'Dia triste para os EUA', diz Trump ao chegar ao tribunal para alegações finais

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O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump declarou nesta terça-feira, 28, que o processo penal no qual é réu "nunca deveria ter ocorrido" e descreveu esta terça-feira, o dia de alegações finais, como um "dia obscuro para os Estados Unidos". O republicano é acusado de falsificação de registros comerciais, e o julgamento criminal em Nova York entra na sua fase final após quase cinco semanas de audiência.

 

"Hoje é um dia obscuro para os Estados Unidos. Este caso nunca deveria ter ocorrido", afirmou Trump aos jornalistas ao chegar ao tribunal em Manhattan. "Veremos como transcorre. Esse é um dia muito perigoso para os Estados Unidos. É um dia muito triste", acrescentou.

 

A defesa e a Promotoria apresentam nesta terça-feira seus argumentos sobre as evidências e depoimentos expostos ao longo das últimas semanas. Trump enfrenta 34 acusações criminais de falsificação de registros comerciais para ocultar um pagamento de US$ 130 mil à estrela pornô Stormy Daniels na véspera da eleição de 2016 para mantê-la calada sobre um suposto caso.

 

As alegações finais devem durar todo o dia e podem se estender até quarta-feira, 29. Depois de ambos os lados terem resumido os seus casos para o júri, o juiz que preside o caso, Juan Merchan, instruirá os jurados sobre a lei relevante antes de iniciarem as deliberações.

 

O caso pode depender de os jurados acreditarem que Trump teve a intenção de fraudar, bem como ocultar outros crimes, nomeadamente leis eleitorais e violações fiscais. O republicano diz que é inocente.

 

O principal advogado de defesa de Trump, Todd Blanche, já apresentou seus argumentos finais nesta terça-feira centrando-se, sobretudo, na principal testemunha de acusação, Michael Cohen, funcionário de Trump na época da falsificação de registros. Blanche descreveu Cohen como "o maior mentiroso de todos os tempos" durante a argumentação.

 

O advogado também declarou aos jurados que os promotores não provaram seu caso. Blanche descreveu Trump como uma vítima de conduta criminosa e encerrou dizendo aos jurados que o caso é um "veredicto de inocência muito, muito rápido e fácil". Ainda nesta terça-feira, são esperados os argumentos finais do procurador Joshua Steinglass.

 

Cohen passou dias prestando depoimento e assegurou que o ex-mandatário aprovou o pagamento de US$ 130 mil à atriz com o objetivo de abafar o episódio em plena reta final da campanha eleitoral de 2016. O ex-advogado de Trump descreveu o republicano como "preocupado" com o fato de que histórias alegando sexo extraconjugal pudessem prejudicar sua imagem na campanha e disse que o então candidato o mandou suprimir as histórias.

 

A defesa disse que Cohen "buscava fama" e estava desesperado "para contribuir para a condenação de Trump".

 

O que pode acontecer com Trump?

 

Terminadas as alegações finais, Merchan passará aos jurados decisão de declarar o ex-presidente como culpado ou inocente. Se o júri não chegar a um consenso, o julgamento terá que ser realizado novamente.

 

Para considerar um réu criminalmente culpado, a lei dos EUA exige que os jurados estejam convencidos além de uma dúvida razoável. Portanto, basta que apenas um dos jurados se recuse a condenar Donald Trump para dar a vitória à defesa.

 

Caso seja declarado culpado, o ex-presidente pode ser preso. Porém, a definição da pena, que seria feita por Merchan, ocorreria somente mais adiante.

 

A falsificação de documentos contábeis é punida com até quatro anos no Estado de Nova York, mas os especialistas consideram improvável essa pena para alguém sem antecedentes criminais. O juiz pode considerar uma pena alternativa como o serviço comunitário ou uma multa. Seja qual for a decisão, Trump pode entrar com recurso e com isso evitaria a prisão.

 

Mesmo causando um terremoto político, uma condenação no penal, que seria a primeira na história de um ex-presidente dos Estados Unidos, não o impediria de concorrer nas eleições de 5 de novembro. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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O senador Ciro Nogueira (PP-PI) disse na segunda-feira, 31, que a direita brasileira está organizada e articulações para que ela assuma o protagonismo nas próximas eleições já começaram no Congresso Nacional. Em encontro com investidores promovido pela Legend Invest no auditório do BTG Pactual, ele afirmou que "o eleitor está pronto para migrar" e que "o governo [Lula] já deu o que tinha que dar".

Para Nogueira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu a capacidade de dialogar e a conexão com sua base eleitoral, e a resposta do Planalto a problemas econômicos e institucionais tem sido ineficaz.

"O governo reage com aumento de gasto público e slogans reciclados. Tudo é 'nova' farmácia popular, 'novo' Minha Casa Minha Vida, mas ninguém diz que tem uma nova avó. É um governo velho", afirmou.

Ao falar sobre as decisões econômicas do governo federal, o senador comparou o atual cenário com o que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e negou que existam condições para o impedimento de Lula.

"A Dilma foi tirada porque ela tinha 7% [de aprovação]. O Lula ainda tem o peso de 30 [%], não tem como você decretar o impeachment do presidente. Não vai haver rompimento institucional, mas o Congresso vai segurar, funcionar como um dique".

A contenção, explicou ao Estadão, diz respeito a frear medidas de taxação. Durante o evento, ele fez referência às propostas de tributação progressiva que miram faixas mais altas de renda. "É um governo que só pensa em arrecadar, e o Congresso Nacional não pode permitir isso", disse à reportagem.

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Por outro lado, levantamento desta quinta-feira, 3, indica que mais eleitores brasileiros (44%) temem o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 41% têm receio de uma vitória do presidente Lula em 2026.

Em pesquisa de intenção de voto da Genial/Quaest, o presidente Lula lidera a disputa contra todos os potenciais candidatos da direita em cenários de segundo turno. Contra Bolsonaro, que está inelegível até 2030, o petista está em vantagem, mas empatado no limite da margem de erro, que é de dois pontos porcentuais.

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Até o momento, quando perguntado sobre um outro nome viável da direita para 2026, Bolsonaro tem repetido que não vai apontar um "sucessor" ou apoiar outra pessoa. "Só depois de morto", disse em uma das ocasiões. Tarcísio, por sua vez, disse ter intenção de concorrer à reeleição em São Paulo.

O deputado Chiquinho Brazão (sem partido) alega que perdeu mais de 21 quilos desde que foi preso, em março de 2024, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser colocado em prisão domiciliar para cuidar da saúde.

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Um laudo médico da penitenciária federal de Campo Grande atesta que o deputado tem "alta possibilidade de sofrer mau súbito com risco elevado de morte".

Segundo o documento, Chiquinho Brazão tem alto risco cardiovascular, alta possibilidade de evolução do quadro para insuficiência renal e "oscilações importantes" causadas por diabetes.

O deputado está sob os cuidados da equipe médica da Divisão de Saúde da penitenciária. Também tem acesso a consultas por telemedicina.

Os advogados pediram a prisão domiciliar humanitária. "Não se desconhece que a concessão de regime domiciliar é excepcional, contudo, no presente caso, como ficou demonstrado, o postulante é portador de doenças graves que estão nitidamente fora de controle, de modo que é muito elevado o risco de eventos cardíacos graves, de perda súbita da capacidade renal e de morte."

Cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, avaliar o pedido.

Chiquinho Brazão é réu em um processo criminal por suspeita de mandar executar a vereadora Marielle Franco. Ele nega ter sido o mandante do crime.

A advogada Tatiana Medeiros (PSB), vereadora de Teresina (PI), foi presa pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 3, por suspeita de ligação com facção criminosa. A prisão preventiva faz parte da segunda fase da Operação Escudo Eleitoral. A vereadora também foi afastada do cargo.

O advogado Edson Araújo, que representa a vereadora, afirmou que a defesa ainda não obteve acesso aos autos da investigação. O defensor diz ainda estar "surpreso" com o cumprimento do mandado de prisão, por não ver configurados "nenhum dos requisitos que autorizem uma medida tão radical".

Segundo a PF, uma investigação identificou vínculo entre Tatiana e um "expoente de facção criminosa violenta com grande atuação no Estado". "Há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental", afirma a Polícia Federal.

O instituto citado pela PF é o "Vamos Juntos", fundado por Tatiana em 2010. A Justiça Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG.

Servidores afastados

Além de Tatiana, foram alvos da operação servidores em cargos em comissão da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa do Estado e da Secretaria de Saúde do Estado. A reportagem buscou contato com os órgãos públicos e aguarda retorno.

Oito mandados judiciais foram cumpridos, sendo dois de prisão preventiva, três de afastamento de função pública e três de busca e apreensão, em endereços em Teresina e em Timon, no Maranhão.

Partido acompanhará as investigações

O PSB, em nota, afirma acompanhar a prisão da vereadora "com a máxima atenção". "Até o momento, não tivemos acesso ao conteúdo do inquérito policial", disse a sigla. "Para que possamos nos pronunciar de forma adequada e responsável, é imprescindível que tenhamos acesso ao referido inquérito. A esse respeito, ressaltamos que o partido formalizou o pedido de informações sobre o inquérito policial ainda no dia 27 de dezembro de 2024 e seguimos aguardando as autoridades competentes".

A legenda afirma ainda que acompanhará as investigações de modo a tomar as medidas cabíveis. Em março, o diretório municipal do PSB afastou Tatiana da função de secretária-geral.

Tatiana foi eleita para a Câmara de Teresina em 2024 com 2.925 votos. Antes, havia tentado o cargo em 2020, pelo DEM (hoje, União Brasil), mas não se elegeu.