Em busca de seguidores, secretário de Zema faz sorteio de estadia em pousada em Tiradentes

Política
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O ex-deputado federal Marcelo Aro (PP), atual secretário da Casa Civil do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), está atrás de seguidores em seu Instagram pessoal. Para atrair mais pessoas ao ser perfil, o secretário está sorteando uma estadia em uma pousada de Tiradentes (MG).

 

As diárias na pousada Pequena Tiradentes estão variando entre R$ 1.046 e R$ 2.528, entre dezembro e janeiro. O secretário firma três regras para a promoção: o interessado deve segui-lo no Instagram, curtir o vídeo em questão e marcar três pessoas. Ele afirmou que o sorteio ocorrerá 3 de janeiro e o ganhador vai ter direito a um final de semana com acompanhante no estabelecimento.

 

Procurado pelo Estadão, Aro não respondeu. Em meio a agendas políticas, o secretário costuma fazer publicações divulgando destinos turísticos e comidas típicas do Estado.

 

A responsável pelas redes sociais da pousada informou ao Estadão que não estava sabendo da promoção. Ao assistir o vídeo, disse que pode ser que Aro faça a reserva após sortear o ganhador, mas que até agora a pousada não foi comunicada. Atualmente, o perfil de Aro tem 115 mil seguidores. "Quanto mais gente você marcar, mais chances tem de ganhar", avisa o secretário. O vídeo em questão acumula mais de 37 mil curtidas.

 

A legislação brasileira não permite que pessoas físicas realizem sorteios. As empresas interessadas na atividade precisam de autorização do Ministério da Fazenda. Professor da Faap, o especialista em direito digital Renato Blum afirma que não há crime, mas que os responsáveis estão sujeitos a sanções cíveis, principalmente multas, e também à penalidades pelo descumprimento dos termos de uso do Instagram, que limitam a prática. "Muitos usuários fazem isso. Na prática, fica difícil a aplicação", disse Blum. Procurado, o Ministério da Fazenda não respondeu até a publicação desta reportagem.

 

Marcelo Aro é um dos políticos mais influentes de Minas Gerais. Ele tem secretários indicados na Prefeitura de Belo Horizonte e uma bancada informal, conhecida como "Família Aro", com cerca de 10 dos 41 vereadores da Câmara Municipal da capital mineira. Além disso, é vice-presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), entidade comandada por seu irmão, Adriano Aro. O pai, Zé Guilherme (PP-MG), é deputado estadual.

 

Aro se tornou aliado de Zema nos últimos anos. Inicialmente, foi líder do governo mineiro no Congresso Nacional. Em seguida, disputou a eleição para o Senado no ano passado com o apoio do governador, mas ficou em terceiro lugar, atrás do hoje ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), e do eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). No primeiro semestre deste ano, Zema conseguiu aprovar uma reforma administrativa que, entre outros pontos, criou a Secretaria de Casa Civil, pasta para qual Marcelo Aro foi imediatamente nomeado.

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A Comissão Europeia aprovou, nesta sexta-feira, 4, o plano de 1,5 bilhão de euros da Polônia para oferecer resseguro para riscos relacionados à guerra, como terrorismo e sabotagem, para transporte na Ucrânia, segundo comunicado oficial.

"O esquema contribuirá para manter e facilitar os fluxos comerciais entre a Ucrânia e a Polônia, o Estado-membro com a maior fronteira terrestre com a Ucrânia, que foram interrompidos pela agressão militar russa em andamento", ressalta a nota.

A medida está em linha com as regras de auxílio estatal da União Europeia e preenche uma lacuna no mercado de seguro de risco de guerra devido ao conflito no Leste europeu.

*Com informações da Dow Jones Newswires

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou o primeiro "gold card", ou "cartão ouro", um visto de residência no país que custará US$ 5 milhões (cerca de R$ 29 milhões). Trump mostrou um cartão físico dourado em conversa com jornalistas nesta quinta-feira, 3.

"Ele estará disponível em cerca de menos de duas semanas, provavelmente. Bem animador, certo?", disse Trump. O presidente afirmou aos repórteres que ele é o primeiro comprador do cartão, e que não sabe quem será o segundo.

O cartão é dourado e possui uma ilustração de Trump em primeiro plano. Há ainda estrelas em volta das palavras "The Trump Card". Na apresentação, ele se referiu ao visto como "o cartão de Trump, o cartão dourado". Em outras ocasiões, o cartão já foi chamado de "o cartão ouro de Trump".

O que é o 'gold card'?

Em fevereiro, Trump disse que planejava criar o visto ouro como um caminho para a cidadania americana, possibilitando a residência legal permanente por um custo de US$ 5 milhões. O "gold card" substituiria os vistos EB-5, criados pelo Congresso em 1990 para gerar investimento estrangeiro. Esses vistos estão disponíveis para pessoas que gastam cerca de US$ 1 milhão em uma empresa que emprega pelo menos 10 pessoas nos EUA.

O Secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse que o cartão dourado aumentaria o preço de admissão para investidores e acabaria com a "fraude" e o "absurdo" que ele disse caracterizar o programa EB-5. Como outros green cards, ele incluiria um caminho para a cidadania.

Trump havia dito que o cartão seria para pessoas "ricas e bem-sucedidas", que gastam muito dinheiro, pagam muitos impostos e empregam muitas pessoas nos Estados Unidos. Porém, diferente do EB-5, para o "gold card" Trump não mencionou se haverá requisitos de criação de empregos.

"É algo como um green card, mas em um nível mais alto de sofisticação, é um caminho para a cidadania para as pessoas, e essencialmente pessoas ricas ou pessoas de grande talento, onde as pessoas ricas pagam para que essas pessoas talentosas entrem, o que significa que as empresas pagarão para que as pessoas entrem e tenham status de longo, longo prazo no país", disse o presidente dos EUA.

O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul confirmou o impeachment do presidente Yoon Suk-yeol nesta sexta-feira, 4, motivado pela declaração de lei marcial que mergulhou o país em uma crise em dezembro do ano passado.

A confirmação ocorre quatro meses após o fracasso de um autogolpe de Estado que tentou impedir a oposição de chegar ao poder. A decisão abre caminho para novas eleições presidenciais, que devem ser realizadas em até 60 dias.

O governo será liderado pelo primeiro-ministro Han Duck-soo, que vive a maior crise política em décadas no país e também foi alvo de impeachment, anulado pela Justiça do país em março.

De acordo com os juízes, Yoon desrespeitou a Constituição, interferiu na independência do Judiciário e violou os direitos básicos dos sul-coreanos. Para os magistrados, ele não seguiu os procedimentos necessários para a implementação da lei marcial, e não haveria necessidade para tal medida.

"Pronunciamos o seguinte veredicto, com o acordo unânime dos juízes. Destituímos o presidente denunciado Yoon Suk-yeol", disse o magistrado principal da corte, Moon Hyung-bae.

Um dos advogados do ex-presidente, Yoon Kap-keun, chamou a decisão de "completamente incompreensível" e "puramente política". Já o Partido do Poder Popular de Yoon disse que aceitaria a decisão.

O primeiro-ministro Han Duck-soo, líder interino do país, em um discurso televisionado prometeu garantir que "não haja lacunas na segurança nacional e na diplomacia" e manter a segurança e a ordem públicas. Han foi nomeado primeiro-ministro por Yoon e se tornou líder interino quando os poderes de Yoon foram suspensos pelo impeachment.

"Respeitando a vontade do nosso povo soberano, farei o máximo para administrar a próxima eleição presidencial de acordo com a constituição e a lei, garantindo uma transição tranquila para a próxima administração", disse.

Pesquisas apontam que Lee Jae-myung, líder do principal partido liberal de oposição, o Partido Democrata, é o favorito inicial para se tornar o próximo presidente do país.

Yoon se tornou o segundo presidente a sofrer um impeachment na Coreia do Sul nos últimos anos. Em 2017, a então chefe do Executivo Park Geun-hye foi removida do cargo por consequência de uma investigação de corrupção contra ela conduzida pelo próprio Yoon, à época promotor de Justiça.

Autogolpe de Estado

A declaração de lei marcial, na noite de 3 de dezembro, foi a primeira desde o fim da ditadura no país, em 1987. Após declarar abruptamente a lei marcial, Yoon enviou centenas de soldados e policiais para a Assembleia Nacional. O texto suspendia atividades políticas e liberdades civis e levou militares às ruas de Seul, que chegaram a invadir o Parlamento, mas recuaram.

A medida foi rejeitada no Parlamento por unanimidade horas depois, em uma votação sem participação de parlamentares governistas, que mais tarde se manifestaram contra a proposta.

Yoon disse que a declaração de lei marcial foi necessária e questionou a lisura das eleições legislativas que ocorreram no ano passado, nas quais perdeu a maioria na Assembleia Nacional. Ele afirmou também que não renunciaria.

O presidente ainda afirmou que "grupos criminosos" paralisaram o trabalho do Estado e desafiaram o Estado de Direito. Essas organizações, disse, deveriam ser combatidas e impedidas de chegar ao poder "a qualquer preço". Especialistas e grupos opositores, por sua vez, disseram que Yoon tentou aplicar um golpe.

Ele foi preso em janeiro depois de se recusar a prestar depoimento e colaborar com a investigação. Ele argumentou que tentou manter a ordem, mas de acordo com relatos de oficiais militares e policiais enviados ao local, Yoon ordenou que eles retirassem os legisladores para impedir uma votação da assembleia sobre o decreto.

A Assembleia Nacional votou pelo impeachment de Yoon em 14 de dezembro, o acusando de violar a constituição e outras leis ao reprimir atividades da assembleia, tentar deter políticos e minar a paz em todo o país. (Com agências internacionais).