Câmara homenageia Marielle, mas Lira não participa enquanto prisão de Brazão é votada

Política
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A Câmara dos Deputados realizou neste terça-feira, 26, sessão solene em homenagem a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, assinados em 2018. O ato foi organizado para lembrar os seis anos do crime que, segundo a Polícia Federal, já tem mandantes indicados na investigação. A solenidade não contou com mensagem do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

 

Em outras cerimônias no plenário, Lira já havia se manifestado para falar dos homenageados. Foi assim há seis meses, quando o plenário da Câmara fez sessão para celebrar o guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, morto em 2022. Há um mês, numa nova sessão, foram comemorados os 40 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em ambos atos, houve mensagem de Lira.

 

A assessoria do presidente da Câmara afirma que há cerca de 40 dias teria ocorrido uma mudança sobre os procedimentos em sessões solenes para que a mensagem lida durante a cerimônia fosse de autoria do parlamentar que preside a audiência e não de Lira.

 

Coube a segunda-secretária da Câmara, Maria do Rosário (PT-RS), discursar em nome da Mesa Diretora. No discurso, a parlamentar fez uma defesa dos Direitos Humanos, apontou que há "relações criminosas" no Estado brasileiro e defendeu uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para que investigações de casos ligados a milícias passem para investigação a nível federal.

 

A sessão ocorreu no mesmo dia em que a Câmara aprecia a prisão de um deputado federal envolvido no caso. Chiquinho Brazão (União-RJ) foi preso preventivamente neste domingo, 24, suspeito de ter sido mandante do crime. O irmão dele, Domingos Brazão, que é conselheiro do Tribunal de Contas da União (TCU), e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa foram também detidos pela mesma suspeita.

 

"Todos esses apontados pela investigação como mandante desse crime bárbaro ao lado de ex-policiais já presos por terem cometido esse crime devem nos instar a buscar mais respostas sobre o crime cometido contra Marielle e Anderson, e principalmente sobre as relações criminosas que permeiam o Estado brasileiro", afirma Rosário. "Há quanto tempo o Estado serve ao interesse das milícias?"

 

A sessão aberta por Rosário foi presidida por Talíria Petrone (PSOL-RJ). O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, e dezenas de parlamentares do PSOL, PT e PCdoB compareceram. A sobrevivente do atentado, Fernanda Chaves, que foi assessora de Marielle, também esteve presente.

 

"Foi preciso a gente mudar de presidente para que um crime desse porte recebesse o devido tratamento que ele merece. O Estado do Rio de Janeiro falhou miseravelmente quando não evitou esse assassinato" diz Fernanda.

 

Para Silvio Almeida, Marielle e Anderson "representou um início de um processo de degradação institucional e civilizatória da sociedade brasileira". "Os assassinos, esses facínoras, canalhas que foram presos ontem, subestimaram a força do povo brasileiro", afirma. "Só que eles erraram redondamente, se enganaram. Subestimaram nossa força e capacidade de organização."

 

Talíria cobrou pela manutenção da prisão do deputado federal Chiquinho Brazão. "É tarefa deste Parlamento, de forma mais célere possível, ratificar a prisão de um deputado federal que tem nas costas a execução de uma mulher negra da favela eleita", afirma.

 

Nesta mesma terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara apreciará a prisão de Chiquinho Brazão, preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), suspeito de ser mandante do assassinato de Marielle.

 

Após passar pela comissão, o relatório vai para o plenário, mas Lira ainda não anunciou quando a sessão ocorrerá. A expectativa é que seja ainda nesta semana.

 

O relator é o deputado Darci de Matos (PSD-SC). Ele emitiu parecer favorável à manutenção da ordem do STF e acredita que a Câmara deverá formar maioria para validar a detenção. "Acho que não terá tantas dificuldades no plenário para buscar os 257 votos", afirma.

 

De acordo com os últimos precedentes, como o do ex-deputado bolsonarista Daniel Silveira, a presidência da Casa, após ser informada oficialmente pelo STF, notifica o parlamentar de que a detenção será analisada na próxima sessão do plenário.

 

No plenário, é apresentado o parecer da CCJ, que será feito por Darci de Matos, devido à urgência. A defesa do deputado preso fala por três vezes durante a análise - antes da leitura do parecer, após a leitura e depois da discussão. Cada manifestação da defesa dura 15 minutos. A votação é aberta, e a resolução com o que for decidido é promulgada na própria sessão.

 

Chiquinho Brazão foi expulso, por unanimidade, do União Brasil. A decisão, confirmada ao Broadcast Político/Estadão (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) pelo secretário-geral da legenda, ACM Neto, foi tomada em reunião virtual realizada na noite deste domingo.

 

A previsão inicial era de que o encontro da Executiva Nacional fosse na terça-feira, 26, de forma presencial, mas integrantes da sigla quiseram resolver o caso o mais rápido possível.

 

Por ordem do STF, a Polícia Federal deflagrou no domingo, 24, a Operação Murder Inc, que prendeu de forma preventiva Chiquinho Brazão, seu irmão Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e o ex-chefe de Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa. Os três são suspeitos de serem os mandantes do crime.

 

Quem autorizou a operação foi o ministro Alexandre de Moraes, integrante da Corte, que assumiu recentemente o caso Marielle.

 

O advogado Ubiratan Guedes, que representa Domingos, e o advogado Alexandre Dumans, que representa Barbosa, negam a participação deles no assassinato da vereadora. A defesa de Chiquinho Brazão foi procurada neste domingo, mas não se manifestou. No último dia 20, em nota, ele se disse "surpreendido por especulações que buscam lhe envolver no crime".

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O presidente da Argentina, Javier Milei, aproveitou uma brecha na Constituição e preencheu duas vagas da Suprema Corte por decreto durante o recesso do Congresso. A manobra controvertida foi publicada em Diário Oficial nesta quarta-feira, 26, e enfrenta o primeiro desafio legal. Em petição apresentada à Justiça, uma organização da sociedade civil pede a nulidade das nomeações.

Sem força para aprovar as indicações de Manuel García Mansilla e Ariel Lijo à mais alta Corte de Argentina, a Casa Rosada se utilizou do artigo da Constituição que prevê a nomeação "em comissão", ou seja, de forma interina durante o recesso do Congresso. Para os críticos, contudo, o mecanismo deveria ser usado em casos excepcionais.

Em petição à Justiça, o Centro de Estudos para a Promoção da Igualdade e da Solidariedade (CEPIS) solicitou a anulação do decreto, além de medida cautelar que anule os seus efeitos. No caso, encaminhado a tribunal federal em La Plata, a organização denuncia a "arbitrariedade e ilegalidade" do decreto e aponta para violação de "disposições constitucionais, bem como tratados internacionais que garantem a independência do Poder Judiciário".

No campo político, o líder da União Pela Pátria, José Mayans, ameaçou que a oposição peronista no Senado derrubaria as indicações de Milei no retorno do Legislativo, mês que vem. E até mesmo o PRO, de Mauricio Macri, que tem ministério no governo, se posicionou contra o nome de Ariel Lijo para Suprema Corte. Após reunião da alta cúpula, o partido sinalizou que a maior parte dos seus senadores votaria contra a nomeação, embora tenha decidido não emitir uma declaração pública sobre o encontro.

A Casa Rosada, se defende dizendo que o decreto visa normalizar os trabalhos da Suprema Corte e acusa o Senado de politizar as escolhas de Javier Milei para o Judiciário. "O Senado, em vez de ter realizado uma análise séria e objetiva da adequação dos candidatos propostos, optou repetidamente por adiar seu pronunciamento com base em considerações motivadas por conveniência política", acusou o governo no decreto.

As indicações de Javier Milei para ocupar duas das cinco vagas existentes na Corte enfrentam resistência tanto dos peronistas, quanto de aliados ocasionais do governo. O impasse se arrasta há quase um ano. As críticas recaem especialmente sobre a escolha de Ariel Lijo, acusado de atrasar investigações sobre corrupção envolvendo empresários e políticos. O juiz nega.

Sem conseguir os dois terços do Senado necessários para aprovar as indicações, a Casa Rosada apelou para o decreto. Nesse caso, as nomeações são interinas. Para garantir a vaga na Corte, os juízes precisam ser confirmados pelo Senado até o fim da próxima legislatura, em março de 2026. Antes disso, os argentinos renovam parte do Congresso nas eleições de meio de mandato e espera-se que o partido de Milei, A Liberdade Avança, amplie a sua bancada.

Em meio às críticas, o governo argumenta que está amparado pela Constituição e promete manter as negociações para garantir aprovação de Manuel García Mansilla e Ariel Lijo no Senado. O último presidente argentino a nomear juízes da Suprema Corte por decreto foi Mauricio Macri, que acabou recuando diante da repercussão negativa e agora critica publicamente a escolha de Lijo. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje a revogação das concessões concedidas ao regime de Nicolás Maduro, da Venezuela, por meio de um acordo sobre petróleo firmado durante o governo de Joe Biden. Assinado em 26 de novembro de 2022, o acordo tinha como objetivo principal a retomada parcial das atividades de exploração de petróleo na Venezuela, com a Chevron, uma das maiores petroleiras dos EUA, entre as beneficiadas. Em contrapartida, o regime de Maduro se comprometeria a implementar reformas políticas, incluindo a realização de eleições livres e justas, além da libertação de prisioneiros políticos.

"Estamos, por meio deste, revertendo as concessões que o desonesto Joe Biden fez a Nicolás Maduro", escreveu Trump em seu perfil na Truth Social. De acordo com o republicano, o regime venezuelano não cumpriu as condições estabelecidas, especialmente no que diz respeito à realização de eleições democráticas e à devolução de "criminosos violentos enviados ao nosso país". Trump afirmou que Maduro não tem cumprido a promessa de retornar esses "criminosos com a rapidez com que haviam acordado".

Em sua publicação, Trump também anunciou a decisão de encerrar o que chamou de "ineficaz e não cumprido 'Acordo de Concessão' de Biden". O presidente americano determinou que o acordo será encerrado na data da opção de renovação prevista para 1º de março de 2025.

O Escritório de Administração e Orçamento dos Estados Unidos e o Escritório de Gestão de Pessoal solicitaram de maneira conjunta que as agências federais enviem "planos de reorganização" e se preparem para iniciar demissões em larga escala, a pedidos do presidente do país, Donald Trump, segundo memorando divulgado nesta quarta-feira, 26.

No documento, é mencionado que o governo federal é "caro, ineficiente e profundamente endividado" e não está produzindo resultados, o que exige que a medida seja colocada em prática. "O dinheiro dos impostos está sendo desviado para financiar programas improdutivos e desnecessários que beneficiam grupos de interesse radicais enquanto prejudicam cidadãos americanos trabalhadores", justifica a nota.

O comunicado cita que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) instruiu as agências a "eliminar o desperdício e o inchaço" dos trabalhadores, como parte da "transformação crítica da burocracia federal".