CPI da Covid: Indícios apontam que Dias era grande operador de esquema de propina

Política
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O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), declarou ter certeza de que o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias era o "grande operador" de um suposto esquema mensal de propina na Pasta.

Segundo Aziz, o esquema começou em 2018, durante a gestão do deputado e atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), no Ministério da Saúde, e continuou a partir de 2019, já com Dias nomeado. Naquele ano, Barros extinguiu a Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Cenadi), responsável pela distribuição de vacinas e de outros insumos pelo governo federal, e a substituiu pela VTC Operadora Logística Ltda.

De acordo com matéria publicada pelo portal UOL, testemunhas relataram a senadores que a "operadora logística" contratada durante a gestão Barros seria um meio para desviar recursos do Ministério. O esquema também beneficiaria Dias, que foi nomeado para trabalhar na pasta em 2019, e, de acordo com as denúncias, se encontrava "constantemente" com a CEO da empresa VTCLog, Andreia Lima Marinho.

Em entrevista ao UOL, Aziz disse que Dias "controlava todo o Ministério da Saúde" e que a CPI tem "fortes indícios" que apontam para a atuação do ex-diretor de Logística. "Vamos continuar investigando para que a gente possa, em cima dos fatos que nós temos, chegar aos nomes".

Apesar das provas que a comissão já acumula, Aziz sustenta que é preciso ter responsabilidade de "apontar o dedo": "Temos de ter responsabilidade e não expor pessoas sem ter certeza". Segundo o senador, "Dias mentiu muito na CPI", por isso teve a prisão decretada. "Ele era um grande operador na Saúde, em muitos contratos assinados nos últimos anos enquanto esteve ali", disse Aziz.

O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde foi nomeado ao cargo pelo ex-ministro da pasta Luiz Henrique Mandetta e se manteve apesar das mudanças de liderança na Saúde. No entanto, após denúncias na CPI, em 30 de junho, Dias foi exonerado do cargo. Para o senador, foi estranha a reação da base governista após o pedido de prisão feito por Aziz. "Ou a gente investiga ou não. Os fatos levam a ele ser o grande operador, basta saber para quem operava", aponta o senador.

Nota

Outro episódio que causou estranhamento ao presidente da comissão foi a nota assinada pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, após a prisão de Dias. No mesmo dia, Aziz declarou que há muitos anos "o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo". O senador defende o depoimento do ministro à comissão, mas apenas quando alguma acusação envolver seu nome. "Eu não tenho absolutamente nada hoje que coloque o Braga Netto nisso", comentou.

Aziz comentou ainda as ações do colegiado, que serão retomadas em agosto, logo após o fim do recesso parlamentar constitucional. De acordo com o parlamentar, no sábado (17), foi realizada uma reunião para serem divididas tarefas entre os membros do colegiado para serem analisadas durante o período de recesso.

No final de semana, o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), anunciou que está prevista para acontecer entre os dias 26 e 29 de julho uma reunião virtual entre integrantes da CPI e juristas, a fim de embasar o relatório final da comissão. O responsável pela emissão do parecer definitivo é o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou um vídeo nesta quarta-feira, 26, com a sua visão sobre o controle da Faixa de Gaza, na Truth Social. O conteúdo produzido por inteligência artificial (IA) traz imagens de estátuas de ouro com a face do republicano, além do bilionário Elon Musk passeando e jogando notas de dinheiro pela região, resorts luxuosos e dançarinas seminuas. Traz também Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, descansando às margens de uma piscina.

Em mais de uma ocasião, o presidente norte-americano defendeu que os Estados Unidos assumam o controle de Gaza para "alcançar a paz na região", mas com o deslocamento dos habitantes palestinos para outras regiões.

Trump não deu detalhes sobre onde a população poderia ser abrigada e países árabes rejeitaram a ideia, defendendo uma solução de dois Estados que envolva a Palestina.

A Gaza "repaginada" por Trump substituiria o atual cenário de guerra entre Israel e Hamas, que já dura mais de um ano e matou mais de 48 mil palestinos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.

A primeira fase do cessar-fogo entre Israel e o Hamas está prestes a ser concluída. O acordo expira em março e não há certeza sobre quando começarão as negociações para a segunda fase em busca de uma "paz duradoura".

*Com informações da Associated Press

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse, nesta quarta-feira (26), que o gabinete de segurança do México se reunirá na quinta-feira, 27, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington.

"Hoje (quarta-feira) sai o nosso gabinete de segurança que se reunirá amanhã com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington", diz Sheinbaum, ao acrescentar que "estamos trabalhando nos últimos dias para a comunicação que estava havendo entre Estados Unidos e México, no marco de nossas soberanias."

A reunião ocorre em meio a tensões recentes sobre o combate ao tráfico de drogas, soberania e segurança fronteiriça, temas centrais na relação entre os dois países. Os Estados Unidos têm pressionado o México para intensificar medidas contra cartéis de drogas, enquanto o governo mexicano tem reforçado sua posição de cooperação, mas sem interferências externas.

Além disso, as discussões devem abordar a crescente migração de pessoas em direção aos EUA, um dos principais desafios da administração de Sheinbaum. O encontro em Washington faz parte de um esforço diplomático para reforçar o diálogo entre os dois países, que têm mantido negociações constantes sobre segurança regional e controle fronteiriço.

Um pequeno grupo de turistas estrangeiros visitou a Coreia do Norte na última semana, tornando-se os primeiros viajantes internacionais a entrar no país em cinco anos - com exceção de um grupo de russos que esteve lá no ano passado. A viagem indica que o regime pode estar se preparando para reabrir totalmente o turismo internacional, em busca de moeda estrangeira para impulsionar sua economia fragilizada, segundo especialistas.

A agência Koryo Tours, com sede em Pequim, organizou uma viagem de cinco dias, de 20 a 24 de fevereiro, para 13 turistas internacionais à cidade fronteiriça de Rason, no nordeste do país, onde fica a zona econômica especial norte-coreana.

O gerente-geral da agência, Simon Cockerell, afirmou que os viajantes, vindos do Reino Unido, Canadá, Grécia, Nova Zelândia, França, Alemanha, Áustria, Austrália e Itália, cruzaram a fronteira por terra a partir da China. Em Rason, visitaram fábricas, lojas, escolas e as estátuas de Kim Il Sung e Kim Jong Il, avô e pai do atual líder Kim Jong Un.

"Desde janeiro de 2020, o país estava fechado para todos os turistas internacionais", disse Cockerell. "Nossa primeira excursão já ocorreu, e agora mais turistas, tanto em grupo quanto em viagens privadas, estão sendo organizados para entrar no país", acrescentou.

Com o início da pandemia, a Coreia do Norte impôs uma das restrições mais rígidas do mundo contra a covid-19, proibindo turistas, expulsando diplomatas e praticamente fechando suas fronteiras. Mas, desde 2022, o regime tem reduzido gradualmente essas restrições.

Em 2024, cerca de 880 turistas russos visitaram a Coreia do Norte, segundo o Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que citou dados oficiais da Rússia. As excursões em grupo da China para o país, no entanto, ainda não foram retomadas. Isso reflete a crescente aproximação entre Coreia do Norte e Rússia, já que Pyongyang tem fornecido armas e tropas para Moscou em apoio à guerra na Ucrânia. Fonte: Associated Press.