Ante previsão de novo temporal, Nunes suspende agenda de campanha e intensifica críticas à Enel

Política
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
Em alerta com a previsão de um novo temporal nesta sexta-feira, 18, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) suspendeu suas agendas de campanha e endureceu o discurso contra a Enel, levando as críticas à empresa para o horário eleitoral e para as redes sociais. O prefeito, que teme um desgaste eleitoral em função das chuvas, também reforçou a estratégia de responsabilizar o governo federal pela crise envolvendo a concessionária privada de energia.

Na madrugada desta quarta-feira, 17, o prefeito cancelou a participação em um debate com seu concorrente, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), alegando que terá que participar de uma reunião extraordinária no Palácio dos Bandeirantes, com concessionárias de energia.

Desde segunda-feira, 14, a campanha do emedebista impulsionou nove anúncios no Facebook e no Instagram sobre o tema. São cortes do debate da Band onde Nunes se coloca contra a Enel, cobra o governo federal, se solidariza com os afetados pelo apagão e diz que Guilherme Boulos (PSOL), como deputado federal, poderia ter proposto mudanças na legislação para dar poder à Prefeitura de fiscalizar e multar a empresa.

"Guilherme Boulos, você precisa explicar por que você sequer, como deputado federal, fez alguma sugestão de alteração da lei federal. A lei federal diz que as concessões de energia elétrica cabem ao governo federal, que não fez nada. Se tivesse tirado a Enel a gente não teria tido esse problema pela terceira vez", diz Nunes no vídeo veiculado em um dos anúncios. Somados, os impulsionamentos alcançaram 1,3 milhões de contas.

Nos últimos dias, no horário eleitoral, a campanha de Nunes acusou Boulos de se "promover" com a tragédia, enquanto o atual prefeito "trabalha". As inserções mostram Nunes na central de monitoramento onde foi instituído um comitê de crise.

"Sabe o que é triste? Com tanta luta, com tanto sofrimento do nosso povo, a gente vê, infelizmente, um candidato lacrar na internet. Querer usar a dor do povo para ficar fazendo videozinho. E eu aqui, trabalhando com a minha equipe, na rua, virando a madrugada", afirma Nunes em um dos vídeos, destacando que entrou com ação judicial contra a Enel. Em outra inserção, a campanha do prefeito reforça que a Enel é responsabilidade da União.

Em vídeos publicados nas suas redes sociais, o prefeito acusa o governo Lula (PT) de "passar pano" para a Enel e diz que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), queria renovar com a empresa. Silveira rebateu dizendo que o prefeito lançou uma fake news. Em outra publicação, o prefeito questiona: "Cadê o interventor na Enel, Lula?".

Boulos tem apostado suas fichas no desgaste do prefeito com o apagão. A sua propaganda no horário eleitoral desta quarta-feira diz que São Paulo não pode ficar mais quatro anos "nas mãos de um prefeito tão apagado", usando um trocadilho. "Se o Ricardo não dá conta nem de podar as árvores da cidade, tá na hora de podar o Ricardo", diz o locutor.

Levantamento realizado pela consultoria Fatto Inteligência Política aponta que Nunes ganhou no primeiro turno em quatro dos bairros mais impactados pelo apagão, enquanto outros três locais deram a vitória a Boulos. "Os bairros mais atingidos pelo blackout estão concentrados no centro-sul da capital paulista. Desses, Ricardo Nunes venceu no Jabaquara, Pedreira, Santo Amaro e Socorro, enquanto Boulos venceu no Campo Limpo, Jardim São Luís e em Pinheiros", diz relatório enviado aos clientes.

A consultoria aponta ainda que os bairros onde Pablo Marçal (PRTB) foi mais votado, que em tese seriam os locais mais visados no segundo turno pelos candidatos do MDB e do PSOL, foram menos impactados pela falta de energia elétrica.

Como mostrou o Estadão, a campanha de Nunes avalia que o apagão do último final de semana terá efeitos eleitorais limitados porque entende que o prefeito conseguiu transmitir a mensagem que parte do problema é responsabilidade federal, já que cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendar a caducidade do contrato e ao Ministério de Minas e Energia prosseguir com o eventual rompimento.

Há temor, no entanto, que um novo apagão possa mudar o cenário e prejudicar Nunes. O prefeito afirmou nesta quarta-feira, 16, que a previsão é de chuva na sexta-feira, 18, e no sábado, 19, mas ponderou que ainda não se sabe qual será a intensidade da precipitação.

"Não temos, neste momento, confirmação pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência da Prefeitura) de que terá, como foi colocado por algumas pessoas, a quantidade de chuva e de ventos (do registrado anteriormente) para sexta e sábado", disse o prefeito.

Pesquisa

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira coloca Nunes com 12 pontos de vantagem sobre Boulos. Segundo o levantamento, o prefeito tem 45% das intenções de voto contra 33% do psolista. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. As entrevistas foram realizadas entre os dias 13 e 15 de outubro, o que significa que elas ocorreram enquanto parte da população ainda sofria as consequências do apagão.

Em outra categoria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que manteve boas relações com todos os grupos políticos da Alemanha, mas que seu governo aguarda os desdobramentos no país após a eleição.

Durante coletiva na Casa Branca após encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, nesta quinta-feira, o mandatário americano disse que aceitou o convite recebido do Rei Charles para visitar o Reino Unido.

"Convite de Rei Charles é sem precedente, simboliza força da relação Estados Unidos-Reino Unido", disse Starmer, que entregou a carta com o convite.

Um carro atropelou vários pedestres em um ponto de ônibus no norte de Israel na tarde desta quinta-feira, 27. Segundo a imprensa israelense, 14 pessoas ficaram feridas, incluindo uma adolescente de 17 anos que está em estado crítico e duas pessoas em estado grave.

De acordo com um comunicado da polícia israelense, o motorista fugiu após o ataque, mas foi avistado por policiais. Ele atingiu uma viatura antes de ser baleado e morto pela polícia. O governo israelense trata o atropelamento como um ataque terrorista.

"As descobertas preliminares indicam que ele atacou deliberadamente civis que esperavam numa paragem de autocarro", apontou a polícia.

Posteriormente, a polícia identificou o agressor como um palestino de 53 anos de uma vila perto de Jenin, no norte da Cisjordânia. Ele era casado com uma mulher árabe israelense e havia entrado ilegalmente em Israel.

Assi Aharoni, chefe da divisão de porta-vozes da polícia, relatou em entrevista ao portal israelense Ynet que o homem ameaçou os policiais com uma chave de fenda antes de ser morto. "Ainda estamos realizando exames para saber se ele aproveitou a oportunidade e agiu sozinho ou se houve outros cúmplices".

O ataque ocorre em meio a forte tensão na região da Cisjordânia, onde o Exército de Israel realiza uma forte ofensiva contra grupos terroristas na região, mobilizando tanques no local pela primeira vez em 20 anos.

As operações militares se intensificaram em janeiro, durante a trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza. Grupos terroristas como Hamas, Jihad Islâmica e as Brigadas de Jenin atuam na Cisjordânia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a Ucrânia não se unirá à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, na sigla em inglês), enquanto as negociações para a paz envolverão esforços para que os ucranianos recuperem algumas das suas terras perdidas após a invasão da Rússia.

"Isso não ocorrerá", disse Trump sobre a entrada da Ucrânia na OTAN durante coletiva na Casa Branca após encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, nesta quinta-feira, 27.

Trump disse que o acordo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, será sobre minerais e outros temas, que deve ser assinado amanhã.

"Tivemos boas conversas com a Rússia e também com a Ucrânia", disse Trump, ressaltando, contudo, que a relação entre Zelensky e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, "não são boas".

Trump afirmou ainda que os EUA ajudaram muito a OTAN, mais do que qualquer outro país, mas que isso mudará.

O presidente americano disse ainda que seu governo está sendo bem sucedido sobre as medidas para reduzir o Estado.