Estadão também revelou que Juscelino Filho omitiu da Justiça Eleitoral um patrimônio de ao menos R$ 2,2 milhões em cavalos da raça, além de apresentar às autoridades eleitorais informações falsas sobre voos de helicópteros.

Enquanto deputado federal, o Juscelino empregou em seu gabinete o "faz-tudo" de fazendas da sua família. O motorista Waldenôr Alves Catarino passou quase uma década realizando diversos serviços braçais na roça. "Eu era lotado aí na Câmara Federal e trabalhava aqui para o tio dele na fazenda", afirmou, em entrevista exclusiva ao Estadão.

O ministro também fez uso do cargo para renovar as concessões de radiodifusão de seu núcleo político. Foram concedidas 31 licenças de TV para o grupo TV Difusora, que pertence ao advogado Willer Tomaz de Souza, compadre do senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de primeira hora de Juscelino. Os pedidos foram aprovados a jato, num período entre cinco e oito meses.

Juscelino também utilizou estrutura do cargo para promoção pessoal de si mesmo, da irmã e de um primo. O fotógrafo oficial da pasta acompanhou e registrou compromissos sem relação com as atividades da pasta de Comunicações, inclusive em eventos fora de Brasília. Além da produção fotográfica, as agendas foram divulgadas em um canal oficial do Ministério.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que caberá ao colega das Comunicações, Juscelino Filho, decidir se vai permanecer no cargo enquanto se defende das suspeitas que levaram ao seu indiciamento nesta semana pela Polícia Federal.

A corporação imputa a Juscelino indícios de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa após investigar a prática de desvios de verbas federais da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Como revelou o Estadão, Juscelino Filho, quando era deputado federal, destinou recursos do Orçamento para asfaltar uma estrada que passa na fazenda de sua família no interior do Maranhão. Depois de assumir o cargo no governo Lula, o ministro usou avião da FAB para ir assistir a leilão de cavalos em São Paulo.

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou que a aplicação do dinheiro público no asfaltamento beneficiou diretamente as propriedades de Juscelino e da família do ministro.

"Se ele considera que pode se defender, ocupando (o cargo), fazendo o bom trabalho que está fazendo (no Ministério das Comunicações), é óbvio que é uma questão individual dele", disse Padilha em entrevista ao Estadão/Broadcast. "Eu tenho sentimento de que até agora ele foi se explicar, foi se defender ocupando e exercendo um bom trabalho no Ministério das Comunicações."

Segundo o ministro da articulação política do governo, Juscelino conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se defender. "Nós vamos sempre primar pela presunção da inocência, até porque a gente já viu muita gente ser injustamente condenada publicamente e depois ser visto que não tinha qualquer responsabilidade sobre aquele fato", afirmou. "O ministro Juscelino conta, não só comigo, mas certamente com o presidente Lula, com todo o espaço para se defender, para poder provar sua inocência."

'Verdade'

Em viagem internacional nesta semana, Lula disse que conversará com o ministro das Comunicações na volta ao País. "Digo para todo mundo, só você sabe a verdade. Se você cometeu erro, reconheça que cometeu. Se não cometeu, brigue pela sua inocência", afirmou o presidente quando desembarcou em Genebra, anteontem.

Em nota divulgada após o indiciamento pela PF, o ministro das Comunicações afirmou que o enquadramento da investigação policial é "uma ação política e previsível" e "parte de uma apuração que distorceu premissas, ignorou fatos e sequer ouviu a defesa sobre o escopo do inquérito". Juscelino alegou ainda que o inquérito da PF "repete o modus operandi da Operação Lava Jato".

O Estadão apurou que o relatório final da investigação cita ainda a suspeita de crimes de falsidade ideológica, frustração de caráter competitivo de licitação e violação de sigilo em licitação, previstos no Código Penal.