'Candidatos de opinião' são maioria entre os mais votados na Câmara de SP

Política
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O tradicional perfil do vereador de bairro parece estar perdendo força na cidade de São Paulo. Dos dez vereadores mais votados para a Câmara Municipal em 2020, a maioria não possui uma base eleitoral concentrada em uma região específica da capital. Em vez disso, angariaram votos de várias partes da cidade graças ao engajamento em pautas diversas, alinhadas tanto à direita quanto à esquerda. É o que mostra levantamento do Laboratório de Eleições, Partidos e Política Comparada (LAPPCOM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), feito a pedido do Estadão.

 

Especialistas ouvidos pela reportagem destacaram o papel das redes sociais ao tentar explicar o bom desempenho dos chamados "candidatos de opinião", ou aqueles que não possuem uma base eleitoral territorial definida. Eles também avaliaram que esse perfil de político pode ter uma vantagem sobre os candidatos tradicionais novamente nas eleições municipais deste ano, com postulantes evangélicos à Câmara Municipal despontando entre os potenciais eleitos.

 

A pesquisa realizada pelo laboratório da UFRJ analisou apenas os parlamentares no exercício do mandato. Como o Estadão mostrou em fevereiro, a Câmara Municipal teve 13 baixas em relação à lista dos 55 vereadores eleitos em 2020. Disputas estaduais e federais, cargos na Prefeitura e no governo do Estado, além de uma cassação por motivo de racismo e um falecimento, mudaram a fotografia dos representantes da cidade no Palácio Anchieta, cedendo lugares a suplentes.

 

VOTO DISPERSO

 

Entre os dez vereadores mais votados há quatro anos, seis não contam com uma base eleitoral territorial consolidada e são considerados políticos de opinião. Em outras palavras, esses parlamentares foram eleitos não por representarem uma determinada região, mas, sim, por defenderem suas agendas políticas e ideológicas.

 

A vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL) é uma das que ilustram o perfil do candidato de opinião. Com adesão em áreas mais ricas, a "professora de História da rede municipal de ensino, mãe e ativista do movimento feminista" integra a lista dos dez candidatos mais votados da cidade nas eleições em 2020, quando obteve 46,2 mil votos.

 

Também representa essa categoria de candidato, mas no outro lado do espectro político, o vereador Fernando Holiday (PL). Com foco em pautas alinhadas à direita, Holiday, segundo o estudo do LAPPCOM, possui uma votação considerada "dispersa", em mais de uma região da cidade e com diferentes níveis de renda.

 

O vereador Thammy Miranda (PSD), o nono candidato mais votado de São Paulo há quatro anos, também mantém essa característica de voto disperso. Sua maior concentração de votos foi de 2,7%, registrada na zona eleitoral da Brasilândia, seguida pela zona da Sé. Thammy, que atua principalmente na pauta de proteção à mulher, trocou o PL pelo PSD depois que o ex-presidente Jair Bolsonaro ingressou no Partido Liberal.

 

Coordenadora do LAPPCOM, a professora Mayra Goulart disse ver, na disputa a uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo, uma "vantagem considerável" dos candidatos de opinião sobre aqueles com base eleitoral em uma região específica, em razão do tamanho da cidade. "Se ele conseguir conquistar minorias em uma área geograficamente ampla, é bastante provável que seja eleito como um dos mais votados", afirmou Mayra.

 

Eleita em 2020 com 37,5 mil votos, a vereadora Luana Alves (PSOL) foi considerada um "perfil único" entre os candidatos analisados pela LAPPCOM. No que diz respeito ao desempenho eleitoral, a parlamentar registrou alguma concentração de votos (10%) no distrito de Rio Pequeno (26.º mais pobre) e também em Pinheiros (6.º mais rico). Luana se destacou como uma candidata de opinião, com seus votos dispersos pela cidade de São Paulo, mas que, ao contrário de outros perfis da categoria de opinião, conseguem alcançar um público mais pobre.

 

TRADICIONAIS

 

Os candidatos com forte concentração de votos em uma determinada área são chamados de "majoritários". Representam a figura do político tradicional, que atua diretamente nos bairros, muitas vezes por meio de associações locais. Esse tipo de candidato geralmente tem influência considerável sobre essa região, o que indica que ele atrai nas urnas não apenas minorias desse território, mas também o eleitor médio, que não está vinculado a grupos específicos, como sindicatos ou o movimento negro, por exemplo.

 

Atual presidente da Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Milton Leite (União Brasil) é considerado um político de propensão majoritária, com uma base eleitoral expressiva em bairros da zona sul, especialmente nos arredores do Capão Redondo. Em seu sétimo mandato consecutivo na Casa, desde 1997, Leite foi eleito em 2020 com mais de 132 mil votos. Ele tem dito, porém, que não pretende concorrer a um oitavo mandato na Câmara em outubro.

 

Diferentemente do perfil majoritário, o político de opinião costuma representar nichos, como um movimento social ou uma categoria trabalhista, por exemplo. Em uma cidade grande, é possível que um vereador esteja entre os mais votados nas urnas mesmo sem ter um perfil majoritário, por causa do grande número de eleitores e da influência das minorias. Em cidades pequenas, no entanto, o cenário é outro e é improvável que um político sem perfil majoritário seja eleito, já que as minorias não costumam ter força suficiente para garantir a eleição de alguém.

 

REDES SOCIAIS

 

Para a professora Mayra Goulart, as redes sociais desempenham papel crucial para os candidatos de opinião, uma vez que assumem um papel anteriormente restrito à mídia tradicional. "As redes sociais facilitam essa dinâmica e permitem um melhor estabelecimento dos nichos, além de possibilitar a produção de conteúdo de comunicação mais segmentado para nichos específicos", observou a coordenadora do laboratório da UFRJ. Thammy Miranda, por exemplo, possui mais de três milhões de seguidores no Instagram.

 

Professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Paulo Niccoli Ramirez destacou que, na corrida por uma cadeira na Câmara Municipal, geralmente há dois tipos distintos de candidatos. "Tradicionalmente, nas eleições, esse padrão de políticos que se adequam às demandas regionais e conseguem se eleger não é algo novo. No entanto, uma novidade nos últimos anos tem sido o impacto das redes sociais, que tendem a produzir um voto mais difuso", disse ele.

 

Segundo Ramirez, os políticos que possuem alguma ligação com as denominações evangélicas têm se destacado nesse contexto, pois conseguem mobilizar o apoio de uma base mais ampla. Da mesma forma, os chamados políticos outsiders também têm conseguindo tirar proveito das redes sociais para viabilizar suas candidaturas. "A juventude, principalmente, vota muito nesses políticos. Temos o caso do Kim Kataguiri (União Brasil-SP), que conseguiu ser eleito deputado federal", disse o professor.

 

'TEMÁTICOS'

 

Evangélica, a vereadora Rute Costa (PL) pode ser classificada como uma candidata de opinião, considerando o comportamento da distribuição de sua votação em 2020. A zona eleitoral de Pinheiros foi onde ela recebeu a maior parte dos votos, ou 7,28% do total. Rute demonstra relevância tanto na zona oeste quanto no centro de São Paulo, especialmente em bairros identificados socioeconomicamente como "regiões de renda acima da mediana".

 

Ao mesmo tempo, a vereadora do PL registra um bom diálogo com algumas localidades mais pobres, o que pode ser atribuído, em parte, ao fato de ser evangélica. De acordo com informações de seu gabinete, Rute é filha de um casal que veio do Ceará para São Paulo e se tornou líder da Assembleia de Deus no Brasil. A vereadora é do Conjunto de Adolescentes da Assembleia de Deus Ministério do Belém (Creio) e, em 2016, ingressou na política com o apoio de sua igreja.

 

Com uma atuação em defesa "do meio ambiente e de todas as formas de vida", o vereador Roberto Trípoli (PV), de acordo com o estudo do laboratório da UFRJ, não apresenta altas taxas de concentração de votos e, portanto, é outro que se enquadra como candidato de opinião. Conhecido como um defensor dos animais, Tripoli tem apoio em áreas consideradas "de baixo perfil socioeconômico" da zona leste de São Paulo, apontou o estudo da LAPPCOM. Em 2020, foi eleito com 46,2 mil votos.

 

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Claudio Couto afirmou que, embora os candidatos "temáticos" dominem entre os dez mais votados, essa tendência pode não refletir na distribuição geral dos votos. "Muitos vereadores com atuação regionalizada podem não angariar uma grande quantidade de votos, mas, ainda assim, conseguir o suficiente para garantir uma cadeira na Câmara Municipal", disse.

 

Conforme Couto, as redes sociais, entretanto, desempenham um papel duplo na campanha eleitoral. Elas permitem que os candidatos temáticos alcancem um grande número de pessoas e também facilitam a comunicação em nível regional. Por exemplo, a criação de grupos de WhatsApp específicos para determinados bairros pode ser uma ferramenta poderosa para garantir adesão e votos dentro dessas comunidades, avaliou o professor da FGV.

 

VOTO CONCENTRADO

 

Três dos vereadores que estão entre os dez mais votados na disputa de 2020 foram classificados pelo levantamento como detentores de "voto concentrado". Essa categoria, diferentemente do perfil majoritário, não exerce dominância na região em que foi registrada essa concentração de votos. É o caso de André Santos, Sansão Pereira e Atílio Francisco, todos filiados ao Republicanos.

 

No caso de Sansão Pereira, por exemplo, seu desempenho eleitoral mostra certas concentrações em regiões como Itaim Paulista (14.º mais pobre), Cidade Tiradentes (39.º mais pobre) e São Mateus (34.º mais pobre). A performance do parlamentar do Republicanos, no entanto, não é suficiente para o vereador alcançar a predominância necessária para ser classificado como um político majoritário.

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta sexta, 14, que negociará um cessar-fogo com a Ucrânia se Kiev retirar suas tropas das quatro províncias que Moscou reivindica e renunciar a uma adesão à Otan. Em uma reação imediata, a Ucrânia afirmou que Putin deu a ela um "ultimato à moda Hitler", dizendo que a proposta era equivalente a uma rendição. As declarações foram dadas na véspera do primeiro dia da Cúpula de Paz realizada na Suíça entre este sábado, 15, e domingo, 16, a pedido de Kiev, com a participação de diversos líderes mundiais, com exceção da Rússia.

O anúncio de Putin estipula que a Ucrânia entregue efetivamente enormes extensões de terra que Moscou controla parcialmente: as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. A Rússia já anexou a região da Crimeia, em 2014. Foi o conjunto mais concreto de condições territoriais de Putin para encerrar a guerra até agora.

Kiev, por sua vez, disse que a Rússia deve retirar suas tropas de todo o território ucraniano internacionalmente reconhecido. "O objetivo (da declaração de Putin) é enganar a comunidade internacional, minar os esforços diplomáticos destinados a alcançar uma paz justa e dividir a unidade do mundo em relação aos princípios da Carta das Nações Unidas", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano.

Ausências

A cúpula na Suíça reunirá representantes de mais de 90 países e tentará apresentar pontos de convergência entre nações do Ocidente e do Sul Global, apesar de ausências de peso como a própria Rússia e a China.

Não convidado para o evento, Moscou disse se tratar de uma "perda de tempo". A China, por sua vez, não comparecerá por considerar que Rússia e Ucrânia precisam estar juntas em negociações de paz.

Outros países importantes como Arábia Saudita e Paquistão também não enviaram delegações e Brasil e Índia mandariam representantes de menor peso diplomático.

A Suíça afirmou que a conferência é um primeiro passo para tratar de possíveis soluções para a paz e a Rússia deverá participar de uma segunda cúpula, ainda sem data.

A conferência focará três pontos que compõem uma fórmula de paz proposta pelo presidente ucraniano, Volodmir Zelenski: segurança nuclear, segurança alimentar e libertação de prisioneiros de guerra e crianças sequestradas.

"As questões são importantes para os participantes. Todos querem a livre circulação porque se abastecem dos grãos que vêm da região. A segurança nuclear também é uma preocupação mundial e a libertação de crianças é uma questão humanitária", avalia Vitelio Brustolin, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador da Universidade de Harvard.

Segundo um comunicado do governo suíço, são problemas civis e relevantes para países geograficamente distantes da Ucrânia, mas também afetados pela guerra, "particularmente, o Sul Global". A Ucrânia é uma grande produtora de grãos.

"Kiev vai tentar mostrar que os países de Ásia, África e América do Sul ficarão menos seguros se estes tópicos não forem resolvidos", avalia Simon Schlegel, analista para Ucrânia do centro de estudos International Crisis Group. Kiev quer ressaltar que essas são questões globais, não apenas ucranianas.

Reveses

Segurança alimentar e libertação de crianças deportadas para a Rússia estão entre os raros tópicos que Moscou e Kiev já conseguiram chegar a algum entendimento desde que o conflito começou, em fevereiro de 2022. As negociações, porém, sofreram reveses. "As propostas (novamente em discussão) não envolvem territórios e por isso é possível acreditar que seria mais fácil para a Rússia negociar", disse Brustolin.

O chanceler da Suíça, Ignazio Cassis, afirmou em entrevista coletiva que o país sabe que não é possível discutir o processo de paz sem a presença da Rússia. "A questão não é se a Rússia participará das negociações, mas quando", disse.

O governo suíço enviou convites para 160 líderes. Até ontem, 90 países tinham confirmado. O presidente dos EUA, Joe Biden, que estava na Itália para a cúpula do G-7, optou por retornar ao seu país para participar de um comício de campanha e será representado pela vice-presidente americana, Kamala Harris. Todos os outros líderes do G-7 confirmaram presença.

Documento final

Para o analista do International Crisis Group, é importante que Kiev consiga angariar um grande número de países. "É uma questão simbólica, o peso da cúpula será medido pelo número de países que participarão, pelo peso desses países e também pelo nível de autoridades importantes que estarão lá."

Mesmo assim, para o professor de relações internacionais da ESPM-SP, Gunther Rudzit, será difícil fazer com que os países do Sul Global apoiem um documento final no evento. "Muitas das nações que devem ir ao evento dependem financeiramente da China e Pequim não quer deixar a Rússia isolada", disse. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou nesta sexta-feira, 14, a norma que proibia os bump stocks, dispositivos que aumentam a capacidade de disparo de fuzis, equiparando-os a metralhadoras automáticas. A proibição havia sido implementada durante o governo Donald Trump depois do massacre de Las Vegas, o mais letal da história moderna americana.

A decisão por um placar de seis votos a três reverte uma das poucas medidas para conter a violência armada no país e reflete as divisões ideológicas da Suprema Corte americana, de maioria conservadora. No parecer, o juiz Clarence Thomas escreveu que a Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF da sigla em inglês) excedeu os seus poderes ao proibir o dispositivo.

Os bump stocks aumentam a capacidade de disparo dos fuzis semiautomáticos para até 800 tiros por minuto, comparável às metralhadoras, que são proibidas para uso de civis nos Estados Unidos por uma lei de 1986. Foi nessa regra que o governo se baseou, em 2018, para proibir o dispositivo, usado no ataque a tiros a um festival de música country que matou 60 pessoas e deixou mais de 500 feridos.

"Consideramos que um fuzil semiautomático equipado com um bump stock não é uma 'metralhadora' porque não pode disparar mais de um tiro 'por uma única função do gatilho'", escreveu Thomas, referindo-se à definição para metralhadora que consta na lei de 1986.

O juiz focou em aspectos técnicos da lei e do dispositivo - incluindo diagramas do seu funcionamento - para justificar a decisão. "Com ou sem bump stock, o atirador deve soltar e reiniciar o gatilho entre cada tiro", argumentou.

O massacre de Las Vegas "demonstrou que um fuzil semiautomático equipado com um bump stock pode ter o mesmo efeito letal que uma metralhadora e, portanto, reforçou os argumentos a favor de uma revisão desta lei", reconheceu o conservador Samuel Alito. "Mas um acontecimento que destaca a necessidade de modificar a lei não altera por si só o significado da lei", acrescentou, sugerindo que o Congresso deveria agir.

A juíza Sonia Sotomayor, da minoria liberal, apresentou sua discordância acompanhada pelas juízas Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson, também da ala progressista do tribunal.

Ela criticou os conservadores por não aceitarem a definição comum de metralhadora e alertou que a decisão terá consequências mortais ao dificultar os esforços do governo para impedir que atiradores, como o de Las Vegas, tenham acesso aos bump stocks. "A maioria coloca metralhadoras de volta nas mãos de civis", disse ela.

Poder letal

O poder letal do dispositivo ficou evidente em outubro de 2017, quando Stephen Paddock, 64 anos, abriu fogo no festival de música country que ocorria em um hotel em Las Vegas. Durante cerca de 11 minutos, ele disparou mais de mil cartuchos de munição no que continua sendo o ataque mais mortal da história moderna dos EUA. Em seu arsenal, havia uma dúzia de fuzis AR-15 equipados com bump stocks.

"A decisão é, na verdade, apenas outra forma de convidar as pessoas para outro tiroteio em massa", disse Danette Meyers, amiga e porta-voz da família de Christiana Duarte, vítima do massacre em Las Vegas.

Após a tragédia de Las Vegas e do ataque de Parkland na Flórida, que deixou 17 mortos em uma escola, em fevereiro de 2018, o governo Donald Trump se comprometeu a proibir os bump stocks. Em dezembro, a agência responsável pelas armas de fogo passou a considerar o dispositivo equivalente à metralhadoras e ordenou a quem possuísse que os destruísse ou entregasse às autoridades em um prazo de 90 dias.

Enquanto tenta voltar à Casa Branca, Donald Trump pareceu minimizar a ação do seu próprio governo, quando disse a representantes da Associação Nacional de Rifles (NRA da sigla em inglês) que nada aconteceu em relação às armas enquanto esteve na presidência apesar da grande pressão. Na ocasião, ele disse ao grupo se for eleito novamente, "ninguém colocará um dedo nas suas armas de fogo".

Decisão criticada por democratas

Nesta sexta, a equipe de campanha à reeleição do presidente Joe Biden, que defende mais restrições para armas, criticou a decisão do tribunal, que acusou de priorizar o lobby das armas em detrimento da segurança.

"As armas de guerra não têm lugar nas ruas dos Estados Unidos, mas os juízes da Suprema Corte de Trump decidiram que o lobby das armas é mais importante do que a segurança das nossas crianças e comunidades", disse o porta-voz da campanha, Michael Tyler, em nota.

A mesma Suprema Corte de maioria conservadora, em 2022, ampliou o direito de carregar armas em público nos EUA ao derrubar a lei do Estado de Nova York que estabelecia limites para o porte.

Para as próximas semanas, é esperado que o tribunal arbitre sobre a tentativa do governo Joe Biden de proibir o acesso a armas para pessoas sob ordens de restrição por violência doméstica. A medida foi declarada inconstitucional pela Justiça com base na Segunda Emenda da Constituição, que garante o direito de manter e portar armas nos EUA. A Casa Branca recorreu na Suprema Corte. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu apoiar a entrada da Turquia como novo membro do Brics, bloco informal de coordenação política e econômica de países em desenvolvimento. Lula recebeu pedido do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante uma conversa à margem da reunião de líderes do G7, na Itália. Ele já havia sinalizado o interesse à Rússia e também recebeu sinal verde.

"Lula disse quer vai apoiar a demanda turca e afirmou que pretende fazer uma visita ao país localizado na região que conecta a Europa ao Oriente Médio", informou o Palácio do Planalto, agregando que o líder turco, por sua vez, confirmou presença na Cúpula do G-20, no Rio, em 18 e 19 de novembro.

A Turquia é considerada candidata a entrar na União Europeia desde 1999 e iniciou as negociações em 2005. O país vive um impasse desde ao menos 2018, por retrocessos democráticos, embora seja considerada uma nação parceira do bloco. Erdogan já sinalizou que poderia desistir do processo.

Após uma ampliação no ano passado, o Brics passou a receber ainda mais pedidos de países candidatos a se tornarem membros. A decisão deve ser tomada sempre por consenso e diversos líderes globais esperam que a Cúpula de Líderes de 2024 possa ter uma nova rodada de crescimento, embora o processo costume demorar e ser debatido por anos até se concretizar.

O processo de ampliação vem sendo patrocinado principalmente pela China, que busca fortalecer novos blocos internacionais como forma de contestar e enfrentar o poder econômico e geopolítico do G7, influenciado principalmente pelos Estados Unidos.

Embora diplomatas tentem minimizar a oposição e rivalidade, o ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial de Lula e defensor do fortalecimento do chamado Sul Global, liderado pela China, já disse que o crescimento e o interesse pelo Brics mostra que o mundo não é mais "ditado" pelo G7.

Entre os países que já pediram adesão formal ou informalmente, além da Turquia, estão Colômbia, Venezuela, Cuba, Argélia, Paquistão, Tailândia e Indonésia. Mais de 40 países demonstraram interesse desde o ano passado, como a Nigéria.

Recentemente Lula prometeu patrocinar o ingresso da Colômbia no grupo, depois que a Argentina declinou do convite por decisão do presidente Javier Milei.

O Brics passou por uma ampla expansão no ano passado, o que não ocorria desde a entrada da África do Sul em 2011, e terá dez membros na cúpula de Kazan, na Rússia, entre 22 e 24 de outubro: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e os novos Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Reuniões bilaterais

Ainda na Itália, o presidente se reuniu reservadamente com o papa Francisco, com o presidente da França, Emmanuel Macron, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

O governo disse que Lula e Ursula trataram do Acordo Mercosul-União Europeia, travado desde o fim do ano passado por razões políticas, e do empoderamento feminino na política.

Com Macron, Lula tratou do combate ao garimpo ilegal e crimes transfronteiriços entre Brasil e Guiana Francesa, que são alvo de cooperação policial. Eles também trataram das celebrações do Ano do Brasil na França e do Ano da França no Brasil, para promoção de intercâmbio cultural.

"Juntos, continuaremos a enfrentar os grandes desafios do nosso tempo e a defender os valores universais que são a base das nossas democracias", registrou Macron.

Modi confirmou presença na Cúpula de Líderes do G20, a ser realizada no Brasil em novembro, segundo o governo brasileiro. No ano passado, Lula recebeu do premiê indiano, em Nova Délhi, a presidência do grupo que reúne as principais economias do mundo. O petista afirmou que pretende realizar nova visita à Índia.